Poeta, escritor, cronista e educador Paulo Rodrigues, imortal da Academia Poética Brasileira e premiado pela União Brasileira de Escritores, põe as vísceras de fora e compõe poema forte, de grande expressão de protesto ao descaso a tantos humanos que tiveram a vida ceifada diante da pandemia que assola o Brasil:
ALDIR BLANC
(*) Paulo Rodrigues
ninguém cantou contigo
na hora da agonia.
o Bêbado e a Equilibrista
não renovam mais
o ar do Brasil.
estás só,
eu estou só
e o país nos manda
a puta que pariu.
as pernas
numa maca de hospital
não marcam Dois pra lá,
Dois pra cá.
não andam
acima da impunidade
da cidade,
não andam
nas pedras da Tijuca.
não andam.
isso importa?
as madames batem palmas
pra barbárie;
o gerente
abre as portas do shopping.
Um pouco do que foi o extraordinário ALDIR BLANC.
O compositor e escritor Aldir Blanc, de 73 anos, morreu de Covid-19, na madrugada desta segunda-feira (4), no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio.
Aldir Blanc deixa composições que marcaram a vida e a história dos brasileiros. O menino nascido no Estácio, Centro do Rio, era um observador das ruas, poeta da vida e da cidade. Captava a alma do subúrbio.
Virou também cronista e em suas histórias revelava paixões, como o bairro de Vila Isabel, onde passou a infância, o time Vasco da Gama, e o carnaval.
Blanc batizou também um dos mais tradicionais blocos do Rio, o "Simpatia é Quase Amor", que desfila há anos em Ipanema, na Zona Sul.
Troca de medicina pela música
Aldir Blanc Mendes nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 setembro de 1946. Em 1966, ingressou na Faculdade de Medicina, especializando-se em psiquiatria. Em 1973, abandonou o curso para dedicar-se exclusivamente à música, tornando-se um dos mais importantes compositores de Música Popular Brasileira (MPB).
Uma de suas canções mais famosas, “O Bêbado e a Equilibrista”, feita em parceria com João Bosco, ficou eternizada na voz de Elis Regina.
Outras composições famosas são “Bala com Bala”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “De Frente Pro Crime” e “Caça à Raposa”.
A obra de Blanc reúne, ainda, dezenas de canções conhecidas, feitas em parceria com outros ilustres artistas, como Moacyr Luz, Maurício Tapajós, Paulo Emílio, Carlos Lyra, Guinga, Edu Lobo, Wagner Tiso, César Costa Filho, Cristóvão Bastos, Roberto Menescal, Ivan Lins, entre outros.
Mais informações no Portal G1: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/05/04/aldir-blanc-compositor-e-escritor-morre-no-rio.ghtml
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