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Brasil Belle Époque

O maior ícone da costura nacional viveu a Belle Époque brasileira: DENER. É o pioneiro da moda brasileira. Lembra dele?

. Seu primeiro contato com a moda foi aos 13 anos de idade, já trabalhando na famosa butique carioca Casa Canadá.

21/04/2020 11h15 Atualizada há 6 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Revista SESC/Neide Dickinson
Dener e seu estilo deslumbrante de ser
Dener e seu estilo deslumbrante de ser

Dener, o pioneiro da alta-costura brasileira

Dener, é o pioneiro da moda brasileira. Foi o responsável por criar uma moda nacional e fazer com que clientes optassem pela primeira vez em vestir uma roupa feita por um estilista brasileiro. Virou a cabeça de muitas socialites que vestiam roupas feitas por grandes costureiros de Paris. Assim começou a iconicidade de Dener. 

O texto assinado por Neide Dickinson é impressionante pelos detalhes. Rico em sentimento, também. Por isso, a editoria do Portal MHLB o reproduz para que fique realmente na história. Bom entretenimento.

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(Fotos: Google/Divulgação)

 

O texto:

Dener Pamplona de Abreu nasceu em Soire ( arquipélago de Marajó ), em 3 de agosto de 1937. Mudou-se  com a sua família para o Rio de Janeiro em 1945, onde começou a desenhar seus primeiros vestidos. Seu primeiro contato com a moda foi aos 13 anos de idade ( em 1948 ), quando ele foi trabalhar na famosa butique carioca Casa Canadá.

 

Em 1950, após fazer o vestido de debutante de Danuza Leão, fez um estágio com Ruth Silveira, dona de um importante ateliê , onde aprimorou seus desenhos. Dai em 1954, mudou-se para São Paulo, para trabalhar na butique Scarlett. Três anos depois, inaugurou seu próprio ateliê, denominado Dener Alta Costura, na praça da República. No ano seguinte , ganhou 2 prêmios por sua coleção, sendo descoberto pelos meios de comunicação. Logo depois, seu ateliê foi transferido para a Avenida Paulista.

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Abaixo um comentário de Dener a respeito do que ele pensava sobre a alta-costura, que tanto ele amava :

" A alta-costura é o laboratório da moda de um país. A alta-costura inspira os modelos, mexe a engrenagem de todo o mundo da moda, lança padrões, estilos. Nenhum país tem moda própria se não tiver uma excelente alta-costura. O brasileiro não só compra roupas caras se não tiver dinheiro. Fica sem comer, mas está pagando a prestação de suas camisas e dos vestidos da mulher. Quando não tem dinheiro, está doido para ter ... para comprar roupas ", dizia Dener.

Dener foi o grande percursor da alta-costura brasileira. Fugia do copismo, desenhando para clientes de acordo com a sua idade, gosto, tipo físico e ocasião . Defendia o estilo clássico, de bases simples, embora adotasse bordados suntuosos em seus modelos de festas e de noivas. Era cercado de glamour, e ao mesmo tempo tinha muito talento para o marketing e os negócios .

Em 1968 Dener fundou a " Dener Difusão de Moda ", considerada a primeira grife de moda criada no Brasil. Dener, aliás,  foi o primeiro brasileiro a comercializar seu nome em grife e a criar o mito de " costureiro estrela" .

Criador da moda brasileira, Dener inventou um mito e tornou-se personagem exótico da noite, das ruas e festas da cidade, um pop star tão expressivo quanto Roberto Carlos ou Pelé, na época.

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Diferente dos demais mitos da época, Dener se destacou por ter algo de transgressor e, ao mesmo tempo, circulou à vontade na fechada aristocracia paulista dos anos 60. Integrado o cultuado pela sociedade, conseguiu projeção nacional e internacional, posição conquistada por ter sido o " costureiro oficial " de Maria Teresa Goulart, primeira-dama do país entre 1961 a 1964.

Dener era uma figura polêmica e sua vida era recheada de fatos bem-humorados e hábitos excêntricos. Era uma figura amada e odiada por muitos.

 

Um fato interessante sobre Dener:

O empresário Ricardo Amaral, colunista do " Última Hora " de São Paulo naqueles anos, o apelidou de " gêniozinho asmático ". Embora não tivesse a doença Dener adorou. Achava asma uma doença chique ...

"Dener também tinha horror a nome nacional. Carlos, seu motorista, tornou-se Charles. Pedro, o mordomo, virou " Pierre ". Nos anos 70 surgiu o novo rico e Dener viu desaparecer os valores que ele tanto admirava ( a boa educação e a elegância ). Foi um golpe duro para ele, que se recusava a aceitar as regras de um mundo que fugia dos parâmetros que ele tinha estabelecido como ideais.

Contrariando as expectativas, Dener teve 2 casamentos : com Maria Stella Splendore e Vera Carvalho . Maria Stella é considerada a primeira top model brasileira ( chamada na época, de manequim ). Escolhida por Dener, aos 16 anos, para fazer um desfile, acabou esposa. Com ela Dener teve 2 filhos: Frederico e Maria Leopoldina . Vera, sua segunda esposa, era sua cliente.

Em 1972, Dener lança sua autobiografia, Dener - O Luxo , e o livro Curso Básico de Corte e Costura. Também na década de 70, Dener adotou o candomblé, passando a desfilar de branco e cabeça raspada.

Os problemas de Dener com o alcoolismo se agravaram em 1978, vindo a falecer em 9 de novembro do mesmo ano em decorrência de uma cirrose hepática.

 

Referências: Revista Senac ( 1999)/Internet

 

 

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CarmenHá 6 anos atrásCascavel prDenner foi um luxo de pessoa. Eu o conheci no início da década de 1970 na boate Cave, em SPaulo, gostei muito, leonino, exuberante, energético. E conheci a Maria Stela Splendore, sua esposa, que hoje é mestra no templo Hare Krishina de Pindamonhangaba. Delícia de matéria abrindo gavetas da vida ,
Graça Aranha PedrosaHá 6 anos atrásMorro AltoAê, Mhario. 10. Em 1972, já em declínio, ele lançou sua autobiografia “Dener – O Luxo”, relançada em edição especial pela Cosac Naify em 2007. Nela, é possível sentir a afetação do estilista, que mistura ficção e realidade para contar sua história. Esse foi um dos últimos atos de autopromoção do designer. No fim da década, em 1978, Dener optou pelo exílio. Com pouco dinheiro e desgostoso com os rumos da moda no país, ele acabou se rendendo ao vício em álcool e morreu em 09 de novembro .
A.BelchiorHá 6 anos atrásLimoeiroSou a colunista Anitta Belchior, de Limoeiro. Obrigado. estava fazendo pesquisa para homenagear a população daqui com o Premio Dener. ajudou muito.
Luis Carlos TaisonHá 6 anos atrásSPSou Luis Carlos Taison, estilista, já aposentado. Trabalhei durante 30 anos em casas de moda em São Paulo e o Dener nunca saiu dos catálogos. Obrigado senhor Mhario por esta belíssima reportagem.
Mason T.Há 6 anos atrásMato Grosso do SulCaro Mha\rio Lincoln. Você sempre na frente. Parabéns por esse resgate histórico. Sou estilista em Mato Grosso do Sul e ainda não tinha lido nada parecido na imprensa maluca do Brasil. Hoje é só briga. Mas quando a gente acha algo assim, tem que parabenizar. Parabéns a Neide Dickinson pelo texto.
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