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Brasil Semana Santa

Dois poemas fortes abrem a Semana Santa Poética do Facetubes: Miguel de Unamuno e Frei António das Chagas

Em nosso Vídeo-Bônus, o filme "Marcelino Pão e Vinho", completo para assistir no conforto da telinha. Vale relembrar um sucesso desses, especialmente na Semana Santa. Dibirta-se.

28/03/2024 11h53 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Redação do Facetubes
Arte: MHL c/AI
Arte: MHL c/AI

POR QUE A SEMANA SANTA

A Semana Santa é de suma importância para o mundo cristão, pois representa o ápice do calendário litúrgico, relembrando os momentos mais significativos da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Esses eventos são fundamentais para a fé cristã, pois simbolizam o sacrifício de Cristo pela humanidade e a promessa de salvação e vida eterna.

 

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Durante a Semana Santa, os cristãos participam de uma série de rituais e cerimônias que os convidam à reflexão, ao arrependimento e à renovação espiritual. É um período de profunda devoção e contemplação, no qual os fiéis se unem em oração e gratidão pelo amor e misericórdia divinos. A celebração da Semana Santa fortalece a comunidade cristã, reafirma os valores centrais da fé e inspira os crentes a viverem de acordo com os ensinamentos de Cristo.

 

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Por outro lado, a Semana Santa tem sido uma fonte de inspiração para muitos escritores, poetas e figuras religiosas ao longo da história, especialmente no século XIX. Aqui estão dois poemas notáveis sobre a Semana Santa, escritos por destacados homens das letras e figuras religiosas da época. 

 

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Mas há uma polêmica sobre esse primeiro poema apresentado pelo Facetubes. O poema é, sem dúvida, um dos mais fortes e vem sendo atribuída a autoria há muitos anos, ao Frei António das Chagas, frade franciscano e poeta português, que se destacou na história portuguesa mais pela sua faceta literária, que propriamente eclesiástica. O Facetubes corre um risco de publicar algo que "ainda deixa dúvida nos estudiosos de Frei António", como escreveu Juan de Castro, pesquisador espanhol, sobre o tema. Porém pela beleza, seriedade e pela mensagem que passa, vale à pena correr esses risco.

 

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Portanto, abrimos as comemorações da Semana Santa Literária, com "O Cristo de Madeira". Comentem abaixo sobre a originalidade do texto e sua verdadeira autoria. Será muito bom, trazendo esta discussão à baila, saber realmente quem foi o autor dessa bela peça literária.

 

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Arte/MHL. (Fotos: google).

O Cristo de Madeira

Olhai, vede uma cruz de madeira tosca e dura,
Tão mal talhada imagem, que representa
Aos olhos do sentido, um Cristo feio e vil,
Mas aos do entendimento, tão formoso e tão perfeito,
Que o sol se escurece de o ver tão resplendente.

Com tão grandes contrastes, nesta cruz vereis
A vida e a morte, o desprezo e a glória,
A humilhação e a exaltação,
A injúria e o louvor, a justiça e a misericórdia.

Na cruz vereis a vida,
Que pela morte de Jesus nos é dada,
A glória que segue ao desprezo de sua Paixão,
A exaltação que se segue à sua humilhação,
O louvor que sucede às injúrias,
A justiça que se satisfaz com a misericórdia.

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Nesta cruz vereis a um Deus feito homem,
A um homem feito Deus,
A um justo que é condenado
Por fazer justiça,
A um vivo que morre por dar vida,
A um Rei que é coroado de espinhos,
E que com um cetro de cana
É adorado e escarnecido,
E sendo criador de todas as coisas,
Na cruz é levantado por mãos de suas criaturas.

Se procurais milagres, na cruz os vereis,
Pois ali se operam tantos,
Que se pode chamar oficina de milagres.
Se procurais sabedoria, na cruz a achareis,
Pois é loucura para o mundo
E sabedoria de Deus.
Se procurais amor, na cruz o encontrareis,
Pois nela Deus nos mostrou o maior amor,
Dando a vida por nós, sendo seus inimigos.

Adoremos, pois, esta cruz,
Não a de ouro ou prata,
Mas a de madeira tosca e dura,
Pois nela encontramos a vida,
A sabedoria e o amor.
Amém.

 

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O Cristo de Velázquez

"A Crucificação" de Diego Velázquez é uma obra-prima do Barroco espanhol, datada de cerca de 1632. Esta pintura é conhecida por sua representação dramática e emotiva do tema bíblico da crucificação de Jesus Cristo. Vale destacar que o autor coloca Cristo no centro da composição, destacando-o como a figura principal. Seu corpo é retratado de maneira realista, com detalhes anatômicos precisos, transmitindo a humanidade de Cristo.

A iluminação dramática realça a figura de Cristo, criando um contraste entre a luz e a sombra. Essa técnica, conhecida como 'chiaroscuro', destaca o sofrimento e a divindade de Cristo, ao mesmo tempo em que confere profundidade e volume à cena. Destaque artístico para a expressão no rosto de Cristo que é serena, apesar da agonia da crucificação. Essa serenidade transmite uma sensação de aceitação e sacrifício, refletindo a ideia de redenção através do sofrimento.

Ao contrário de outras representações da crucificação que incluem uma multidão de personagens e detalhes, Velázquez opta por uma abordagem mais simples e minimalista. O fundo escuro e a ausência de outros elementos narrativos concentram a atenção do espectador na figura de Cristo. A posição dos braços de Cristo, abertos em um gesto de acolhimento, simboliza a abertura à humanidade e a oferta de salvação. Além disso, a composição vertical da cruz pode ser vista como um elo entre o céu e a terra, enfatizando a natureza divina e terrena de Cristo.

A obra transmite uma intensa emoção e devoção, que o poeta Miguel de Unanuno, ensaísta, romancista, dramaturgo, poeta e filósofo espanhol, decidiu escrever sobre o quadro, convidando o espectador a contemplar o sacrifício de Cristo e seu significado espiritual, como uma poderosa expressão de fé e compaixão.


Tradução livre

Crucifixión. Velázquez. (Divulgação).

O Cristo de Velázquez
Miguel de Unamuno (1864-1936)


¿En qué estás pensando, oh mi Cristo muerto?
¿Por qué está cargado este velo de noche?
De tu vasta cabellera negra
de un Nazareno cae sobre tu rostro?
Miras dentro de ti, allí donde está el reino
de Dios está en ti donde amanece
el sol eterno, el sol de las almas vivientes.
Tu cuerpo blanco, que se asemeja al espejo
del padre de la luz, del sol vivificante;
Tu cuerpo blanco como el de la luna
Esa mujer muerta merodea alrededor de su madre
nuestra tierra cansada y errante;
Tu cuerpo blanco es como un anfitrión
Desde el cielo de alguna noche soberana,
De ese cielo tan negro como el velo
De tu vasta cabellera negra
Del Nazareno. Tu sospechosas, al Cristo, el único.
un hombre que sucumbió a su intención,
triunfante de la muerte, de por vida
por Ti se exaltó a sí mismo. Y desde entonces
Tu muerte por ti nos vivifica,
para ti la muerte se convirtió en nuestra madre,
para Ti, la muerte es ahora dulce apoyo
que endulza esta amargura de la vida;
por Ti, el Hombre muerto que no muere
blanca como una luna en medio de la noche. Vida
es un sueño, Cristo, y la muerte es el despertar.
Mientras la tierra solitaria sueña,
la luna blanca vela, y el hombre vela
en su cruz, mientras los hombres sueñan;
Velo el hombre incruento, el hombre blanco
como la luna que vigila en la noche negra;
Vela al hombre que dio toda su sangre
para que la gente sepa que son hombres.
Te salvaste de la muerte. Abre los brazos
Esta noche, que es negra y muy hermosa,
porque el sol de la vida la ha contemplado
Con tus ojos de fuego e hizo la noche
Morena, sí, el sol, y tan hermosa.
Qué hermosa es la luna solitaria,
La luna blanca en la noche estrellada
negro, al igual que el pelo frondoso
del Nazareno. Y la luna blanca
Como el cuerpo del hombre en la cruz, espejo
del sol de la vida, el sol que nunca muere.
Los rayos, Maestro, de tu suave luz
guíanos a través de la noche de este mundo,
Ungiéndonos con la esperanza real
de un día eterno. Noche tierna,
¡Oh! Noche, madre de nuestros dulces sueños,
Madre de la esperanza, ¡oh! Nuestra dulce Noche,
Noche oscura del alma, tú eres la enfermera
de esperanza en Cristo Salvador!


Miguel de Unamuno

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VÍDEO-BÔNUS

(Vale relembrar o filme "Marcelino Pão e Vinho", um clássico quando se fala em Fé e em Semana Santa). Filme completo. Só clicar e assistir.

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