Sexta, 15 de Outubro de 2021
18°

Chuva fraca

Curitiba - PR

Especiais VICEVERSA

Um diálogo interessante no VICEVERSA, entre a poeta e escritora Nauza Luza Martins & Mhario Lincoln

Entretenimento

04/10/2021 às 11h43
Por: Mhario Lincoln Fonte: Divulgação
Compartilhe:
Viceversa é marca registrada do FACETUBES
Viceversa é marca registrada do FACETUBES

MHARIO LINCOLN/ NAUZA LUZA MARTINS

PERGUNTAS VICEVERSA

Mhario Lincoln (01) – A vida é igual a um livro. Só depois de ter sido lido “é que sabemos o que encerra”, diz a escritora Carolina Maria de Jesus em “Quarto de Despejo”, obra aplaudida pela crítica. Pode-se entender que a leitura, seja ela em quaisquer idades ou nível social, ainda representa muito para o desenvolvimento do ser humano?

Nauza – Com certeza. A leitura promove o crescimento do ser humano em todos os âmbitos e são muitos os benefícios que se pode elencar. Entre os principais pode-se afirmar que estimula a criatividade, desenvolve a imaginação, enriquece o vocabulário e aprimora a escrita. Costumo dizer que a leitura faz com que a memória troque de roupa constantemente.

MHL (02) – Recentemente fizeram uma enquete para saber qual o patamar da mulher ideal. Nas respostas, o seguinte: precisa ser “independente, cheirosa, vaidosa, responsável, companheira sem ser possesiva, saber educar os filhos pelo seu lado materno e ter, pelo menos, escrito um poema na vida”. Não sei se isso é regra geral. Mas a questão da poesia é bem interessante. Então, pergunto: quando foi que você teve aquele insight que a poesia estaria sempre em sua vida?

Nauza – Esse termo “mulher ideal” é muito clichê (risos). Mulher (no meu caso, homem) é igual a vinho. O melhor vinho do mundo é aquele que se gosta e pronto! Sobre a poesia tenho a dizer que sempre fez parte da minha vida, assim como a leitura. Nasci e vivi até meus 18 anos numa remota cidade maranhense, onde adquiri intensa afinidade com a leitura, hábito herdado da minha mãe e das intensas leituras bíblicas, vez que na infância e adolescência frequentava a única igreja evangélica da cidade. Antes dos 16 anos, já compunha hinos, poemas, contos e um diário onde escrevia todas as minhas impressões sobre a vida, as pessoas do meu entorno familiar, escolar e da pequena cidade de Monção/MA. Nessa época, escrevi um romance completo à mão em um caderno escolar. Esse, guardo a sete chaves por julgá-lo muito pueril e impublicável (risos). Quando fui pra São Luís em 1973 para continuar meus estudos, a leitura e a paixão por livros sempre foram minha principal forma de diversão e entretenimento. A poesia sempre funcionou em minha vida como uma válvula de escape, uma companheira inseparável e fiel, uma forma eficaz e silenciosa de me expressar. Costumo dizer que a poesia salva, cura, encanta e liberta.

MHL (03) – Um dia, Simone de Beauvoir escreveu: “Vivi num mundo de homens, guardando em mim o melhor da minha feminilidade”. Então, em algum momento você teve que se retrair diante de sua sensualidade poética, em função de algum fato que pudesse vir a inibir seu talento no futuro? Ou escreve do jeito que pensa, nesse segmento autêntico e incrível que você se insere?

Mhario pergunta para Nauza.

Nauza – Sou fã de Simone de Beauvoir. Li alguns dos seus livros durante minha vida universitária, cursando Serviço Social na UFMA. Sempre me senti “um peixe fora d’agua”, principalmente, em relação aos padrões familiares e religiosos que me foram impostos, e, que logo tratei de me desvencilhar assim que cheguei em São Luís. Meu sonho de vida sempre foi galgar minha independência financeira para poder viajar e fazer minhas próprias escolhas. Percebi cedo que só conseguiria isso por meio dos estudos e do trabalho. O sonho de minha mãe de me ver casada e com filhos pesou sobre meus ombros durante muito tempo. Me libertei ao concluir meu curso universitário e me aventurar sozinha em Brasília aos 24 anos onde vivo até hoje. Casei quando quis, tive filhos quando me senti preparada. Aliás, fui a última de oito irmãos a dar netos pra minha mãe. (risos).

MHL (04) – Quantas vezes você teve que se autorrenunciar em prol de uma outra coisa que não era lá o que você queria realmente?

Nauza – Penso que respondi parte de sua pergunta na resposta anterior. Pensando melhor, digo a você Mhario Lincoln que sempre fui considerada “uma pessoa difícil” exatamente pelo meu jeito espontâneo de dizer o que penso, ter vontade própria e não me deixar influenciar. Passei por alguns embaraços por ser muito dona de mim. Enfim...

MHL (05) – Pelo seu vasto currículo literário, você tem escrito muito, publicado muito, organizado livros e coletâneas. O que isso (essa atividade imensurável) representa para você, enquanto formadora de opinião, enquanto assistente social, enquanto militante literária; ou se a questão apenas de poetar não lhe bastava?

Nauza – Meu amor pelos livros, em geral, sempre me diferenciou das pessoas em todos os âmbitos sociais das minhas relações interpessoais. Sempre fui uma “devoradora de livros”. Não me contento em ler livros apenas, gosto de comprar, possuir, ter comigo, sentir aquele seu cheiro característico, contemplar na estante. Sempre trabalhei com crianças, adolescentes e jovens em situação de risco pessoal e social nas ruas, em situação de trabalho infantil, em conflito com a lei em medida socioeducativa de Internação, vítimas de violência doméstica, etc. A literatura tanto técnica, específica da minha área de atuação como os clássicos nacionais e internacionais sempre representaram uma ferramenta poderosa em meu trabalho, seja nos cargos de chefia, seja no atendimento direto às crianças, adolescentes e jovens aos quais sempre tentei incutir a importância da leitura como diferencial para todas as situações da vida. Estou aposentada do serviço público após 35 anos de carreira como Assistente Social. Cheguei a ficar até cinco anos sem escrever poesias. Apenas trabalhos e projetos técnicos. Hoje apenas poetar, como você bem disse, me basta, me alimenta, ocupa meu tempo, é terapêutico e me faz feliz.

MHL (06) – Há determinado tipo de pessoa – com o qual convivemos todos os dias – que sempre se acha dono de alguma verdade e não admite, sequer, uma opinião. Pior se for contrária. Todavia, Paulo Freire, um dos mais aclamados educadores do país, disse: “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Por isso aprendemos sempre”. Você concorda? Se sim, o que fazer com as pessoas tóxicas? Deletá-las ou compreendê-las dentro do possível?

Nauza – Sou fã de Paulo Freire, toda pessoa deveria ler pelo menos um livro dele na vida. Estou sempre aprendendo algo. No entanto, sou muito impaciente com pessoas ignorantes, ingratas. Gosto de gente simples. O singular me comove. As tais “pessoas tóxicas” coloco numa caixinha, tranco com chave e jogo no mar. Aí deixo que as ondas carreguem “lá pras bandas da Cochinchina”, entende? Jamais serei refém de pessoas que não são do meu agrado. Desse jeito mesmo.

MHL (07) – No processo de criação, especialmente a criação escrita, há sempre um start poético para iniciá-la. Com você é assim também? Tudo começa com uma palavra mágica ou tem outro formato?

Nauza - Meu processo é simples já que meus escritos brotam. Vou escrevendo e raramente refaço algum poema. Tenho o hábito de ler alto antes de considerar pronto. Mesmo preferindo o estilo de poesia livre gosto que tenha ritmo, sonoridade, harmonia, e, até rimas às vezes. Se não gosto, deleto. Meu poema “Perfil Poético” empaginado no meu livro “Interlúdio Poético”/2020 (Chiado Books) expressa bem meu processo de escrita: “Meus momentos de poesia simplesmente brotam. Quando fecho os olhos, à noite, brotam palavras, belas rimas, que se perdem durante o sono e nem sempre lembro ao acordar. Não consigo ser inspirada, usar bem as palavras, ou dizer coisas bonitas, sentimentais e afinadas o tempo todo. Sou poeta no meu tempo, sem pressa. Quando menos espero. Não é coisa estudada, planejada. É no tempo das emoções, reações, contratempos que me movem e incendeiam meu espírito inquieto. A poesia brota, assim...do nada. Sem ter nem porque, chega a qualquer hora...sem avisar...”   

MHL (08) – A conheço faz tempo. Sempre a admirei pela gratidão demonstrada por aqueles que lhe fizeram bem. Um deles é seu irmão José Carlos Martins, meu amigo e um dos empresários que emprestou sua inteligência empreendedora para patrocinar meu trabalho de jornalista e promotor de eventos, em vários projetos, na época. Gostaria que você falasse um pouco sobre esse lado maravilhoso dele.

Nauza – Falar do meu irmão mais velho é fácil e difícil, dada sua crítica situação de saúde atual. Sempre foi meu herói. Mais que um irmão não apenas para mim, mas para todos da nossa numerosa família. Um homem que se doou durante toda a vida à família, aos amigos e a todos que precisaram dele. Devo a ele muito do que conquistei em razão do suporte financeiro que me deu durante os sete anos que vivi em São Luís morando com ele. Também arcou com boa parte dos custos da publicação dos meus dois livros de poemas, Jogo de Palavras/2017 e Interlúdio Poético/2020.

MHL (09) – Você algum dia já teve que encarar uma solidão doída? Em que a solidão pode ser benéfica, ou não?

Nauza – Quem se ama e gosta de sua própria companhia não sofre de solidão. Não sei falar sobre solidão. Só em poesia (poetizo até sobre dores que nem sinto. Enfim. Coisas de poeta...). Pareço narcisista né? Sou mesmo (risos). Sofrer de saudade, ah isso sim. Meu nome é saudade. Tenho saudade da minha mãe. Ainda choro de saudade dela. Essa é uma saudade doída que foi amenizada pelo tempo, porém não passa. De amores? A maioria dos meus muitos amores foi bem resolvida, então chamo de boas lembranças.

MHL (10) – Pergunto agora o clássico lírico: a definição de amor.

Nauza - Não tenho uma definição de amor. Mas sei que o melhor do amor é amar.

------------------------------------------------------

NAUZA LUZA MARTINS/MHARIO LINCOLN

Caption

PERGUNTAS VICEVERSA

 1) - NAUZA LUZA MARTINS - Nos conhecemos desde 1977, quando eu ainda morava em São Luís/MA, era universitária e trabalhava como Recepcionista no período noturno do Hotel mais famoso da cidade. Você era Colunista Social e fazia cobertura jornalística com livre acesso a todas as festas e acontecimentos sociais da cidade. Discorra sobre suas lembranças dessa época em que você e sua mãe Flor de Lys eram personalidades festejadas nas altas rodas da cidade. Quero saber alguma história dessa época.

MHL - Acho que duas coisas bem importantes marcaram esse período e fizeram uma diferença merecedora de aplausos. A primeira: em nossas promoções sociais, com Misses de todos os Estados, inclusive a Miss Brasil, celebridades da televisão e do teatro, Festas das Personalidades, Cantores famosos; nunca, em nenhuma ocasião e nenhuma dessas festas, tivemos total vantagem financeira. Tirávamos todas as despesas e parte do que sobrava, (a cada promoção) repartíamos com entidades filantrópicas. Duas delas me lembro bem. O "Lar de José" e o "Educandário Santo Antonio", duas instituições importantes, que cuidavam de crianças, uma delas, de filhos de leprosos. A segunda foi meu trabalho na imprensa social do Estado ter mudado (segundo Tese de Doutorado, do sociólogo, prof Athayde, em São Paulo) a história do colunismo social naquele final de década (1999/2000). Isso me deixou bem orgulhoso e por isso, quando saí de São Luís, a deixei com a certeza de que contribui profissionalmente com a minha cidade-mãe.

2) - NAUZA LUZA MARTINS - Cite uma lembrança que marcou sua infância. Pode ser uma divertida? 

MHL - Eu até contei essa história. Está publicada no facetubes. (link: https://www.facetubes.com.br/noticia/1572/cronicas-de-mhario-lincoln-qquando-uma-luta-de-telecath-montilla-virou-uma-luta-campalq), quando inventei um campeonato de Luta Livre, na época uma imitação do "Telecath Montilla", cujas estrelas principais eram Ted Boy Marino e Verdugo. Essa foi hilária e ganhou de todas as outras peripécias que aprontei na minha infância.

 3)- NAUZA LUZA MARTINS - Cite uma frase favorita e nos explique porque é marcante pra você.

MHL - "Se você consegue falar de seu ex-amor, sem chorar, parabéns. Você venceu!". Na primeira vez que publiquei essa frase da minha obra (#domeulivroML), em uma antiga rede social, obtive milhares de likes e comentários. Cartas, declarações, testemunhos e depoimentos emocionantes. Foram milhares de e-mails (não tinha o whats ainda). Um deles foi de Raquel Ramos, do site http://www.superlinda.com/ (Superlinda). E assim, essa frase abriu um leque de oportunidades. Inclusive de publicar meu livro - "Segredos Poéticos", dantes, engavetado por falta de incentivo.

4) - NAUZA LUZA MARTINS - O que você curte fazer em suas horas de lazer atualmente, em tempos de Pandemia?

MHL- Foi 1 ano (e os últimos 4 meses), praticamente dentro de casa. Nesse período dediquei-me a minha melhoria espiritual. Sou evangélico (Igreja Presbiteriana) de origem. Mas nesse período ampliei meus conhecimentos, estudando Alan Kardec e Buda. Foram vários meses de observação e devoção. Li muito. Escrevi vários prefácios, resenhas, poesias e preparei meu terceiro livro a ser lançado em dezembro, contando minhas histórias que nunca esqueci entre a infância e a adolescência. Alguns amores, de fato, porém, de forma muito reservada. Muitas emoções musicais. Muito trabalho (aos 18 anos exercia o cargo de Oficial de Gabinete do Governador Nunes Freire, do Maranhão) e algumas loucuras de praxe. Mas, ao final, tornei-me um adulto responsável com as coisas da Alma e as coisas da Vida física. Acho que consegui equilibrar todos os meus momentos.

5)- NAUZA LUZA MARTINS - Cite duas personalidades que considera importantes na literatura mundial. Essas personalidades te influenciaram de alguma forma?

MHL - Impossível não citar, como o faço sempre, Gabriel García Márquez. Depois que li "Cem Anos de Solidão", minha estrutura literária tomou um rumo significativo. Com essa obra aprendi que só o 'instinto' de escritor, poeta, artista de forma geral, não funciona. Em minha modesta opinião é necessário ir além do instinto para escrever. Acredito que 90% das pessoas (sabendo ou não ler/escrever) de certa forma criam obras escritas, faladas ou estilizadas. No entanto, raras as pessoas que conseguem subir de plano, pois confundem instinto com talento. O instinto para tornar-se talento, necessário se faz estudar, compreender a arte que produz, ler todas as pessoas que fazem o mesmo trabalho com esmero, aprender com exemplos de todos os segmentos que interfiram na arte que a pessoa faz e acabar com aquele senso egoísta de que "melhor que eu, poucos escrevem". Pura bobagem! Porque para escrever um livro de sucesso, não é 'escrever um livro'.  É vivenciá-lo com todas as outras fórmulas de sucesso do Mundo. Lavoisieur já dizia: '(...) nada se cria, tudo se transforma". Na verdade, nada é inédito, desde que a Bíblia trouxe em seus Livros Santos, o roteiro do Bem e do Mal, tudo que veio depois, em nosso mundo contemporâneo, traz resquícios desse mote imortal e insuperável. Desta forma, é necessário, ao ser escrito quaisquer que sejam os temas de livros,  que a experiência íntima saia do pessoal e se transforme no coletivo. Quando fiz o curso de Cinema, no Centro Europeu (Curitiba-PR), meu professor de Roteiro me disse, reprovando meu primeiro trabalho: "Tem-se que escrever para o público e com o público; nunca para sí. Caso contrário, vira argumento íntimo, cuja história, verdadeiramente, só serve para quem a escreve". Isso eu aprendi. Muitas vezes, como editor, recebo um livro de poemas que realmente só interessa a quem escreveu. Essa é a realidade. E digo porque cometi os mesmos erros. Tenho livros que não venderam nem 100 exemplares. A partir daí tive que me reinventar e reestudar os meus erros e os erros de como escrevi. Não reprovei a livraria, o distribuidor, nem a editora. Me reestudei para saber onde estava a falha. Assim cheguei a uma doída conclusão de que a Poesia não deve ter guarida apenas no 'animus', naquele instinto interno, naquilo que está dentro. Mas no burilamento do 'animus'. Em segundo, cito Salvador Dali. É dele o exemplo quando se fala de instinto e talento: "(...) o talento transforma um borrão, num lindo sol amarelo", disse em uma de suas palestras a jovens pintores. Portanto, muita gente não entende tal realidade porque usa apenas o instinto para escrever e não procura se aprofundar no que está fazendo. Julius Martins, editor de livros de poesia, perguntado pelas redes sociais como chegar ao sucesso com livros no Brasil, disse: "Pelo instinto, dificilmente alguém alcançará a meta, se não com muito gosto pela leitura de outros poetas (...)".

6) - NAUZA LUZA MARTINS - Sabemos que você é um jornalista sagaz, culto e erudito. O que te levou a escrever e adentrar no mundo literário chegando a Presidente de uma Academia literária reconhecida internacionalmente?

MHL - A primeira lição que a vida me deu está contida nesta frase da obra (#domeulivroML): "Na vida, tive que aprender a ser justo, quando fui injusto tantas vezes; a ser humilde quando minha prepotência perdeu a importância..(ML)". Desta forma, consegui me livrar de fatos irrelevantes que atrapalhavam minha evolução. Essa coragem, me ajudou diretamente a pensar diferente, preparando-me, então, para exercer funções, as quais superam minha satisfação pessoal, tornando-as coletivas.

9) NAUZA LUSA MARTINS - O que é o amor para você? Tem algum amor platônico? Um amor de juventude que sempre povoa suas memórias com boas lembranças?

MHL - Nossa amiga comum Alcina Maria, poeta e escritora aplaudida, ao fazer pergunta similar no VICEVERSA, respondi: "(...) na maioria dos casos vivi o “Amor-Eros”, de Platão. Através de meus versos, frases e crônicas já tentei defini-lo. Entretanto, por opção e por estar mais perto do meu imaginário, acabei escolhendo a definição de Aristóteles. Ele se refere ao ‘Amor Filos’. Ou seja, um amor vinculado à ideia de Alegria. Amar alguém é sentir-se alegre e verdadeiramente feliz com a pessoa que você divide a vida e os sentimentos. Fora desse preceito, o amor toma outras dimensões, outras definições, mas nunca iguais ao original da felicidade para ambas as pessoas. O amor é a felicidade duo; nunca individualizada. Por isso, não concordo com Platão ao definir esse sentimento como ‘Amor Eros’, onde o amor está diretamente ligado ao desejo libídico, à realização da conquista. Ora, assim, chego à conclusão de que, uma vez concretizado, o amor Eros deixa de existir. E quanto ao meu amor poético, nas minhas criações, é algo que nasce de repente, pois alcança muitas vertentes teóricas do que li, estudei, adaptei. Várias delas, puramente construídas. Aqui, há de se separar o amor pessoal do autor, do amor imaginado para a criação. Sei distinguir as coisas para não atrapalhar a minha intuição do enredo, apesar de incluir nele, algumas das experiências pessoais.

10) NAUZA LUZA MARTINS - O que tira Mhario Lincoln do sério?

MHL - Hoje raríssimas são as ocasiões que algo me tira do sério. Porque não adianta forçar as pessoas a pensar como você pensa. Imprimir pressão ao outro (companheiro, amigo, amante, caso, confidente), para que  se comporte dentro das normas criadas unicamente por você. Não adianta eu tomar as rédeas da liberdade e impor ao outro uma prisão sentimental e egoísta. Pois a pessoa que está consciente da relação nunca irá provocar alguma divisão com alguém de forma extraconjugal. Tive que me educar muito para saber que "toda a ação" só "provoca reação", no Estudo da Física. Entre humanos, isso aconteceu, sim, contudo, há milhares de anos, na idade da pedra ou na idade do bronze. Continuar a carregar essa coisa de Vingança e Ódio provoca diretamente Desespero e Ansiedade em si mesmo.

(Muito obrigado Nauza. VC sempre foi e será uma grande amiga e uma pessoa de minha estima e admiração, tanto no campo pessoal quanto como poeta e escritora).

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias