Terça, 01 de Setembro de 2026 14:54
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil Convidados APB

A plataforma do Facetubes publica o texto de estreia de Fernanda Figueiredo, cujo estilo é inconfundível

"Nos meus vinte e poucos anos, surgiu a oportunidade de publicar duas poesias por uma editora que buscava novos talentos,  da  Christina Oiticica, companheira do escritor Paulo Coelho, nos  anos 80. As minhas  poesias selecionadas foram "A noite" e "Natureza morta."

23/03/2024 10h10 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Fernanda Figueiredo
Fernanda Figueiredo (Arte/IA: MHL)
Fernanda Figueiredo (Arte/IA: MHL)

Nota do Editor: "Claro que foi empatia à primeira vista. Gosto muito de ler 'essência', de tentar descobrir a linha tênue que os poetas guardam sob as lágrimas de seus olhos e o sorrido de seus lábios. Aqui, neste texto, por exemplo, nenhuma surpresa diante de um estilo impecável, mais lírico que prosa, propriamente dita.  Este é meu olhar sob um belo argumento que revela uma sensibilidade e uma conexão profunda com a natureza e a arte, evocando imagens vívidas e reflexões sobre o quântico-sentimental. 

Ao descrever as várias janelas ao longo da vida, o texto sugere uma jornada de descobertas e contemplações, com referências pessoais sensíveis, ao status quo de quem aprendia a delinear seus caminhos com exigentes renovações constantes.  A metáfora das pétalas de jasmim sendo jogadas na estrada da vida evoca uma imagem de delicadeza e gratidão diante das experiências vividas. 

A referência à Casa-museu da Cora Coralina adiciona uma dimensão histórica e cultural ao texto, introduzindo a figura da poetisa brasileira e seu legado de simplicidade e doçura, exemplificado pela história da Maria Grampinho. Essa narrativa ressalta a importância de acolher o outro e transformar a vida em poesia, mesmo diante das adversidades.

Continua após a publicidade

 Em síntese, esse texto é uma celebração da vida, da natureza e da poesia, que me convidou a refletir sobre a efemeridade e a beleza do mundo ao nosso redor, através de uma linguagem mais poética, mais rica e mais evocativa. Seja bem-vinda Fernanda Figueiredo. Muito feliz publicar em nossa Plataforma Nacional do Facetubes, este belo exemplo de raciocínio qualitativo. (Mhario Lincoln, presidente da Academia Poética Brasileira).

 

 

Janelas com Jasmim

           

Fernanda Figueiredo, bibliotecária, escritora e poeta. 

Continua após a publicidade


Ao longo da vida tive  várias janelas. Algumas janelas para o mar e o Pão de Açúcar, janelas para os mais belos alvoreceres. Estive sempre pronta para  descortiná-las e ver o sol,  jogar pétalas de jasmim na estrada da vida. Borboletear. Vislumbrar novos horizontes.

E, assim, cheguei na Casa-museu da Cora Coralina. Quantas janelas! E quanta doçura!  Conheci a história da Maria Grampinho, uma senhora humilde que perambulava pelas ruas e ela deixava que dormisse nos fundos da casa.


Cora Coralina   gostava de fazer doces e poesias:  
"Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Faz da tua vida mesquinha um poema."

Também, tenho admiração  pela obra poética de  Cecília Meirelles.  "Eu canto porque o instante existe e a minha  vida está completa. Não sou alegre nem triste. Sou poeta." Até prefiro essa denominação de poeta do que  poetisa. 

Nos meus vinte e poucos anos, surgiu a oportunidade de publicar duas poesias por uma editora que buscava novos talentos,  da  Christina Oiticica, companheira do escritor Paulo Coelho, nos  anos 80. As minhas  poesias selecionadas foram "A noite" e "Natureza morta."

Da minha janela, lembrei o professor Josemar, nos tempos de escola, que pedia para que os alunos declamassem. O meu poema  foi  "Renúncia", de Manuel Bandeira. "Chora de manso e no íntimo..."

Continua após a publicidade

E gostava do poema "Vandalismo" do Augusto dos Anjos. "E no desespero dos iconoclastas, quebrei a imagem dos meus próprios sonhos."

Da minha janela  vi o século 21 começar. Estava com quarenta anos. O triste é saber que não veremos o fim do século. Certo dia, fiz os cálculos e não veremos os 500 anos do Rio de Janeiro. Nossa geração, na melhor das hipóteses, talvez, celebre os 500 anos de São Paulo. 
 
O tempo passa, mas a poesia fica eterna.

Da minha janela, há muitos anos, descobri um poema do Carlos Pena Filho, poeta pernambucano que faleceu muito jovem, em 1960.  Dedicado ao Francisco Brennand. "Lembra-te afinal, que resta a vida com tudo que é insolvente e provisório, de que ainda tens uma saída,  entrar no acaso e amar o transitório."  Tempos depois o Zuenir Ventura escreveu um artigo "Amar o transitório" em que cita o poema.

Por fim, um poeminha da minha autoria.

Sou a turmalina paraiba 
Obra rara, tesouro esquecido
Talvez, página virada
A caliandra do cerrado 
 joia rara 
essência da dama da noite de estrada
Flor de maracujá...

Namastê

E viva o empoderamento das mulheres!

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Lorena SmithHá 2 anos atrásRio de Janeiro RJFernando você é uma mulher linda. Hoje em dia não se vê mais assim. As mulheres mais bonitas estão perdendo o romantismo, a beleza interior e a poesia. Isso me deixa muito triste. Assim dizendo você ainda representa esse grupo de jovens mulheres que são românticas, acredito eu.
Amara LúciaHá 2 anos atrásBacabal MAOi fê. Poderia publicar aqui suas duas poesias A noite e Natureza morta, que foram selecionadas na época? Depois dessa sobre a turmalina, fiquei muito curiosa.
Professora Luana Figueiredo dos SantosHá 2 anos atrásBrasília DFCara Fernanda, ao ler seus versos lembrei de Cora Coralina que também tinha em sua poesia simples e profundamente ligada à natureza e ao cotidiano, um mesmo diapasão. Por isso tomo a liberdade de dizer que a “turmalina paraíba”, “obra rara, tesouro esquecido”, pode ser vista como feita para algo ou alguém de grande valor e beleza, mas que foi esquecido ou negligenciado. Isso poderia ressoar com a própria vida de Cora, que só ganhou reconhecimento literário em sua velhice.
Luciana Sávio, poetisaHá 2 anos atrásBrasília DFSou a turmalina paraiba Obra rara, tesouro esquecido Talvez, página virada A caliandra do cerrado joia rara essência da dama da noite de estrada Flor de maracujá... (Tanto singelo, quando suave). Amei essa sua sensibilidade.
Maria GomesHá 2 anos atrásSão LuísÓtimo texto!!! Parabéns pela abordagem!
Mostrar mais comentários
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 12h01
17°
Tempo nublado

Mín. 12° Máx. 19°

17° Sensação
5.14 km/h Vento
83% Umidade do ar
100% (21.89mm) Chance de chuva
Amanhã (02/09)

Mín. 11° Máx. 18°

Tempo nublado
Quinta (03/09)

Mín. Máx. 22°

Tempo limpo
Ele1 - Criar site de notícias