Descortino e moradores da Rua das Hortas de 1832 a 2021
(Parte III)
*Na foto, a autora em frente ao Solar do Genipapeiro, antiga propriedade e residência da família Lauande.
Na Rua das Hortas até o início da década de 80, no Século XX, o céu era divinamente estrelado, e se descortinava quase todas as noites, num festival de luzes brilhantes. Este fato ocorria de julho a dezembro quando, sem as chuvas do inverno, então rigoroso, os moradores e transeuntes que passeavam nessa rua, podiam se embevecer com o cintilar das estrelas do Cruzeiro do Sul dentre outras constelações. Estas com suas luzes como pisca-pisca na imaginação das crianças, as faziam sonhar chegando até elas num voo imaginário ou apenas piscavam com elas das janelas dos seus lares. Com a iluminação pública mais intensa as luzes estrelares tiveram seus raios sobrepostos pela iluminação artificial.
Durante o dia, sob o céu azul celeste, o sol ilumina até hoje o vai e vem dos moradores e caminhantes da Rua das Hortas e os que nos séculos passados transitavam a trabalho, passeio ou para encontros de amizade nas Praças Odorico Mendes e Gonçalves Dias.
Sob esse manto estrelar e azul da graça de Deus viviam, desde o início do Século XIX ao início do XXI, os moradores da Rua das Hortas com ocupações diversas a se entrelaçarem em constelação de pessoas, que assim criaram jardins de afetos que o rememoram desde a infância da criança, que nelas mantem a centelha da esperança de reviverem o espaço onde sentiram a vida valer a pena.
Como os moradores da Rua das Hortas, que se encontram no plano espiritual, perceberiam as condições de uso atual dessa rua se nela hoje residissem a exemplo de: Trajano Candido dos Reis e Rubens Damasceno Ferreira, poeta, professores do Liceu Maranhense; Delfim da Silva Guimarães, presidente do Gabinete Português de Leitura; Manoel Pires Moreira, português foi comissário fiscal da Sociedade Humanitária 1º de Dezembro; Celso Tertuliano da Cunha Magalhães, promotor; Mário Martins Meireles, professor universitário, historiador; Joaquim Manuel de Sousa Andrade, mais conhecido por Sousândrade, engenheiro de minas, graduado em Letras em Paris, professor, escritor e poeta maranhense; Maria da Conceição Ferreira, fundadora do Colégio Conceição de Maria e Palmira Correia Moreira Lima, professoras universitárias; Antônio Gualberto Barbosa e Dhulia Costa Marques da Silva professores da Escola Técnica Federal; Maria (Mary) de Castro Ewerton, Zuíla Bertrand, Justina Nava, Maria José (Zezé) Marques da Silva Menezes, Maria do Perpétuo Socorro Sá Valle Serra e Maria Celeste Bogéa de Moraes Rêgo professoras normalistas.
Destacamos também como ex-moradores da citada rua Carlos dos Reis Macieira, Ivaldo Freire Perdigão, Ático Pires Seabra, José Benedito Penha, Geraldo Melo, José Benedito Penha, Egídio Vianna de Carvalho, William Moreira Lima, Ribamar Belfort Coutinho, Gabriel Pereira Cunha e Paulo Figueiredo, médicos; Sarney de Araújo Costa, Raimundo Nonato de Araújo Neto e Lauro Berredo Martins, desembargadores; Augusto Olympio Gomes de Castro magistrado, Flor de Lys Félix e Benito Neiva, jornalistas; Newton Pavão, artista plástico; Waldelino Cécio Soares Dias, poeta; Sergio Brito, Hélio Lisboa de Moraes Rêgo e Herbeth Teixeira, radialistas; Hélio João Martins Costa, Oswaldo Martins Bittencourt, Rosa Nely Bogéa Bittencourt e José Augusto Lopes, odontólogos e Benedito Crispim Pereira, Heider Maranhão, Olivar da Silveira Leite, Francisco Castro, Bichat Silveira Caldas, Olímpio Sousa Guimarães, advogados. Alguns, dentre estes também eram professores universitários.
Não podemos também olvidar as seguintes pessoas: Plácido José Camões, português, foi 2º secretário da Liga Portuguesa de Repatriação, Helvídio Martins, Antônio Chaves e Rachid Ayoub Maluf, eram negociantes; Antônio de Bittencourt e Silva, português, negociante, comerciante, empreendedor foi Diretor da Cooperativa Maranhense de Consumo; Benjamin P. Portelada, português; Stélio Ribeiro Cavalcante empreendedor, sócio da Fábrica Santa Amélia, Cotonifício Cândido Ribeiro Ltda; Camilo Gomes Santos, português, era sócio da Mercearia Brasil; Manoel Farias, português era comerciante; Bernardino Castro da Cunha e José Mário Lauande eram empreendedores; João Raimundo Alves Junior Pereira, Júlio Gonzalez e Bernardino Castro da Cunha eram empresários; Pedro Diniz de Araújo, foi representante comercial; Fernando da Silva Bittencourt, Antônio (Antoninho) de Castro Ribeiro e Zucy Barbosa Marques Memória, contadores; João Pedro de Medeiros Pereira e Alfredo da Silva Fortuna, escrivães; Mario Nunes Pinto, Inácio Braga Netto, Arlino Serra Martins Menezes e Astor da Cruz Serra, bancários; Domingos Freitas Diniz foi Deputado Federal, Jadihel Carvalho e Carlos Augusto Barbosa Marques, engenheiros; Vicente da Rocha Memória e Amélio Smith, agrônomos. Nestablo Mendes Ribeiro e Carlos Brandt, profissionais autônomos; Raimundo João Saldanha, Ney Figueiredo Saldanha, Alice Fortuna Bittencourt, Odette Bittencourt, Justo Marques da Silva, Sylvio Deocleciano Nava, Salomão Damasceno Ferreira, Mary Leite de Araújo Castro e Meraldo Santos Araújo, funcionários públicos e Apolônia Filomena (Sinhá ou Pulu) Fortuna Bittencourt, Terezinha Guará e Carmita Araújo que exerciam suas atividades como exímias doceiras.
Quais ideias seriam trocadas e impressões vislumbrariam os moradores dessa época com as pessoas que nos tempos atuais passeiam, transitam ou já residiram e/ou residem na Rua das Hortas? Como desfolhariam esses moradores suas impressões com alguns dos que continuam entre nós, a exemplo de: Inha da Silva Braga, 98 anos, aposentada do serviço público; Ilza Lopes Lima, 95 anos, comerciante; José Sarney de Araújo Costa, 92 anos, advogado, escritor, foi governador do Maranhão e presidente do Brasil; Maria de Lourdes Lauande Lacroix escritora, Maria de Jesus (Mairy) da Cunha Costa, 87 anos e Lúcia (Lucinha) Ferreira, professoras universitárias; Susana Menezes e Olivar Leite Filho, professores; Joaquim Santos Neto, maestro; Luís Augusto Cassas, poeta; Mhario Lincoln Félix, poeta e jornalista; Augusto (Augusto Tampinha) César Maia Araújo poeta, compositor, escritor e jornalista; Roberto Ricci cantor e violonista; Josias Sobrinho cantor e compositor; José Pires da Fonseca, desembargador, Mônica Soares Brandão dos Santos e Fernando José Aranha Portelada, advogados; Andréa Pires farmacêutica e bioquímica; Delith Caldas Figueiredo, turismóloga, Margareth Ferraz Figueiredo arquiteta; Lucas Bispo e esposa Graciela, administradores na área da saúde; Aristides Bogéa Bittencourt e Elismar Paulo Azevedo da Silva, médicos; Antônio Sá Palmeira e Terezinha Rocha, engenheiros e as artesãs habilidosas em trabalhos manuais Maria do Socorro (Mariazinha) da Silva Caldas e Ana Luiza Braga de Carvalho.
Além dos estilos arquitetônicos antigos remanescentes, que adornam as atuais fachadas das residências na Rua das Hortas, o relevante seria que este trabalho propiciasse a interação entre os moradores que lá viveram e os que hoje residem nessa via em busca de manter suas referências históricas e melhorias de uso com participação dos representantes dos serviços públicos.
Solar do Genipapeiro, antiga propriedade e residência da família Lauande.
Judith Bogéa Bittencourt
São Luís (MA), 25 de janeiro de 2023.
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