Letícia Mariana
Estou em chamas dentro de mim. Neste fogo interno, consigo refletir sobre algo que me é útil: o nada!
Eu amo ler e escrever! O nada que eu sei pode ajudar o nada de alguém, assim como o nada de muita gente me é útil. Será que fui clara em minha complexidade?
Eu choro agora. Oras, mas por que choro agora? Não consigo compreender os fatos sádicos do querer! Escrevo o que gostaria de ser, dito tudo que sou. Se os anjos falassem comigo, bem, talvez eu escutasse que sou metade escuridão. Penso no nada que me restou, e provavelmente ele é o tudo de alguém.
As canetas não me olham, pois objetos não possuem o desejo ou o poder de olhar. Entretanto, sinto que todos conversam comigo numa realidade paralela. Seria loucura? A insanidade me é sã. O meu nada é são. E todos aqueles são a sanidade do que fui. Certa vez – num poema – eu disse que já fui burra e gênio, mulher e homem, o nada que consome. Será que fui capaz de compreender o que escrevi? Não sei ao certo. Escrevo para o mundo, não apenas para mim. Sou de quem lê, não somente de mim.
Sendo assim, posso me compreender no devaneio do chão. A ruína do não saber o que se é, acho que isso é o meu nada.
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