Dener, o pioneiro da alta-costura brasileira
Dener, é o pioneiro da moda brasileira. Foi o responsável por criar uma moda nacional e fazer com que clientes optassem pela primeira vez em vestir uma roupa feita por um estilista brasileiro. Virou a cabeça de muitas socialites que vestiam roupas feitas por grandes costureiros de Paris. Assim começou a iconicidade de Dener.
O texto assinado por Neide Dickinson é impressionante pelos detalhes. Rico em sentimento, também. Por isso, a editoria do Portal MHLB o reproduz para que fique realmente na história. Bom entretenimento.
(Fotos: Google/Divulgação)
O texto:
Dener Pamplona de Abreu nasceu em Soire ( arquipélago de Marajó ), em 3 de agosto de 1937. Mudou-se com a sua família para o Rio de Janeiro em 1945, onde começou a desenhar seus primeiros vestidos. Seu primeiro contato com a moda foi aos 13 anos de idade ( em 1948 ), quando ele foi trabalhar na famosa butique carioca Casa Canadá.
Em 1950, após fazer o vestido de debutante de Danuza Leão, fez um estágio com Ruth Silveira, dona de um importante ateliê , onde aprimorou seus desenhos. Dai em 1954, mudou-se para São Paulo, para trabalhar na butique Scarlett. Três anos depois, inaugurou seu próprio ateliê, denominado Dener Alta Costura, na praça da República. No ano seguinte , ganhou 2 prêmios por sua coleção, sendo descoberto pelos meios de comunicação. Logo depois, seu ateliê foi transferido para a Avenida Paulista.
Abaixo um comentário de Dener a respeito do que ele pensava sobre a alta-costura, que tanto ele amava :
" A alta-costura é o laboratório da moda de um país. A alta-costura inspira os modelos, mexe a engrenagem de todo o mundo da moda, lança padrões, estilos. Nenhum país tem moda própria se não tiver uma excelente alta-costura. O brasileiro não só compra roupas caras se não tiver dinheiro. Fica sem comer, mas está pagando a prestação de suas camisas e dos vestidos da mulher. Quando não tem dinheiro, está doido para ter ... para comprar roupas ", dizia Dener.
Dener foi o grande percursor da alta-costura brasileira. Fugia do copismo, desenhando para clientes de acordo com a sua idade, gosto, tipo físico e ocasião . Defendia o estilo clássico, de bases simples, embora adotasse bordados suntuosos em seus modelos de festas e de noivas. Era cercado de glamour, e ao mesmo tempo tinha muito talento para o marketing e os negócios .
Em 1968 Dener fundou a " Dener Difusão de Moda ", considerada a primeira grife de moda criada no Brasil. Dener, aliás, foi o primeiro brasileiro a comercializar seu nome em grife e a criar o mito de " costureiro estrela" .
Criador da moda brasileira, Dener inventou um mito e tornou-se personagem exótico da noite, das ruas e festas da cidade, um pop star tão expressivo quanto Roberto Carlos ou Pelé, na época.
Diferente dos demais mitos da época, Dener se destacou por ter algo de transgressor e, ao mesmo tempo, circulou à vontade na fechada aristocracia paulista dos anos 60. Integrado o cultuado pela sociedade, conseguiu projeção nacional e internacional, posição conquistada por ter sido o " costureiro oficial " de Maria Teresa Goulart, primeira-dama do país entre 1961 a 1964.
Dener era uma figura polêmica e sua vida era recheada de fatos bem-humorados e hábitos excêntricos. Era uma figura amada e odiada por muitos.
Um fato interessante sobre Dener:
O empresário Ricardo Amaral, colunista do " Última Hora " de São Paulo naqueles anos, o apelidou de " gêniozinho asmático ". Embora não tivesse a doença Dener adorou. Achava asma uma doença chique ...
"Dener também tinha horror a nome nacional. Carlos, seu motorista, tornou-se Charles. Pedro, o mordomo, virou " Pierre ". Nos anos 70 surgiu o novo rico e Dener viu desaparecer os valores que ele tanto admirava ( a boa educação e a elegância ). Foi um golpe duro para ele, que se recusava a aceitar as regras de um mundo que fugia dos parâmetros que ele tinha estabelecido como ideais.
Contrariando as expectativas, Dener teve 2 casamentos : com Maria Stella Splendore e Vera Carvalho . Maria Stella é considerada a primeira top model brasileira ( chamada na época, de manequim ). Escolhida por Dener, aos 16 anos, para fazer um desfile, acabou esposa. Com ela Dener teve 2 filhos: Frederico e Maria Leopoldina . Vera, sua segunda esposa, era sua cliente.
Em 1972, Dener lança sua autobiografia, Dener - O Luxo , e o livro Curso Básico de Corte e Costura. Também na década de 70, Dener adotou o candomblé, passando a desfilar de branco e cabeça raspada.
Os problemas de Dener com o alcoolismo se agravaram em 1978, vindo a falecer em 9 de novembro do mesmo ano em decorrência de uma cirrose hepática.
Referências: Revista Senac ( 1999)/Internet
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