COMO IGNORAR A GENIALIDADE DE MONTELLO?
Prof. e poeta Joizacawpy Costa
Com a noite que se aproximava, o frio trazia até a sala, mais forte, o cheiro altivo da latada de jasmineiros que enramava no oitão da casa, daí a pouco, no silencio circundante, as ondas do mar arfariam mais alto, desmanchando-se na orla da praia. Não tardaria luzir os pirilampos no céu limpo cintilariam as estrelas, com a lua quase cheia. Era hora de acender os candeeiro.
É magnífico trazer para a narrativa um detalhe como esse destacado em negrito, ou seja, o cheiro altivo da latada de jasmineiro” ... colocar na escrita o cheiro algo que não é possível “visualizar” nem “ouvir” nem “tocar” é fantástico! e o resto, ou melhor, o conjunto do trecho destacado é poesia narrativa pura.
Confesso que logo no início da leitura de CAIS DA SACRAÇÃO, encontrei a poética de Josué Montello na prosa de um jeito natural e extraordinário. Surpreendeu-me tal detalhe porque ser um genial construtor no romance, com uma riqueza de detalhes que impressiona e agrada o leitor, já me era sabido, mas encontrar essa poeticidade tão bem fluida e bem costurada nessa mesma prosa genial me deixou sem palavra.
[...] De seu convés salta um cavaleiro no seu cavalo e dá a volta na orla da praia, a reluzir na claridade lívida o ouro e a prata da armadura, para tornar o navio no mesmo galope antes que termine a madrugada.
A poesia que muito me agrada conectada com a prosa dos romances que me faz viajar dentro de um universo de encantamento, esclarecimento, enfim, me faz tomar um banho de cultura, me fez prossegui atenta durante a leitura para fazer os grifos necessários quando encontrasse essa poética dentro da prosa. Construir literatura de forma a juntar elementos que só enriquecem o conjunto da obra é para os excelentes. Tanto é verdade que essa poética surgiu ao longo da prosa, que encontrei o registro comprobatório.
Tão grande foi a impressão que me deixou esse relato que não tardei em transforma-lo para o papel, na toada da redondilha maior, [...]
“Os barqueiros que o avistam,
Navegando em alto mar
Ou correndo pela praia
Seu corcel a cavalgar,
Sabem que a chama da vida
De um deles vai se apagar. [...]
Nem preciso mais gastar meus argumentos para dizer e mostrar essa conexão poesia e prosa em Josué Montello que é sem dúvida um dos maiores escritores da literatura maranhense e brasileira. Portanto isso implica dizer que quem quiser banhar-se nas águas edificantes da literatura com certeza deve lançar de mão da obra de Montello, mas logo aviso seu acervo é vasto, mas vale começar com calma.
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