Quinta, 19 de Maio de 2022

Poucas nuvens

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Brasil Convoidadas APB

Homenagem: Clevane Pessoa, Vice-Presidente Nacional da APB é só poesia

Autorizada pela autora.

30/03/2022 às 20h49
Por: Mhario Lincoln Fonte: Clevane Pessoa
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Clevane Pessoa.
Clevane Pessoa.

CLEVANE PESSOA POR ELA MESMA

Radicada em Minas desde a infância, sou de família nordestina (Paraíba e Rio Grande do Norte), nasci em S.José de Mipibu. Aliás, há pouco fui "encontrada", através da Internet, pois a cidade completará 160 anos de emancipação e a prefeita pretende editar uma antologia com o mesmo número de pessoas nascidas lá, que tenham algum destaque em algum campo. Fiquei bem feliz, e pretendo ir lá, conhecer minha cidade natal, de onde saí praticamente recém nata.

Sou pessoa de Artes e Letras, sempre desenhei e escrevi. Leio muito, desde os três anos de idade, militei na imprensa nos Anos de Chumbo, em Juiz de Fora, MG. Depois, formada em Psicologia, tornei-me palestrista, oficineira, consultora. Ilustro livros, inclusive meu último em "Estalo, a Revista",cooperativa entre escritores, onde escrevo. Transito livremente por todos os gêneros literários, da trova ao cordel, dos versos livres ao soneto, da poesia-processo, à concreta. Gosto de haicais e poetrix, também. Em verso ou prosa, a Palavra, para mim, tem muito de lúdica e mágica. Seu poder é inesgotável, refaz-se de si e permite uma imensa gama de interpretações e formas. Todas as artes me atraem, sou meio gulosa pelo belo.

Tenho dois filhos, um de cada casamento. Editei vários livros. Dentre esses, dois livros de Poesia (Sombras feitas de Luz e Asas de Água, pela Plurarts Editora, de Bh). Particvipei de quase trinta antologias, algumas por mérito em concursos. Ganhei prêmios e tenho uns dez livros prontos, à espera de edição. No compêndio "Adolescência, Aspectos Clínicos e Psicossociais", sou co-autora nos capítulos de Homossexualidade e Sexualidade (Editora ArteMed, org. por Maria da Conceição de Oliveira Costa e Ronald Pagnocelli) e tenho alguns artigos científicos publicados. No CD de Poesias OISE (Anomelivros), estou na quarta faixa, com três poemas. Ah! Preciso de um dia com 36 horas...

CORPUS

A fusão perfeita

do soma somado

esvaiu-se em bruma,

esvoaçado...

Depois de feita fumaça branca,

a magia do amor eterno

para não perder-se em si,

transmutou-se

em garça nívea

e saiu na busca

do par perdido...

 

Portanto se vir de longe

essa alma alada

não pense que é fumaça

veja nela essa n(ave)

singrando os ares

sangrando no meio dos outros pares

a grasnar de solidão...

Graça,garça,sarça

ardendo de Paixão...

 

*Editado em Estalo, a Revista, número 4*

 

MUITO TARDE...

Como responder ao olhar faminto do anjo sujo

que pede esmolas tão naturalmente ,

habituado à menos-valia?

Como não pensar no olhar de animal ferido

quando escorraçado,qual se fosse sarnento,

portador de vírus letal?

Como conseguir dormir depois de ver o anjinho esfarrapado apanhar de algum adulto que o escraviza

ou ser torturado

por um menino maior

somente por não ter logrado

conseguir a esmola pela pessoa

que nem o olhou ao ter passado?

 

Como não adivinhar as asas transparentes

nas omoplatas aparentes

das carnes magras e sujas?...

 

Às vezes, só depois de ter negado

uma ajuda necessária,

por medo, por negar-se a colaborar

com os aliciadores de menores

ou com pais desnaturados,

é que se pode compreender

que o Amor não foi exercitado,

pois devemos amar, 'apesar de' e' não porque!'

 

A lágrima às vezes teima em molhar

o travesseiro de quem dorme

em lençóis de linho ou seda...

O olhar da criança nos persegue

o sono e um grito sem tamanho,

sufocado na garganta,

irrompe o espaço da madrugada...

Mas então, pode ser tarde:

o pequenino já foi surrado, seviciado ou maltratado

ou talvez tenha mesmo virado

um anjo de verdade ao ser atropelado assassinado...

E você não fez nada.

Nem eles...

Eu também não...

 

META/DE

A parte que me falta

tu a trazes de viagem,

quando retornas, viril

da última guerra-imagem

etérea,nem baixa nem alta

que me preenche completamente.

 

A parte que te falta

migra de meu espaço sutil

e te invade, resiliente

tomando tua própria forma.

 

Ambos, procuramos nossa META

um no outro, desejo aparente:

eu sou tua METADE,

e tu, META DE mim, norma

para que cada um no outro

possa completar-se

 

-sou o arco grávido e tu, a seta

que buscou o alvo para a prenhez

de nossos complementos:

de nossos pensamentos,

de nossas ações e re/ações...

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