Editoria-Geral do Facetubes
Um dos festivais que ajudaram a redefinir a circulação da música independente brasileira está oficialmente de volta. O Festival Bananada 2026 começa nesta terça-feira, 18 de agosto, em Goiânia, depois de seis anos sem uma edição presencial. Até domingo, 23, mais de cem apresentações ocuparão diferentes espaços da cidade, numa programação que deliberadamente aproxima artistas consagrados de nomes emergentes e recoloca Goiânia no centro da discussão sobre os novos caminhos da música produzida fora dos grandes circuitos comerciais.
O tamanho do retorno ajuda a explicar a repercussão. Estão programados Arnaldo Antunes, Gaby Amarantos, BaianaSystem, Tulipa Ruiz, Tuyo, Don L, Tássia Reis, além de dezenas de artistas das cenas independentes de vários estados. A banda goiana Boogarins prepara um espetáculo dedicado ao Clube da Esquina. Em vez de concentrar toda a programação num único complexo, o Bananada volta a ocupar bares, casas noturnas e centros culturais, chegando no fim de semana à grande Arena instalada no Centro Cultural Oscar Niemeyer.
A abertura desta terça-feira já evidencia a ideia do festival. No Centro Cultural Martim Cererê passam nomes como Bahakä Palmer, Dirty Grills, Zeppelin e o Sopro do Caos, Camarones Orquestra Guitarrística, Black Drawing Chalks, Deb and The Mentals e Hellbenders. É um recorte muito diferente dos festivais construídos quase exclusivamente em torno de artistas de grande audiência. O Bananada aposta na descoberta como parte central da experiência cultural, uma característica que acompanha o evento desde suas origens.
Talvez seja justamente esse o ponto que torna o retorno relevante para além de Goiânia. Em uma indústria musical cada vez mais submetida aos algoritmos e às métricas imediatas das plataformas, festivais independentes continuam funcionando como espaços de risco: lugares onde o público pode encontrar aquilo que ainda não conhecia. O Bananada retorna maior, profissionalmente estruturado e patrocinado, mantendo a mistura entre nomes estabelecidos e novas cenas. O teste de 2026 será descobrir se é possível crescer sem eliminar a inquietação cultural que transformou o festival, ao longo de mais de duas décadas, numa das referências da música independente brasileira.
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