Mulheres no poder
Reportagem completa está na Edição no 308, de setembro de 2018, da revista www.mentecerebro.com.br
A conquista feminina de postos de liderança é uma realidade. Mas como se comportam aquelas que chegam ao topo? Há indícios de que tendem a privilegiar a colaboração, enquanto os homens costumam favorecer a hierarquia. Será mesmo? Cientistas constatam que a competência feminina costuma ameaçar mais que a masculina.
A presença feminina em postos-chave tem se tornado cada vez mais comum – uma realidade impensável há pouco mais de duas décadas – e parece irreversível. Nunca tantas mulheres ocuparam cargos de chefia – tanto no setor público quanto no privado. Na população em geral, essa situação aparece nos resultados das pesquisas: dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de famílias chefiadas por mulheres dobrou em termos absolutos (105%), aumentando de 14,1 milhões em 2001 para 28,9 milhões em 2015. Em termos percentuais, o total de famílias chefiadas por homens diminuiu de 72,6% para 59,5% no mesmo período, enquanto o de famílias lideradas por mulheres subiu de 27,4% para 40,5%. A conquista de visibilidade e espaço e o aumento de responsabilidades fora de casa ainda são relativamente recentes e as injustiças, frequentes. Não raro, independentemente do próprio gênero, as pessoas ainda associam o poder a um rosto masculino. Até há poucos anos era difícil encontrar uma mulher que pudesse representar um modelo de liderança. Porém, agora que a situação está começando a mudar, pesquisadores buscam compreender como as mulheres se comportam quando chegam ao poder. Não raro, mulheres em posição de liderança encontram dificuldade de serem consideradas competentes e ao mesmo tempo admiradas. É o que revelam pesquisas – reunidas sob o título Double-bind – realizadas pela empresa americana Catalyst, com a contribuição da IBM. Foram entrevistadas mais de 1.200 executivas na Europa e nos Estados Unidos. Os dados indicam um dilema estressante para elas: se assumem comportamentos considerados femininos (mostrando-se sensíveis e empáticas, por exemplo), são consideradas “fracas” e menos competentes; se adotam um estilo de liderança masculina (com atitude fria e impositiva), são criticadas por sua dureza, de forma muito mais incisiva do que um homem seria se tivesse o mesmo comportamento. Historicamente, as primeiras executivas costumavam apoiar-se na cultura masculina dominante, eliminando a própria identidade. Essa situação tem mudado, mas parece que ainda é preciso aprender a não dar importância aos julgamentos, aos comentários sobre a aparência e à falta de popularidade.
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