Evolução da Rua das Hortas.
Foto da Rua das Hortas, em 1918, pavimentada com paralelepípedos e o trilho do bonde. (- http://kamaleao.com/).
A evolução de uma rua pode ocorrer em função de fatores que determinem sua feição como: extensão, largura, número de quadras existentes, características de uso, número dos imóveis, iluminação, tipo de pavimento da via, drenagem de águas pluviais, sistema de abastecimento de água, sistema de escoamento de efluentes sanitários, coleta de resíduos sólidos e sobretudo a relação interpessoal de quem nela mora. A exemplo da Rua das Hortas onde habitam e/ou trabalham pessoas com a esperança de vivenciar as ações proativas de melhorias.
Nessa perspectiva de evolução de uma rua surge o Porto de Santo Antônio ou do Genipapeiro, rampa construída com pedras portuguesas de cantaria ou de lioz, na antiga Praia de Santo Antônio, à margem do braço do Rio Anil, para integração do Vinhais Velho, o bairro mais antigo de São Luís-Maranhão, com a Rua do Genipapeiro, esta contendo 2 quadras a partir do Porto, no Século XIX, até o limite com a atual Rua Barão de Itapary. Esse trecho era um traçado de terra com terrenos místicos e contínuos, por fazerem referência a lendas que eram narradas nessa época, em geral, através de fatos ocorridos no Porto de Santo Antônio, que tinha como uma de suas finalidades fazer o translado dos habitantes do Vinhais Velho ao centro da cidade e transportar através do braço do Rio Anil moradores do Genipapeiro e arredores para passear ou passar temporadas em sítios na área do Bairro do Vinhais Velho, este hoje vizinho do Bairro Recanto dos Vinhais. O trecho da via a partir do Porto de Santo Antônio ficou com a denominação de Rua do Genipapeiro até 1980, Século XX. Após as 2 quadras que delimitavam essa Rua, logo depois da Rua da Independência ou do Retiro, atual Barão de Itapary, se descortinava a Rua das Hortas.
A expansão do trecho após as quadras da Rua do Genipapeiro, a partir da então Rua do Retiro, denominado Rua das Hortas de acordo com informações extraídas do periódico Almanak do Povo (MA), datado de 1868 continha “5 quarteirões, 200 braças ou 440m de comprimento e 64 casas que pagavam imposto predial”.
Conforme pesquisa efetivada em 2021, se identificou que na Rua das Hortas existem 8 (oito) quadras abrangendo tanto as casas de números pares quanto às de número ímpares inclusive as laterais de casas de ruas perpendiculares num total de 104 imóveis com diversificados destinos de uso, tais como: residenciais, comerciais, de ensino, com 2 condomínios de apartamentos cada um com 3 andares, um particular e outro requalificado em 2022, através do Programa Nosso Centro do Governo do Estado do Maranhão, para moradia com 13 unidades habitacionais. Esse panorama identifica a mudança de uso predominante residencial para também comercial.
A Rua das Hortas teve seu nome alterado por duas vezes uma quando passou a ser denominada Rua Brigadeiro Falcão, de acordo com Resolução Municipal de 25.08.1865, em homenagem ao Brigadeiro Feliciano Antônio Falcão (1810-1855), natural de São Luís-Maranhão, filho de militar tendo sido o primeiro Comandante da Polícia Militar do Maranhão (PMMA). A outra denominação para a Rua das Hortas foi Rua Siqueira Campos em homenagem ao militar brasileiro Antônio Siqueira Campos (1898-1930), um dos participantes da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, em julho de 1922.
Em 1867 a Rua Brigadeiro Falcão possuía como meio de transporte carros de boi com tráfego intenso e a rua não era calçada, de acordo com o periódico O Publicador Maranhense de 1867. Em meados de 1870 até o início do Século XX, em 1906, havia um trilho na Rua das Hortas, conforme relato do periódico O Apreciável de 1876. Acredita-se que esse trilho pode ter servido para deslocamento de bonde com tração animal ou de vagões com cargas.
Em 1880 a Rua das Hortas não era pavimentada, conforme crônica do periódico A Flecha de 1880, a pavimentação com pedra de paralelepípedo só foi executada em 1890 por solicitação da Secretaria de Intendência Municipal de acordo com o periódico A República de 1890. Em torno de 1975 a Rua das Hortas teve seu pavimento revestido com asfalto o que pode ter elevado a temperatura das residências, que em geral possuem suas fachadas principais localizadas lindeiras às calçadas conforme mostram as fotos 1 e 2 que identificam o trecho da Rua das Hortas entre a Rua da Tapada ou Coelho Neto e a Rua Viana Vaz.
Foto original do texto/Prédio “A Exposição 1909-1917”.
A Rua das Hortas assim como outras ruas em São Luís podem ser identificadas como ruas-museu, algumas estão inseridas em bairros-museu como, por exemplo o Bairro do Desterro, local ocupado desde 1619 pelos primeiros açorianos portugueses que aportaram na cidade. Nesse bairro estão inseridas as Ruas da Palma, da Cascata, a do Precipício, Maranhão Sobrinho ou Beco da Caela e os Becos Feliz e o da Lapa. Essas citadas ruas e becos, entre outras localizadas no Centro Histórico ou em sua circunvizinhança merecem ter suas histórias divulgadas, pois como, evidenciado por visitantes: - “ainda há em São Luís algumas ruas que são museus vivos”
Desta forma proponho a implantação de um Museu das Ruas de São Luís, que estimule a reflexão histórica da Cidade dos Azulejo. Possui São Luís um local promissor para esse Museu, que é o prédio “A Exposição 1909 -1917”, que já se constituiu o primeiro Museu de São Luís, o qual está localizado na Rua Grande, entre o Largo do Carmo e a Rua Godofredo Viana. Essa localização facilita a visitação dos turistas e dos moradores da cidade que transitam frequentemente nessa artéria comercial.
(Aguardem a parte III).
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A AUTORA
A autora é pesquisadora e escritora maranhense.
Nota do Editor: o Facetubes, plataforma nacional de literatura, arte e música, honrado com a continuidade deste belo trabalho da escritora Judith Bogéa Bittencourt em suas páginas. E mais especial ainda é o resgate de uma história magnífica da Rua das Hortas, importante artéria da cidade de São Luís, onde ilustres nomes maranhenses residiram. Só agradecimentos sinceros ao aceite dessa digna colaboradora. esta é a segunda parte desta publicação. Mais uma vez, bem-vinda.
Para ler o capítulo anterior, basta clicar no link a seguir: https://www.facetubes.com.br/noticia/3343/primeiro-capitulo-do-livro-da-escritora-judith-bogea-bittencourt-ressalta-a-historia-da-rua-das-hortas-em-sao-luis-ma
Boa leitura.
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