
MEU NOME
Muitos me chamam Maria
estou sempre contente
sou soneto em poesia
a pedido dessa gente
Outros me chamam Socorro
E eu faço, não prometo
na necessidade eu corro
para livrar alguém do espeto
Menezes faz a canção
também compõem o poema
com a boa inspiração
Vou traçando o esquema
nas páginas da imaginação
transparece meu dilema
(Maria do Socorro Menezes)
Ao pensar em Maria do Socorro Menezes me recordo de um texto que escrevi alguns anos:
"A linha tênue entre dois tempos mágicos nos faz refletir... Crianças e idosos tem em comum um sorriso solto, a liberdade, o tempo, a imaginação, o ar... Confundem-se pela inocência, misturam-se pela essência. São partes de nós. Fomos e somos crianças e seremos (se assim Deus permitir) idosos. crianças são inícios... Idosos também. Inícios que se complementam, inícios de novas vidas, novas etapas. Nos proporcionam sabedoria, cada um no seu tempo, ritmo, passo... Aprendemos com eles: com as espertices das crianças, o valor do sorrir do brincar e da mesma forma, os idosos nos mostram a força e sabedoria do viver, do amar... Ensinam sobre as etapas da vida, sobre as histórias colhidas no vento, sem a pressa do caminhar... O tempo ensina a andar com passos diários. A criança brinca de pula, pula com o presente, abraça-o com alegria da alma, o idoso, lembra do passado, revive memórias , transforma-as em sabedoria, vive o agora por e para o amor.
Cecília Meireles nos diz: [...] Já não se morre de velhice/ nem de acidente/ nem de doença / mas, Senhor, só de indiferença.
Não sejamos indiferentes as etapas, cada uma tem seus encantos. A criança se distrai brincando com o tempo e o idoso nos ensina (com a sabedoria de quem tem a companhia do tempo) a verdadeira essência da eternidade.
E é neste amor que Maria nos envolve, amor ágape, amor humano da simplicidade, amor que nos invade e emociona, seu abraço é ninho, seu riso é poesia, sua voz nos acalma, acolhe e sem perceber, Maria abre seus braços e nos transforma em uma só família e assim como Cora Coralina, que nos diz:
“ Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida”.
Maria do Socorro, é nosso socorro!!! A voz da mulher que ecoa, se empodera em verdade, e nos faz enxergar esperança contida na poesia viva, humana, que nos salva dia a dia.
Maria do Socorro Menezes nasceu no município de Lavras da Mangabeira Estado do Ceará em 3 de dezembro de 1940, em 1961 mudou-se para Pedreiras-MA. É mãe, avó e recentemente bisavó, poeta da sensibilidade que no auge de seus 81 anos nos certifica que a poesia é atemporal , que respira vida, existências. Poesia humana, de observações, nos seus versos os sentimentos foram costurados a partir de retalhos da sua própria vida. E a realidade de Maria serve de exemplo para muitas Marias, que ainda percorrem a invisibilidade, o silenciamento e precisam encontrar a auto estima perdida pelo caminho percorrido.
“Que possamos enxergar poesia nas rugas
nos passos lentos
nas mãos que mesmo cansadas
acariciam os versos contidos
nas memórias.
(Sharlene Serra)
E sobre o enxergar, nosso Samuel Barreto (in memoriam) encontrou e se encantou com os lirismo de Maria...
[...] Arte na sua capa / uma arte de universo / desenho que nada escapa / na melodia do verso / com a palavra Liberdade / imagens para seu crivo / costurando felicidade / Maria também é livro.
Na época, locutor da rádio cidade recebia cartas enviadas por Maria e a fez acreditar na sua própria poesia. Samuel garimpador de talentos, nos presenteou com o seu sonho e o sonho de Maria passou a ser de todos nós...
CONTINUAÇÃO POÉTICA
A Poesia
é essa coisa gostosa
que coloca em harmonia
o espinho
com a rosa
A mão que acaricia
palavra consola
mágoa
feito em pérola
a gota d'água
assim é a poesia
A poesia é tudo
vida viver e amar
é sangue nossa veia
barco encostado na areia
que quer conhecer o mar. (Maria do Socorro Menezes)
[...]As mãos da rendeira / as mãos da parteira / de versos bordados / costura completa / nas mãos da poeta / de versos sagrados[...]. Samuel Barreto.
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Maria do Socorro Menezes, é membro e patronesse universal da Academia Poética Brasileira, tem dois livros publicados Retalhos de Maria e recentemente lançou o Relicário de Maria, onde a Academia Pedreirense de Letras juntamente com a Academia Poética Brasileira, uniram-se para homenagea-la. O projeto: O sonho de Maria continua através da escritora e poeta Ana Neres Pessoa e o Jornalista Joaquim Cantanhede.
(Instagram Oficial @mariadosocorromenezesoficial).
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