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Estreia hoje em grande estilo, no Facetubes, o poeta e pesquisador maranhense, Kissyan Castro

"A poesia faz e acontece. A verdadeira poesia é que escreve os seus poetas e não o contrário. No poema o poeta não comunica palavras, notícias, comunica o próprio ser".

29/03/2024 13h08 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Kissyan Castro
Kissyan Castro estreia hoje.
Kissyan Castro estreia hoje.

Kissyan Castro (Barra do Corda/MA, 1979) é poeta e pesquisador maranhense, graduado em Letras pela Universidade Federal do Amapá, membro efetivo da Academia Barra-Cordense de Letras (ABCL) e membro correspondente da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA). É autor de Vau do Jaboque (CBJE, 2005), Bodas de Pedra (Chiado, 2013), Poesia Esparsa de Maranhão Sobrinho (360°, 2015), Rio Conjugal (Ética, 2016), O Estreito de Éden (Penalux, 2017) Maranhão Sobrinho – O poeta maldito de Atenas (Penalux, 2019) e Pássaros Lacunares (Penalux, 2023). Com participação nas coletâneas “Caleidoscópio” (Andross), “Além da Terra Além do Céu” (Chiado) “Babaçu Lâmina” (Patuá) e “Haicais e Tankas” (Persona), tem poemas publicados em diversos sites, jornais e revistas eletrônicas, entre as quais Germina, Mallarmargens, Literatura & Fechadura, Acrobata e Portal de Poesia Ibero-Americana.

 

CRÔNICA DA POESIA

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Ninguém lê poesia para estar a par dos últimos lançamentos da moda ou pelos métodos eficazes de emagrecimento que ela possua, caso contrário a fila de pretendentes às portas de um poeta seria maior que a fila do bolsa-família, os livros de poesia seriam constantemente esgotados e não ficaríamos surpresos se no verso das carteiras de cigarro nos deparássemos com a curiosa inscrição: “o ministério da saúde adverte: leia um poema.”

 

A poesia ocuparia então a principal manchete dos jornais e lê-la não seria considerado uma perda de tempo e o poeta não seria visto como uma figura esquisita a perambular na contramão de uma sociedade altamente sofisticada e tecnológica.


A poesia, no entanto, não obedece a padrões nem está alienada ao tempo. Ela teima e prefere andar com seus próprios pés, fundando e trilhando seus próprios caminhos, deixando suas pegadas levemente impressas no lastro da alma. 

 

É evidente que a vida muda, a sociedade se transforma e que a crítica literária, que antes servia para colocar em evidência novos escritores e poetas, fora raras exceções, já não existe mais. Mas na medida em que a poesia tenha alguma coisa que se comunique com as pessoas, que lhes acrescente algo, ela vai sobreviver.

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A poesia faz e acontece. A verdadeira poesia é que escreve os seus poetas e não o contrário. No poema o poeta não comunica palavras, notícias, comunica o próprio ser. A poesia não quer ser literatura, quer ser carne, quer sangrar conosco. O poeta, mais que autor, é personagem. É como disse Whitman: “Isto não é um livro, quem toca nele toca num homem.”

 

É claro que poesia “não enfrenta fila de Banco, não cura dor de dente nem desintegra um átomo”, mesmo porque uma das únicas funções da poesia – como afirmava reiteradamente Gullar, ao que Hermann Hesse acrescerá também o papel “pedagógico” da poesia – é comover as pessoas, ao desvelar o pulsar das coisas por trás do azinhavre que a rotina vai depositando, fazendo com que todas as coisas e seres percam sua vivacidade, seu latejo, enfim, seu impacto enquanto novidade. Ela lida com o lado cruento da vida, com o revés da fala, com o revés do ser, com o amor, com a morte, com a perda. E isso não há computador no mundo que resolva. A palavra do poeta possui o raro poder de reintegrar os destroços da existência e transformar em beleza até a dor mais profunda. Embora não se faça poesia para fugir da realidade, acabamos por aceitar seu abrigo, seu colo, seu beijo. Claro está que sob as hostilidades do cotidiano é possível criar obras, textos, mundos novos que passam a viver apesar de qualquer dificuldade.

 

Quanto mais consumista, quanto mais materialista e antipoética se torna a sociedade, mais necessária é a poesia. Talvez esse fato explique de certa forma o crescimento vertiginoso do número de poetas nos últimos anos. Os caras passam o tempo escrevendo dezenas de poemas que ninguém jamais irá ler e mesmo assim continuam. A poesia é, de fato, uma fatalidade do espírito humano.

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Portanto, se me perguntarem qual seria o papel da poesia numa sociedade cada vez mais informatizada e globalizada, eu responderia, sem mais delongas, que não há papel que segure a poesia. 

 

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Lu MotaHá 2 anos atrásBirigui- Sao PauloÉ bem verdade, que nada prende a poesia, eu bem sei. Uma poesia encarcerada, jorra sangue, padece, adoece, mas não morre, em vez disso, brota. E é bonito ver o orgasmo dos botões virando flôres, para depois parir poesia. Kissyan é magistral, parabéns!
Mariano BogeiaHá 2 anos atrásSão Luís MAA facilidade como Kissyan escreve é extraordinária. Parabéns ao Facetubes por convidar ele pra est5a plataforma nacional.
Raimundo FonteneleHá 2 anos atrásBarra do Corda Maranhão Excepcional texto que o poeta Kissyan Castro nos presenteia nesta Sexta Feira da Paixão, mais uma poderosa voz poética que o presidente da Academia Poética Brasileira, Mhario Lincoln, através do seu site Facetubes põe e dispõe para o deleite e reflexão de seus inúmeros leitores. E o Kissyan com esta sua Crônica da Poesia vem nos provar que a poesia é uma coisa crônica.
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