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Brasil Sobre Jesus Santos

Artista Susana Pinheiro: "Ensaio a partir de Jesus Santos, o artista do azul"

Susana Pinheiro é membro-efetivo da Academia Poética Brasileira/RIO, artista-plástica, escritora, poeta e tem livros na área infanto-juvenil.

14/03/2024 06h01 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Susana Pinheiro/Jesus Santos
Susana Pinheiro e Jesus santos (arte: MHL).
Susana Pinheiro e Jesus santos (arte: MHL).

Susana Pinheiro, APB/RIO

As pipas coloridas de vermelhos vibrantes, laranjas intensos e amarelos de cádmio sob tons neutros, contrastando com um azul profundo, intenso que vibra luz com toques de brancos e violetas, são lembranças que me veem à memória quando ouço falar nas pinturas de Jesus Santos. O conheci, quando ainda estudante de arte na graduação, e estagiava no Palácio dos Leões. Na ocasião, fui apresentada a ele, por Maria Helena Duboc Andrès, crítica de arte e curadora do acervo das obras de arte do Palácio, e minha tutora durante o estágio.


O centro histórico da cidade de São Luís, no estado do Maranhão, seus habitantes e as histórias locais, serviu de constante inspiração para a realização dos trabalhos deste singular artista, que recentemente partiu, mas que nos deixa uma importante contribuição de valor artístico para as novas gerações e para a geração presente. Jesus Santos estudou arte com profissionais como Norberto Pedrosa, que morava no centro da cidade, e que teve como professor, o mestre, também artista, Espírito Santo. Foi com Pedrosa e Floriano Teixeira, que Jesus desenvolveu parte de suas habilidades com as tintas e pincéis, e pode ainda, desenvolver suas temáticas, aprendendo técnicas e estudando profundamente a história da arte e seu contexto mundial.

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Observador e estudioso, apreciava a vida que acontecia pelo centro histórico da cidade, em especial saia para ver e ouvir, sentir os eventos nos bares e a vida noturna dos cabarés. As personagens de suas pinturas são figuras dramáticas, mascaradas e sensuais que ora contrastam com acontecimentos corriqueiros como um passeio de bicicleta, ou ora contrastam com o brilho da luz noturna que costumava acompanhar a cidade dormida. Em suas obras a forte presença do imaginário fantástico, que une a beleza e o medo em cada pintura executada. Costumava afirmar que arte era uma missão em que deveria buscar a cada novo trabalho, a superação do anterior. 


Artista questionador, inquieto e boêmio, o cotidiano noturno, por exemplo, foi tema em muitos de seus quadros, em especial, a vida das prostitutas. Certa vez, afirmou em entrevista, o seguinte: “As prostitutas é que salvaram o imaginário romântico de São Luís”. Assim, era figura assídua buscando em cada realidade, poetizar a lúgubre dureza das ruas e das relações humanas.


Aos artistas certos eventos nos marcam sobremaneira, e ficam impregnados em nossa memória, e de tão intensos nossos trabalhos refletem tais vivências. Foi o que aconteceu com Jesus Santos, quando em uma viagem a Cusco, cidade situada nos Andes peruanos, outrora, capital do império Inca, atualmente muito visitada devido sua arquitetura colonial espanhola e vestígios arqueológicos, viu de dentro do carro que havia um vilarejo onde as portas e as janelas das construções eram pintadas com um certo pigmento colorido que viria a ser uma de suas marcas registradas. 


Curioso, perguntou ao guia do lugar, que cor era aquela, pois o impressionara de tal modo, que gostaria de saber onde poderia encontrá-la para usar em seus trabalhos. A cor em questão era o azul, mas um azul diferente. E perguntando sobre o fato, disseram a ele, que se tratava do que chamavam de azul boliviano, uma cor somente encontrada nos bairros mais populares da Bolívia, usada nas portas e janelas para afastar o mal. 
Desde então o artista passou a usar a referida cor, chamada de azul boliviano, largamente em suas pinturas. O azul para Jesus Santos, representava, além de tudo, a cor do infinito, uma cor completa, dizia ele, e era a mais enigmática e forte de todas as cores.


Destacava que artistas importantes como Cândido Portinari a usara causando grande comoção e verdade nas suas pinturas.


Para Jesus Santos, a cidade de São Luís desdobra-se antagônica, pois ao mesmo tempo em que ela se apresenta linda, de uma luminosidade inigualável, revela-se embevecida de uma ignorância ainda maior. E, nos deixa um questionamento para refletir, pensar e quem sabe a partir da própria arte de cada obra literária, pintura, canções, poesias, peças encenas, filmes e fotos, possamos chamar a atenção e impulsionar, quem sabe, rumo a um transformação mais consciente e crítica. Ao finalizar sua entrevista, nos provoca dizendo: “Como é que a gente vai fazer, e agora, como é que se vai fazer?

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Ensaio a apartir da leitura da entrevista do artista ao documentário feito sob direção de Beto Matuck e direção geral de Joaquim Haickel .

Tela de Jesus Santos.

 

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susana pinheiroHá 2 anos atrásRio de JaneiroJúlia, Ahhh que comentário! Obrigada querida! ????????????????
susana pinheiroHá 2 anos atrásRio de JaneiroLídia, exatamente...nem tem como ser doutra maneira, né! ????????????
susana pinheiroHá 2 anos atrásRio de JaneiroInês Phillipe, trabalhei na escola São Marcos nos primeiros anos de minha faculdade de graduação! Amava estudar arte com meus alunos. Quem eram seus filhos lá, deixa ver se lembro? Qualquer coisa envie-me mensagem pelo Instagram: susana.spinheiro Obrigada pelo comentário de luz! ????☺️ Bj
susana pinheiroHá 2 anos atrásRio de JaneiroQue comentários mais cheios de luz! Gratidão amigos!! Cássia, sempre uma querida!
Julia Mariz OiticicaHá 2 anos atrásSão PauloSPOS olhares coloridos são os mesmos que saem da ponta de um grafite, quando o texto é lindo. Boa Susana.
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