Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes
A Plataforma Nacional do Facetubes leu a íntegra do texto publicado por Mary Del Piore, na imprensa nacional e redes sociais, falando sobre o lançamento do livro Histórias das Mestiçagens no Brasil, na Bienal do Livro, em São Paulo. Na análise ficou claro que o tema "Mestiçagem" como investigação da formação brasileira, envolvendo relações familiares, deslocamentos, práticas culturais, alianças e violências, acabou por despertar reações negativas de alguns grupos, inclusive, com ameaças e violência verbal.
Na verdade, no texto, a historiadora parte do pressuposto de que essa coletânea, na essência, é um trabalho intelectual: “(...) estudar esse processo não significa celebrá-lo nem condená-lo. Significa fazer História”, escreve Mary del Priore.
A autora relata insultos e ameaças físicas que, segundo seu testemunho, motivaram um pedido de segurança à Editora Unesp para o lançamento na Bienal de São Paulo. Também menciona pressões sobre os pesquisadores participantes da coletânea. Esses acontecimentos são apresentados no artigo, como relatos da historiadora. Ao tratar da intimidação no ambiente de ensino, Mary del Priore pergunta: “Haverá assuntos proibidos? Temas dos quais será melhor não falar? Documentos que não deverão ser lidos porque suas conclusões desagradam?”
O texto associa a preservação dos arquivos, o ensino e a circulação dos livros à possibilidade de compreender os acontecimentos em seus contextos. Mary del Priore critica a divulgação de interpretações sem investigação e descreve o procedimento que considera próprio da disciplina: “Ela abre arquivos, confronta documentos, compara testemunhos e multiplica perspectivas”. Sua argumentação concentra-se na liberdade de examinar fontes e discutir resultados.
Por outro lado, Del Priore cita também Manolo Florentino, cujas pesquisas oferecem referências documentais sobre a sociedade escravista. Já em outra obra, "Em costas negras", (foto) o historiador investigou a participação de negociantes estabelecidos no Rio de Janeiro no tráfico atlântico.
Em "A paz das senzalas", escrito com José Roberto Góes, esse examinou a formação de famílias entre pessoas escravizadas e suas relações com a organização do cativeiro. A reportagem Intérprete da escravidão, da Pesquisa FAPESP, descreve essas contribuições e registra diferenças de interpretação entre pesquisadores sobre o papel dessas famílias. São estudos sobre comércio, parentesco, negociação e relações de poder. (Pesquisa FAPESP)
Na conclusão, Mary del Priore vincula o conhecimento histórico à educação cívica e ao diálogo. A autora define a tarefa como “defender o direito de pesquisar, discordar, argumentar e conhecer o passado sem medo”. Sua frase final condensa o sentido do artigo: “É a própria História que começa a sangrar”. A expressão encerra sua denúncia dos efeitos da violência sobre a investigação e o debate.
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Nota de pesquisa: as citações de Mary del Priore foram transcritas do texto publicado nas redes sociais. As referências a Manolo Florentino são baseadas na fonte indicada.
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