PARTE I
Nota do editor: MAGELA PRECISAVA VOAR. Uma homenagem a Geraldo Magela, poeta contemporâneo de Leminski, nas líricas paranaenses. Eu não acredito na Morte, enquanto chama e plasma, enquanto Luz Eterna. Não acredito na Morte quando um anjo se deixa adormecer na imensidão de seus atos lógicos e quânticos, recebendo dos Céus a grande oportunidade de voltar à origem. Para os Anjos, como Geraldo Magela, a Morte é mera passagem. Sócrates ensinava naquela época: "(...) a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para outro". Como digo: Magela voltou a sentar numa grande mesa da Plêiade dos Bons. É duro acreditar. Mas a morte, renova a Vida. Transmuda a Vida. Faz crescer. Emudece o diálogo. Nunca a voz. Encontraremos Magela em cada tijolo que compõe a fachada da Feira do Poeta". (Mhario Lincoln).
Na verdade, precisávamos ampliar as homenagens a essa pessoa incólume. A esse anjo que falo em meu texto acima. Por isso, pedi a poeta e escritora Joema Carvalho que organizasse vários textos, nesta semana de homenagens a Geraldo Magela (que nunca morrerá, na verdade). Abaixo, a primeira parte dessas homenagens. Antes, grato Joema.
AO GERALDO MAGELA
"A grande lição que o Magela nos deixa é ser estrela no lugar certo. Ele prova que é uma, de muita grandeza. Na grandeza do que fazia, um amigo, alguém que fez um elo de parentesco com todos a sua volta. Merece nossa homenagem..." Joema Carvalho (organizadora e membro-patronal da Academia Poética Brasileira).
“Poesia é a coisa mais livre que existe”
“O homem só será homem quando acessar a sua essência. Poesia é essência”
Geraldo Magela
MARCIO: Até 2020, nossos encontros eram no centro, por acaso, em filas de pontos de ônibus. Conversávamos principalmente sobre a obra do Machado de Assis e a do Dalton Trevisan, interlocutor do poeta. No momento em que deveríamos entrar em um ônibus, saíamos da fila, ambos pedestres, e cada um seguia o seu percurso. Comigo, ele falava sobre como o Machado de Assis tratou o racismo, especialmente no conto "Pai contra mãe" e nas linhas e entrelinhas de "Memórias póstumas de Brás Cubas". Veio a pandemia, não nos encontramos mais e neste 29 de março ele seguiu, de repente dentro de algum ônibus, para uma outra estação. (Marcio Renato dos Santos).
ROSA: Magela conseguiu reunir poetas em sua homenagem para viajar pra casa eternamente com elegância e simplicidade assim como ele foi. Na homenagem rolou poesias... lágrimas, risos, sorrisos, lembranças bonitas, história de vida de sonhos realizados.... A alma humana ninguém consegue ver com olhos carnais. Mas na face de cada poeta havia perguntas sem respostas...
Magela tocou corações com abraços e na sua passagem ele uniu os poetas no seu último sarau em pleno aniversário da cidade que o acolheu. Uma coisa eu aprendi com a minha saudosa mãe na morte não temos inimigos.
Geraldo impulsionou o perdão em corações ontem de uma forma alegre e bonita. E ele segue em paz com a sua missão cumprida com excelência. (Rosa Leme).
PEDRO: Conheci o Mestre e Sábio Geraldo Magela, apenas numa tarde, noite e princípio de uma madrugada. Conversamos muito foi meteórico o contato e rápido convívio, porém me certifiquei que estive frente a frente conversando com um Ser Humano ÍMPAR de intensa luz e de coração impossível de dimensionar sua grandeza e pra além dessas características notórias um Homem de notório saber que em sua essência Deus o dotou de múltiplos talentos. Meu abraço de solidariedade e pesar aos Familiares, Amigos, Confrades e Confreiras de Geraldo Magela Cardoso que viverá eternamente em nossos corações. (Pedro Sampaio).
ALCINA: Estou sem saber o que dizer. Perdemos mais um irmão amigo e poeta: GERALDO MAGELA CARDOSO. A vida é um mistério. Ele se foi para viver em um lugar mais sutil, mas nos deixou com muita tristeza e saudades. Seus versos aqui ficarão para sempre. Qdo ele falava da morte, brincava. E é assim que eu quero lembrar dele, sempre brincando. Descanse nosso querido poeta e, aí vc já deve ter a sua mesinha com a sua caneta para versejar. Desejo conforto e aceitação aos familiares. Até um dia Geraldo! Até o nosso reencontro! (Alcina Maria Silva Azevedo).
Histórias que imortalizam MAGELA
O vinil do Blindagem tá na agulha. As vozes que vêm da estante em um alarido que vai aumentando, falam alto. Algumas felizes, outras perplexas. O polaco bigodudo é quem recebe o mineiro mais curitibano de todos os tempos.
- Porra, piá, falei que era pra você aguentar mais um pouco, caralho.
Magela, um tanto tímido e sem querer contrariar o mestre, sorri:
- Pelo jeito não deu, bicho. Tive que vir. É a vida.
Com um copo vazio na mão, o polaco bigodudo pede pro Wilson trazer mais uma garrafa de vodka.
- Não bebo mais, Paulo, você sabe disso.
- Eu sei, porra, mas trazer a garrafa você pode, oras. Temos que beber o Magela.
- Beber o Magela? Mas não era pra ele chegar só mais tarde?
- Era, mas o sacana é teimoso…
Lá de um canto começa uma cantoria. Ivo com violão a tiracolo, começa os versos iniciais de Gaivota: "sou gaivota por sobre o mar./Meu voo é a volta de qualquer lugar”...
O polaco para por alguns segundos e dispara:
- Foi do caralho quando fizemos essa, hein, Ivo.
Lá do palquinho improvisado Ivo faz que sim com a cabeça.
- Só não vamos acordar o turco ainda, senão ele fica mal-humorado pra caralho - brincou o polaco.
Wilson enche o copo de todos, menos o dele, que completa com café. Alguém saca um baseado na
roda e brindam à chegada do mineirinho das araucárias.
- O 329º aniversário de Curita vai ser triste pra eles, mas pra gente vai ser do caralho.
O polaco ergue seu copo e todos acompanham.
- Seja bem-vindo, Geraldinho.
Daniel Osiecki
(https://novatavolaredonda.blogspot.com/2022/03/o-magela-saiu-no-galeto.html?m=1)
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Dedicado ao guardião dos versos e meu querido amigo Geraldo Magela Cardoso Magela. SHIRLEY: Como um guardião das letras, das escritas, dos poemas.
Em meio a tanto caos,você permanece vigilante.
As vezes o coração acelera e,fica ofegante.
Mas ,do alto do teu observatório, você descreve o tempo a passar.
Ora de extremo negrume,cheio de névoas a bailar nas madrugadas daquelas calçadas.
Calçadas dantes tanto transitadas.
E hoje em extrema solidão.
Quem sabe veja vultos a perambular,
na esperança de ouvir um breve cutucar.
Sim... um cutucar de poesias no Cutucando a inspiração.
Ou, mesmo se escute a bailar na negritude da noite,um trocadilho de versos no ar.
Por enquanto o silêncio paira como a fazer reverências àqueles que se foram.
Da tua torre observa e, escuta uns versos pra tristeza abafar.
Tranquilos estamos pois ,permaneces a cuidar dos versos soltos no ar.
Nosso guardião dos versos,das estrofes, dos poemas que ainda estão por nascer!
Para que num futuro próximo venham a ser declamados em uma noite especial.
Num Cutucando a Inspiração,homenageando a vida que renasce..
Quem sabe !
Shirley Pinheiro 18/03/2021.
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