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As percepções líricas de um novo Rogério Rocha no cenário maduro da poesia do Maranhão

"Imagina se/ tua boca/ recebesse bônus/ pelo silêncio" (RUÍDOS). Rogério Rocha. 

26/03/2024 16h08 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Rogério Rocha/Mhario Lincoln
Entre os melhores do ano.
Entre os melhores do ano.

Mhario Lincoln

A poesia de Rogério Rocha não cansa de ser elogiada. Especialmente após a publicação de seu livro "A Linguagem da Ausência", que veio mostrar toda uma maturidade editorial, contemporânea e da exegese lírica. Ou seja, a poesia de Rogério Rocha, com sua ênfase na fragilidade humana e na efemeridade da existência, começa a subir degraus da responsabilidade construtiva, na medida em que a leitura osmótica da composição, deixa de objetivar "o que o outro vai pensar", para a "autointrospecção poética" de como dar vazão às vibrações de seu conteúdo gerador. (Exatamente aí que se diferencia o menino, do Poeta!).


Coicidentemente, ontem, li algumas poesias da poeta Ana Cesar, amiga e adorada por Nélida Piñon, da qual recebeu inúmeros elogios. Pois bem: a poesia de Rogério Rocha, com sua ênfase em 'uma certa melancolia', compartilha semelhanças com a poesia de Ana Cristina Cesar, cujo destaque na década de 1970 é frequentemente associada à chamada "Geração Mimeógrafo". Por isso é que eu digo que mesmo não tendo participado euforicamente dessa geração, em razão da própria idade produtiva, algo influenciou boa parte da contrução poética desse trabalho novo - "A Linguagem da Ausência" - porque há subliminares que remetem a uma linguagem mais intimista e com uma forte expressão dos sentimentos pessoais, frequentemente abordando temas como a solidão, o amor e a angústia existencial.

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Abaixo, se pode ter uma ideia contemplativa do quanto amadureceu a construção poética de Rogério Rocha, em dois poemas simplesmente únicos, mesmo que essa forma de escrever tenha rápidas semelhanças com Manuel Bandeira, TS Eliot ou mesmo Cristina Cesar:

"Imagina se
                     tua boca
      recebesse bônus 
                           pelo silêncio" 

Mas ao ler esses quatro primeiros versos, meus dedos coçam e é impossível não chamar Epicteto para me ajudar a debulhá-los. Impossivel não pensar que tais construções não levem diretamente ao estoicismo. E por que? Mesmo que haja a possibilidade desses versos terem outro entendimento, algo me levou (esta é a minha visão) aos  estóicos porque  valorizavam a autodisciplina, a autossuficiência e a paz interior, alcançadas através do controle sobre as paixões e desejos.

 

Nesse contexto, o “bônus pelo silêncio” pode ser visto como translação para a paz interior e a sabedoria que se ganha ao se abster de falar desnecessariamente. Aliás, eu pergunto: e se esse silêncio fosse encarado - não, apenas, como a ausência de fala - mas, também, como ausência de paixões e desejos descontrolados, influenciando diretamente na paz interior? Suposições, nada mais que suposições...

 
Bom,  sem mais conjecturas, vamos aos poemas:

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RUÍDOS 

Imagina se
                     tua boca
      recebesse bônus 
                           pelo silêncio 

E teu ouvido
          ao menos uma vez
    absorvesse 
os meus ruídos

Que entendesses 
             de primeira o que 
venho tentando dizer

Talvez assim
            nos encontrássemos 
realmente 
            pra superar 
de vez
       qualquer mal-entendido

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******

 

MENINO DE RUA

Arte: MHL

 

As luzes do dia
atravessam-me
qual objeto 
          indefinido 

Sou pequeno 
e indefeso 
Sou fosco 
e pálido
quase imperceptível 

Tão ínfimo 
para o mundo
que pareço lentamente 
           desvanecer

 

 

VÍDEO-BÔNUS

AS TRANSFORMAÇÕES NO MUNDO DO TRABALHO

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Theotonio Fonseca de Sousa Há 2 anos atrásItapecuru Mirim Percuciente impressão de leitura acerca da maturidade estética de um dos mais talentosos poetas maranhenses da atualidade. A poética do Dr Rogério Rocha evidencia a profundidade de sua sólida formação como Filósofo, Jurista e estudioso dos múltiplos saberes que compõem o cabedal do conhecimento humano.
Joizacawpy Há 2 anos atrásSão luís E sim a poesia de Rogério e falo mais especificamente do título A linguagem do Silêncio, tranborda maturidade, casar a poesia com a filosofia é para os grandes, como não lembrar Fernando Pessoa que embalava sua filosofia com lirismo, ou seria seu lirismo com poesia? Bom não vou insistir em trelativizar, mas Rogério trouxe para mim essa dimensão filosófica poética ou poética filosófica. Parabéns a Mhario pelo texto e a Rogério pela bela e sustentável obra.
Rogério RochaHá 2 anos atrásSão Luís - MAObrigado pela análise dos novos poemas e pela postagem deles. Um forte abraço.
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