NO SEMBLANTE DO COTIDIANO - risos de marés e lágrimas de um sol-posto, de Wanda Cunha
POR: LUCIANA NOJOSA DA CUNHA
"Se de lágrimas e risos faz-se o cotidiano, que venham muitas outras marés e muitos outros pores de sol".
"O povo recebe os discursos dos heróis e vilões, sem saber discerni-los. Conhece os sofistas sem nunca ter ido a Atenas, razão pela qual nunca vai poder desenvolver o método dialético de Platão. Também fizeram-no prisioneiro de uma caverna escura como as urnas, projetadas de votos que são, na verdade, sombras do real e que lhe parecem a verdadeira realidade, sem nunca ter sido..."
Recebi o livro no finalzinho de maio, e certa de lê-lo prontamente, fiz planos com minha rede da varanda e a brisa das tarde de verão do mês de junho.
Mas tudo tem seu tempo apropriado, como diz o pregador do Eclesiastes, o nosso tempo chegou.
De caminho a São Luís, no último domingo, botei o livro na bolsa e enquanto a viagem transcorria, eu viajava no semblante de um cotidiano cheio de risos de marés e de lágrimas de muitos em vários sóis-postos.
As crônicas de "No semblante do cotidiano - risos de marés e lágrimas de um sol-posto", na verdade me levaram a várias viagens.
Com uma linguagem clara, descomplicada e rica das impressões de mundo da autora Wanda Cunha, o livro é o que posso chamar de realidade social ao som de várias vozes, que nos levam a períodos da história do nosso país, e nos trazem para a realidade dos dias atuais nas situações mais corriqueiras.
Eu viajei nas crônicas e fui "personagem observadora" em muitas delas.
Ouvi a voz da brasileira não conformada com a corrupção, com a fome, com a desigualdade, com a perda dos direitos de quem é de direito, e essa é a voz da justiça social, tão latente na obra da autora.
Também, ouvi a voz da filha, mãe, esposa e mulher, com suas dores, saudades, lembranças de muitos sóis vividos em marés altas e baixas.
Ouvi a voz do próximo, do semelhante, na busca de uma manifestação mais humana do ser gente, como um sinal de alerta diante de um mundo doente.
E a minha própria voz. Ora de risos (e foram muitos durante a leitura), ora de reflexão, diante de temas tão cotidianos, porém vitais, e que às vezes passam despercebidos.
"No semblante do cotidiano, risos de marés e lágrimas de um sol-posto", me conquistou! E mesmo sendo sobrinha, suspeita em escrever esta breve resenha, digo sem falsa modéstia, que prazerosa leitura!
Eu quero mais!
Se de lágrimas e risos faz-se o cotidiano, que venham muitas outras marés e muitos outros pores de sol.
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