ENTREVISTA COM ITAÉRCIO ROCHA
ITAÉRCIO ROCHA
Itaércio Rocha, um artista autêntico, cujo trabalho é respeitado no Brasil inteiro. Hoje, Luciah Lopez, da Academia Poética Brasileiro e articulistas do Facetubes mostra alguns dos expressivos trabalho desse artista que nasceu no Maranhão e o Brasil tomou conta dele. Como ele mesmo diz: "Caboclo somos todos nós, este gene que invadiu o sangue das gentes desde o princípio; é memória cultural que nos faz desejosos das farinhas de mandioca, mate e açaí; nossa infinita disponibilidade para a fé, a festa". Formação básica: Especialização: Estudos Contemporâneos em Dança – UFBA e FAV (2009), graduado em Educação Artística com habilitação em artes cênicas pela FAP – Faculdades de Artes do Paraná (2000).
LUCIAH LOPEZ
Dentre outras atividades, Luciah Lopez é poeta, escritora e artista plástica paranaense. Natural de ParanavaÍ -PR. Premiada na categoria Poesia no 1º Prêmio Cataratas - Brasil/Paraguai e Argentina. Participou de várias antologias, entre elas Antologia da Casa da Poesia, Antologia Conexão Feira do Poeta e Parnaso Poético. Lançou seu livro solo "ENTRE VERSOS - toda palavra branca é nua". É imortal da Academia Poética Brasileira, ocupando a cadeira nº 10.
A ENTREVISTA
LUCIAH LOPEZ– Quem é Itaércio Rocha?
ITAÉRCIO ROCHA – Eu sou um artista brasileiro, nascido em Pedras – Humberto de Campos no Maranhão, e estamos ai, no mundo, para trabalhar, para criar, para viver e deixar viver.
LL- Qual a sua maior conquista?
IR – Talvez não tenha pensado muito sobre conquista, acho que estamos vivos, estamos com alegrias e conquistando coisas sempre e a as conquistas maiores serão sempre as próximas.
LL- Quais as suas expectativas para 2022?
IR- Uma das coisas que aconteceram nesses últimos dois anos e que a gente não tem muito como pensar em expectativas. Expectativa para 2022 é a gente continuar trabalhando, continuar criando, poder continuar convivendo com nossos amores, nossos desejos e nossas tristezas também; e que a gente consiga enfrentá-las.
LL- Desde quando surgiu a sua paixão pela música?
IR- A música é uma coisa que está presente na minha vida o tempo inteiro, sempre esteve porque o meu pai e os irmãos dele eram músicos, a família do meu pai era músico e a minha mãe gostava de cantar. Então eu tenho essa relação com a música desde de sempre, mas a partir dos 17 anos e do contato com o Laborarte no Maranhão, Laboratório de Expressões Artisticas, essas questões todas começaram a se aprofundar e ao chegar em Curitiba, na verdade Rio e Maringá e em Curitiba em 96, a coisa se aprofundou e eu entrei para o Conservatório de MPB na capital paranaense e logo em seguida ingressei no Grupo Mandicuera onde a gente começou uma produção mais efetiva de música. Eu comecei uma produção mais efetiva de música. Poderia contar isso como um marco - o Grupo Mandicuera ou a minha chegada à Curitiba.
LL- O que fez um maranhense deixar sua terra natal e fixar residência no sul do país?
IR- Eu costumo dizer que sair Maranhão e ir para o mundo são coisas do desejo do conhecer, são coisa do desejo de experimentar novidades de assumir seu papel no mundo e se saber do mundo: uma questão de ser andarilho. Porém, também movido por paixões de estudar e de conhecer.
LL- Fale um pouco da sua relação com o carnaval de Curitiba.
IR- A minha relação com carnaval de Curitiba é uma relação profunda porque eu chegando lá, senti a necessidade juntar as pessoas para gente experimentar aquecer o carnaval. Se preparar para o carnaval e a partir dai, comecei uma campanha para juntar pessoas. Isso resultou na criação do bloco pré-carnavalesco de grande sucesso Garibaldis e Sacis. A partir dele surgiram tantos outros pequenos blocos e agora, também, grandes blocos experimentando isso tudo. Porque o Garibaldis e Sacis não é só carnaval, ele tem uma vertente de São João, tem uma Festa da Primavera, experimentam-se novas vertentes, criam-se marchinhas, canções e danças. E é isso uma experiência de grande sucesso.
LL- Qual o grande divisor de águas na sua vida?
IR- Eu colocaria alguns divisores, na verdade, eu acho que o primeiro grande divisor de agua é o grupo Laborarte – Laboratorio de Expressões Artísticas e depois o Mondaréu. Esses dois movimentos são divisores de água. O Laborarte em 1977 e o Grupo Mandicuera em 1997.
LL- No contexto social brasileiro como está inserida a sua música, a sua arte?
IR- No atual contexto brasileiro acho que a minha música é uma música de resistência com certeza, porque ela está na verdade, toda ela, assim como toda a minha obra, sempre esteve, ancorada nas culturas populares brasileiras nas manifestações, seus ritmos, suas dança, suas brincadeiras e por conta disso, ela tem essa coisa de colonial, essa coisa de trazer para a luz, trazer pra perto de outras pessoa, essas características, essas manifestações. Isto é, falar de um Brasil que a televisão não fala, que o rádio não fala. Acho que dentro desse contexto, é isso!
LL- A música NO TEMPO faz parte da trilha sonora do vídeo "Eita Nordestino Costurado na Raiz", uma belíssima homenagem aos 50 anos de jornalismo de Mhario Lincoln. Essa música tem uma história, conta ai? Sendo essa a nossa última pergunta, deixe uma mensagem para os nossos amigos, nossos leitores.
IR- Pra começar ficamos muito honrados, eu fiquei muito honrado de participar dessa homenagem ao Mhario Lincoln e sua história, sua carreira. E principalmente nessa música que fala do tempo principalmente no tempo do brincar e a brincadeira quando você canta uma canção tradicional, quando você brinca um Bumba Boi, quando você brinca um Cacuriá, brinca um Fandango, você está sempre trazendo para o presente essas lembranças das nossas raízes, das memórias dos mais antigos, dessas coisa que representam uma comunidade. Das coisas que criam essas ligações de afeto na vida da gente. Extamente como a canção fala: o passado é um presente para o futuro. E que esse passado, nesse presente, faz brilhar e ilumina o que esta por vir e faz com que a gente deseje um futuro e que esse futuro seja iluminado e seja alegre e feliz. Que a brincadeira seja esse exercício da alegria, esse exercício da esperança em dias melhores, e que a gente consiga caminha junto com nossos antepassados, com nossas ancestralidades, com as nossas culturas, com as nossas lembranças, com aquilo que define a comunidade, aquilo que caracteriza a gente dentro daquela relação, principalmente, dentro do afeto. Essa canção foi gravada pela família Mantiquera, pela Malu, a Luma e o pai, o Aurélio Domingues, que é um grande amigo nosso, coordenador da Associação Mantiquera. Ele é um grande mestre moderno do Fandango, Boi de Mamão, no estado do Paraná e das festas do Divino Espirito Santo. Uma família de grandes artistas. Muito honrado e eu acho que é isso que a gente tem que desejar: continuar podendo exercitar a alegria para poder ter esperanças por dias melhores.
*Imagem: Montagem de MHL em cima de imagem: "Sossego". Aquarela sobre papel Canson. (Luciah Lopez).
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