Orquídea Santos, Chefe da ASCOM, APB
SALA FLORBELA ESPANCA
"Não tenhas medo, não! Tranquilamente,//Como adormece a noite pelo outono,//Fecha os olhos, simples, docemente,//Como à tarde uma pomba que tem sono…"
Florbela Espanca, cujo verdadeiro nome era Flor Bela de Alma da Conceição, é uma figura emblemática da poesia portuguesa. Nascida em Vila Viçosa no ano de 1894, ela começou a dar os primeiros passos na poesia ainda na infância, com a composição de seu primeiro poema aos oito anos de idade. Florbela foi uma mulher à frente de seu tempo, destacando-se não apenas por seus dotes literários, mas também por sua participação ativa em círculos literários femininos, sua formação acadêmica e a maneira como enfrentou desafios pessoais, como seus dois divórcios.
A vida de Florbela Espanca foi permeada por tragédias pessoais que tiveram profunda influência em sua obra. A infertilidade de sua mãe biológica, a morte prematura de seu irmão Apeles, e sua própria luta contra a neurose, que se intensificou após a perda do irmão, são elementos recorrentes em sua poesia. Seu estilo se caracteriza pela intensidade emocional, pela exploração do subjetivismo e do sentimentalismo, onde o sofrimento, a solidão e o desencanto convivem com o anseio por felicidade.
Florbela Espanca é especialmente reconhecida por sua maestria na arte do soneto, embora tenha deixado contribuições significativas também na forma de contos, diários e correspondências. Sua postura literária é considerada pioneira no feminismo português, marcada por uma escrita introspectiva e centrada no "eu", aspecto que na época lhe rendeu críticas, mas que atualmente é celebrado como uma inovação, representando a emancipação literária das mulheres em Portugal.
A INFLUÊNCIA
Quanto à influência de Florbela Espanca, sua obra transcende gerações, tocando tanto os jovens quanto os mais velhos. A carga emocional e a introspecção presentes em sua poesia encontram ressonância universal. Como figura pioneira na literatura portuguesa, Florbela abriu caminhos para a expressão da experiência feminina na literatura, impactando de maneira significativa o cenário literário português.
OPINIÕES
Duas confreiras da Academia Poética Brasileira emitiram opinião acerca de Flor bela Espanca.
1 - CARMEN REGINA DIAS, Cadeira No.07/APB-PR: "Bem vinda, Florbela! Hoje é um memorável dia. Suprema honra tê-la entre nós, sermos recebidos em sua Sala e saborear com a ilustre poetisa, deliciosos chás da mais pura Poesia. Oh, nobre Florbela Espanca! Sirva-nos do néctar de teus versos, tão profundos, perfumados de amor. Confrades e confreiras, artistas pelo mundo a fora, estarão mais próximos de ti, agora. Reine entre nós, Florbela, poetisa bela e sapiencial e revela-nos em tua Sala e teus segredo da metáfora essencial. Carmen R.Dias/APB Academia Poética Brasileira".
2 - JOIZACAWPY COSTA, APB/MA: "Magnífico encontrar/ Nas linhas de um poema/ Tão bela flor,/ Resistente e imponente/ Empregando em linguagem eloquente/ A profundidade do amor./ Seu rastro de intensa luminosidade/ Estampou-se em seu caminho/ Onde é possível chegar ao coração,/ Ninho de sua morada/ Que hoje é na saudade figurada./ Mulher é sua identidade essencial/ Sublimemente exaltada/ Por sua excelsa nobreza,/ De tão perfeita inspiração/ No infinito eternizada./ Poeta que canta o amor,/ Que palavreia sentimentos,/ Mas que até o triste lamento/ É transformado por suas mãos/ No mais puro transmutar alquímico/ Que no infinito para sempre ecoou/ Somente como um grito de amor". (Joizacawpy Muniz Costa/ Academia Poética Brasileira)








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