Por Renata Barcellos (BarcellArtes)
O presente texto propõe uma breve reflexão sobre a importância da leitura e do uso de mapas nas aulas de Geografia, História e Literatura. São recurso didático de extrema valia tanto para o professor quanto para o aluno a fim de analisar e compreender o espaço geográfico. É importante que o cidadão saiba interpretar os diferentes tipos, porque os usam durante toda a vida seja para se orientar seja para se localizar espacialmente.
Quanto às propostas dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s), elas propõem que todos os estudantes desenvolvam a capacidade de ler e interpretar mapas. A partir do domínio das diferentes formas de representação da realidade, eles devem raciocinar para resolver problemas e posicionarem-se de forma ativa diante das mais diversas questões da sociedade. Quando se há (efetivamente) a alfabetização geográfica, segundo o educador e geógrafo Murilo Vogt Rossi diz haverá “um outro nível de leitura de mapas e gráficos, o que permitirá formar um leitor mais reflexivo e crítico, que vê os problemas, analisa e investiga os caminhos para a solução deles”.
Dentro desta temática, de férias na residência de São Luís, fui ao centro, no domingo, dia 9 de julho, para passear pela parte cultural da cidade. Eis que passamos (eu e Campos Filho, meu esposo), pelo Centro Cultural da Vale. Lindo espaço. Vale a pena conferir!!! Entramos e, para nossa surpresa, uma exposição sobre a cartografia urbana do Maranhão. Uma pesquisa minuciosa realizada pelas pesquisadoras. Parabéns a elas pela iniciativa!
Minicurrículo das entrevistadas:
Rosilan Garrido: artista Visual. Doutora em Arquitetura- FA U Lisboa.
Mestre em Artes- USP. Professora Adjunta de Arquitetura e Urbanismo -
Universidade Estadual do Maranhão. E Grete Pflueger: arquiteta. Doutora em urbanismo. Professora Associada I, do curso de Arquitetura e Urbanismo e Programa de Mestrado em Desenvolvimento Socioespacial e Regional da Universidade Estadual do Maranhão.
A ENTREVISTA
1-Como surgiu a ideia da exposição Cartografia da cidade de São Luís?
R - Grete Pflueger e Rosilan Garrido: A ideia da cartografia da cidade de São Luís surgiu no âmbito de um grande evento internacional FIPA (seminário de patrimônio histórico) reunia colônias portuguesas, realizado na faculdade de Arquitetura, em 2023. Foi organizado por um comitê com a participação de várias entidades e trouxeram uma exposição sobre a cartografia das colônias portuguesas. Convidaram a UEMA para realizar o complemento dela. A partir disso, reuniram-se um grupo de professores (Grete Pflueger, Larissa Machado – aluna bolsista - e Rosilan Garrido).
Fomos desafiadas a organizar a cartografia de São Luís e de Alcântara, reunindo mapas de vários séculos com metodologia cronológica do século XVII até o XX. A catalogação dos mapas já vinha sendo feita no âmbito da universidade juntamente com o Centro de Cultura da Vale com Gabriel Gutier e sua equipe. Podemos montar a exposição da cartografia do Maranhão cujo pensamento cronológico foi uma parceria da professora Grete Pflueger.
A Curadoria priorizou uma seleção de mapas pelo tempo cronológico. Um de cada século do acervo da Biblioteca Nacional, resultantes das teses de Grete Pflueger e Rosilan Garrido. Elas organizaram e a Vale ajudou a disponibilizar o material em exposição. Ela é muito importante proporcionar um passeio pela cartografia urbana de São Luís resgatando os mapas ancestrais, mostrando desde as aldeias indígenas até todo o processo de expansão urbana da cidade de São Luís.
2- Quais foram as maiores dificuldades para a organização do material, uma vez que há mapas históricos? A exposição está com um material primoroso. Outras cidades deveriam se inspirar. É a memória mantida viva da cidade. Parabéns!!!
R - Grete Pflueger e Rosilan Garrido: A as maiores dificuldades foram a coleta inicial já realizada nos arquivos da Biblioteca Nacional do RJ, do Itamarati do RJ, alguns da pesquisa do professor Nestor da USP (mapas inéditos e fontes primárias). Esta exposição deve inspirar outras cidades, porque a cartografia urbana é um instrumento para o planejamento urbano contemporâneo, de entendimento da cidade. Por isso, ela foi tão importante para nós arquitetos e urbanistas da UEMA.
3- Qual a relevância do curso de Arquitetura, na atualidade?
R- Grete Pflueger e Rosilan Garrido: O curso da UEMA tem 30 anos. Somos as pioneiras. São 10 cursos pelo Maranhão (Caxias, Imperatriz...). A demanda é permanente nos 217 municípios do Estado. Vale ressaltar que São Luis é patrimônio mundial e as cidades de São Bento, Caxias e Viana são patrimônios históricos. Quem está pensando em seguir a área, Arquitetura oferece um vasto mercado de trabalho (são 17 as possibilidades de atuação, entre elas: urbanismo e paisagismo). Fica a dica para visitarem o site dos cursos abertos da UEMA: https://eskadauema.com/
Fica a dica para este segundo semestre repensarmos nossas práticas pedagógicas e desenvolvermos nas diversas áreas do conhecimento o saber cartográfico (habilidades indispensáveis para a leitura de mapas). É necessário que o professor partir do princípio de que os alunos possuem conhecimento prévio que pode e deve ser estimulado para a construção das noções espaciais indispensáveis no entendimento cartográfico. A utilização de mapas deve ser proposta desde os anos iniciais, uma vez que a leitura e interpretação de mapas afetam a vida tanto de estudantes como da comunidade em geral, que utiliza não somente mapas impressos para diferentes fins como também para o estudo ou para o turismo.
Utilizemo-nos dos diversos mapas em sala de aula!!!
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