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ENTREVISTA COM PAULO FILHO (COORDENADOR REGIONAL DO SEAMA)

Com Paulo Rodrigues, da APB.

01/04/2022 às 09h33
Por: Mhario Lincoln Fonte: PAULO RODRIGUES
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Paulo Rodrigues e P.Filho.
Paulo Rodrigues e P.Filho.

Por Paulo Rodrigues 

PAULO DA CRUZ SANTOS FILHOPedagogo (UEMA)/ Historiador (PUC-RIO), Especialista em Supervisão Escolar e Gestão Educacional é servidor da Rede Estadual de Educação desde 2006 atuando na Unidade Regional de educação de Santa Inês como Articulador Pedagógico e Coordenador Regional do SEAMA.

PR. Paulo Filho, você coordena a Prova SEAMA na Unidade Regional de Educação de Santa Inês. Qual é a importância dessa avaliação na construção de novas aprendizagens nas redes de ensino do Maranhão? 

PF. A proposta do SEAMA – Sistema Estadual de Avaliação do Maranhão - desde a sua implantação em 2019 é oferecer às redes públicas de ensino do nosso estado através do regime de colaboração entre (Estado e Municípios) indicadores que revelem pontos fortes e de dificuldades de aprendizagem.  Esse tipo de avaliação oferece as secretarias municipais de educação informações fundamentais para a tomada de decisões no que diz respeito a intervenções pedagógicas que direcionem a recuperação de aprendizagens dos estudantes. A partir dos resultados obtidos os professores podem adequar as suas abordagens e estratégias de ensino às necessidades de cada aluno, estimulando assim seu progresso e fazendo com que ele atinja novos patamares. 

 

PR. Paulo, é mesmo importante a avaliação escolar externa? A Prova SEAMA dialoga com a Prova Brasil? 

PF.  Uma grande conquista na área educacional nos últimos anos tem sido a consolidação da cultura das avaliações externas com o objetivo de aferir a qualidade do ensino escolar. Sob a perspectiva da garantia do direito a educação, as avaliações externas não só permitem aos gestores e às famílias (escola e família devem estar alinhadas) acompanhar o desempenho dos estudantes, como também traçar diagnósticos da rede e identificar desigualdades existentes entre as escolas ou até mesmo dentro de uma mesma escola. Desde que foi criado em 2005 o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) os resultados das avaliações do SAEB passaram a ter a função de orientar as políticas educacionais em todo país. A análise e utilização dos resultados das avaliações externas são ferramentas indispensáveis quando a gestão educacional é comprometida com a qualidade e equidade da educação pública. Nesse sentido, as avaliações do SEAMA dialogam com o SAEB (Prova Brasil), uma vez que seguem a mesma metodologia de aferição da aprendizagem com aplicação de teste de LP e MTM bem como a análise que cenários socioeconômicos do contexto escolar. O SEAMA oferece um diferencial: aplicação anual (enquanto o SAEB acontece a cada dois anos) além de resultados mais detalhados de desempenhos por município, escola, turma e aluno. Dessa forma cada professor tem acesso ao cenário de desempenho de sua turma, fato que norteia seu planejamento de ensino.

PR. Por que se insiste na aplicação de provas e exames? 

PF. Primeiro é necessário esquecer a concepção de provas e exames como meros instrumentos de classificação/ranqueamento dos estudantes. A avaliação de larga escala através de instrumentos formulados e padronizados sob a perspectiva metodológica da TRI (Teoria de Resposta ao Item) oferece possibilidades de traçar uma política educacional consequente e efetiva, quer seja estadual ou municipal. A gestão escolar precisa direcionar seu trabalho tendo como base a gestão de resultados através de indicadores de sucesso. Dessa forma utilizar exames de larga escala oferece um referencial para o planejamento escolar.

PR. O professor Cipriano Carlos Luckesi afirmou numa entrevista da Nova Escola: “Existem também razões psicológicas para a insistência nos velhos métodos de avaliação: o professor é muito examinado durante sua vida de estudante e, ao se tornar profissional, tende a repetir esse comportamento”. Você concorda que velhos métodos se repetem na educação do Maranhão? O que está sendo feito para ampliar o olhar sobre a avalição?

PF. Nos últimos anos aqui no Maranhão, as discussões a respeito da prática avaliativa têm sido ampliadas nos espaços escolares buscando o rompimento com a velha concepção de avaliação vista como mera formalidade de classificação. Podemos citar por exemplo a implementação da Sistemática de Avaliação da Rede Estadual que traz em seu bojo a valorização dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos, bem como a adoção da análise contínua dos resultados obtidos nos exames em larga escala. Com a adoção do SEAMA, a SEDUC tem sinalizado essa preocupação em oferecer às redes públicas de ensino de todo o estado referencias para tomada de decisões que priorizem a recuperação de aprendizagens não consolidadas. Nessa nova prática avaliativa, o erro do aluno se torna uma possibilidade para que metodologias sejam aprimoradas e assim o discente tenha possibilidade de aprender novamente.

PR. Deixe uma mensagem de esperança para os leitores.

PF. Sem um mínimo de esperança sequer podemos começar qualquer atividade humana. Na esfera educacional, mesmo com os significativos avanços nos diagnósticos avaliativos, o cenário ainda é de desafios. Entretanto a esperança deve ser o nosso combustível para continuarmos no enfrentamento dos desafios que se apresentam. A nós, educadores, é imprescindível adotarmos uma postura crítico-reflexiva na busca de nossos sonhos tal como nos ensina o mestre Paulo Freire: “O futuro não nos faz. Nós é que nos refazemos na luta para fazê-lo”.

 

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