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Textos escolhidos: "Singularidades do Espaço Urbano em São Luís: topomínia, memória e ressignificação"

Prof. Dino Cavalcante é convidado da Academia Poética Brasileira.

26/04/2022 às 12h33 Atualizada em 27/04/2022 às 18h18
Por: Mhario Lincoln Fonte: Dino Cavalcante
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capa.
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(Na foto, o autor do texto, professor Dino Cavancante as professoras Teresinha Baldez (autora de um dos capítulos), com as organizadoras do livro, Márcia Manir e Zulimar Márita).  

Por Dino Cavalcante

A cidade de São Luís do Maranhão, desde a sua fundação oficial, pelos franceses, em 1612, e desde o início de sua formação, pelos portugueses, em 1616, apresenta muitas singularidades, seja no seu espaço urbano, como os largos, os sobrados, fontes, ruas, becos, seja no seu aspecto social, com suas histórias, sua literatura, seus encantos, suas lendas, seus mitos, etc.

Tão pródiga em todos esses aspectos, a cidade tem sido objeto de estudo em várias áreas, como a geografia, a arquitetura, a história, a sociologia e, claro, os estudos literários, uma vez que tem sido o cenário singular para a construção dos mais variados textos literários.

E foi justamente para analisar, discutir e refletir sobre as mais diversas formas de representação da cidade de Josué Montello que as professoras Márcia Manir Miguel Feitosa e Zulimar Márita Ribeiro Rodrigues, da Universidade Federal do Maranhão, organizaram o livro Singularidades do Espaço Urbano em São Luís: Toponímia, Memória, Ressignificação, com artigos de pesquisadores de múltiplas áreas do conhecimento, mas com uma singularidade: todos tomam São Luís como objeto de análise, além de serem quase todos frutos de dissertações de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, da UFMA.

O capítulo que abre o livro trata de uma grande singularidade de nossa terra: as suas fontes. Antônio Cordeiro Feitosa faz um levantamento de todas as fontes de São Luís e as analisa de uma forma cuidadosa, com seu olhar de geógrafo. Ao fechar a leitura do seu texto, somos movidos pelo desejo de ir a esses locais com o intuito de observá-las e registrá-las.

Teresinha de Jesus Baldez e Silva, professora aposentada do Departamento de Letras, se debruça sobre alguns dos nossos lugares da memória, como os largos, as praças e os becos, com destaque para os largos dos Amores e do Carmo. Com imagens vivas, seu texto é um convite para o leitor caminhar na rica história da cidade.

A partir de uma visão sociocultural, pelo viés da literatura e da história, Flaviano Meneses da Costa analisa o Largo do Carmo, considerado pelo historiador Mário Meirelles como o coração de São Luís – pelo menos até meados dos anos 60. Detém-se na historiografia da Igreja, com suas escadarias, seu valor histórico, a praça João Lisboa, o sobrado da Pacotilha, etc.

O artigo do pesquisador Frederico Lago Burnett discute um dos problemas mais sérios que a cidade enfrenta: o constante e contínuo abandono da área considerada histórica, em prol da cidade nova, São Francisco, Ponta d’Areia Renascença, Calhau, entre outros bairros considerados da classe média alta.

Professores.

Foto: Professores e pesquisadores presentes no lançamento do livro, no Palacete Gentil Braga, no dia 20 de abril de 2022. 

Aremys Nascimento Santos e Márcia Manir Miguel Feitosa, com seu artigo, levam o leitor a um passeio inusitado: percorrer as sepulturas do Cemitério do Gavião, fundado em 1855, um dos lugares considerados mais sagrados da grande ilha. Além de explorar as artes tumulares, com esculturas e dizeres, as pesquisadoras analisam o sentido cultural dessas representações da morte, como anjos, mãos que suplicam, etc. Trata-se de reviver a memória cultural de parte de nossa história, já que os restos mortais de homens que escreveram páginas sobre nossa cidade repousam nesse lugar, como Aluísio Azevedo.

No texto Da Praia Grande à Madre Deus: estética visual e ressignificação do espaço urbano, Gersino dos Santos Martins e Antônio Cordeiro Feitosa analisam a recuperação de uma parte significativa do Centro Histórico da capital maranhense, iniciada nos anos 80 do século XX, denominada de Projeto Reviver. O texto, inscrito há quase 10 anos, infelizmente precisava de uma reformulação para empreender as reformas tanto da praça do Convento das Mercês como a do Anel Viário.

Os chafarizes de São Luís, no Século XX, são o tema do capítulo de Luiz Antonio Pinheiro e Antônio Cordeiro Feitosa. O texto faz uma análise histórico-social de um dos monumentos mais simbólicos da velha cidade. Com imagens, o texto nos faz passear por um momento de nossa história em que a água, mesmo com tantas fontes e rios, era muito difícil em alguns lugares da cidade. O texto traz à tona a constante reclamação dos usuários sobre a qualidade do líquido que saía dos chafarizes, além da presença de uma das “donas” do sistema de distribuição de água na cidade: Ana Jansen.

O texto de Ariana Kelly Martins Costa e Antônio Cordeiro Feitosa analisa um dos mais fortes contrastes de São Luís: dois bairros tão próximos fisicamente e tão distantes na questão social. Trata-se da Ilhinha, bairro formado por moradores que migraram para São Luís em meados dos anos 70 do século XX, oriundos de vários lugares, entre eles, o Cujupe, em Alcântara, e a Península da Ponta d’Areia, bairro com o metro quadrado mais caro do Maranhão, mais caro até que bairros da elite carioca, como o Leblon.

A antiga praça da Camboa, denominada pelos moradores de Praça do Jumento, foi o tema do texto assinado pelos autores Zulimar Márita Ribeiro Rodrigues, José Aquino Júnior e Larissa Rodrigues Marques. Há uma análise de um espaço, antes ocupado por carroças e por animais de carga, transformado em espaço público para atividades físicas dos moradores da região.

Em “Requalificação da costa norte da cidade de São Luís: o Mirante da Litorânea”, de autoria dos pesquisadores Joelson Caco Pereira da Graça e Antônio Cordeiro Feitosa, há uma análise sobre um dos trechos mais visitados da São Luís moderna: a Avenida Litorânea, com o seu mirante, sua área de lazer, etc. Trata-se de um olhar geográfico sobre um espaço de lazer da grande Ilha de Upaon-Açu.

Por fim, o capítulo “A ressignificação do espaço urbano do entorno da Laguna da Jansen no final do século XX e início do XXI”, dos autores Nyedja Rejane Tavares Lima, Suelen Sipriano Milhomem Dantas e Antônio Cordeiro Feitosa, trata das transformações pelas quais passou um importante lugar da cidade: a Laguna da Jansen, ou Lagoa, como é mais conhecida pelos moradores da cidade e pelo poder público.

O livro, embora com capítulos escritos por autores de áreas diferentes, como Geografia, Literatura, Artes, Arquitetura, Ciências Sociais, etc., interrelaciona-se através de três vértices: Toponímia, Memória e Ressignificação. Em todos os textos, há a presença de pelo menos um desses tópicos. Ao final da leitura, temos um olhar mais acurado sobre vários aspectos da cidade de São Luís, tão provinciana, quando se tomam alguns pontos como parâmetro, e tão complexa ao mesmo tempo. Uma cidade de 4 séculos que ainda convive com problemas de uma cidade recém-construída.

O livro Singularidades do Espaço Urbano em São Luís: Toponímia, Memória e Ressignificação deve fazer parte de leituras em várias disciplinas de cursos das áreas de ciências humanas, dada a sua riqueza de informações e análises de aspectos relevantes da nossa cidade.

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