#Dia Nacional do Livro Infantil
UM CONTO PARA DAVI DORMIR
* Mhario Lincoln
Susana Pinheiro é uma aquarelista nata. Ao amassar com a ponta do pincel ovalado a cor, no papel algodão, as formas explodem em diversas nunaces. Bem característico do talento e de muita criatividade.
O exemplo está no livro "UM Conto para Davi-memórias de minha infância", onde há uma dobra de tempo levando o leitor a vislumbrar a história na cor da memória, nos traços do azul da alma. Em determinados parágrafos, a infância parece ser uma só: da autora e do filho Davi, num verdejante espaço real da cidade em que viveu momentos da infância, em Viana, no Maranhão.
Isso vem ao encontro do que senti ao ler e reler este livro de Susana. A velha teoria do cientista suíço Jean Piaget, revolucionadora do modo de encarar a educação de crianças, ao mostrar que elas não pensam como os adultos e constroem o próprio aprendizado através das descobertas que faz. Isto é, nas palavras dele, "(...) educar é provocar atividade (...)".
Susana, Davi e o Livro.
Assim, Susana Pinheiro toca exatamente nesta tecla ao construir um texto explêndido, mostrando o personagem em plena descoberta das coisas, num hipotético mundinho de fundo de quintal. Todavia, com sinapses amplas e irrestritas, de modo a mergulhar em temas que vão desde a citação de espécimes da flora, quanto da fauna maranhenses, resgatando o que ainda resta da história genético-natural dos seres vivos da região chamada de Baixada Maranhense, a oeste e sudeste da ilha de São Luís, que alaga na estação das chuvas, criando enormes lagoas entre os meses de janeiro e junho. Essa planice de terras baixas é cortada pelos rios Mearim, Grajaú, Pericumã, Pindaré e Maracu, numa área total de 18 mil km². Imagina a beleza?
É nessa bela e ativa região que nasceu o município de Viana, também cantado nesta obra prima de Susana Pinheiro.
A autora teve o cuidado de, ao final, elaborar um mini-glossário, onde enumera plantas e animais remanescentes da região, numa dádiva de fazer conhecer aspectos importantes para essas terras, onde esse bioma recebe, também, características Amazônicas.
É tão pungente este livro que envolve, igualmente, a questão nutrional, em grandes exemplos misturados a história - naturalmente sorvida por quem lê. Susana teve o cuidado de enfatizar que os adultos da família são responsáveis pela formação do comportamento alimentar da criança, através da aprendizagem social. Inclusive analisando fatores culturais e psicossociais, diretamente ligados às experiências alimentares da criança. Ela mostra que também a questão nutricional é deveras importante e faz parte do aprendizado.
Esse contexto no livro adquire um papel pegagógico (Susana foi professora em colégios públicos e particulares em São Luís-MA), especialmente quando se refere às estratégias utilizadas para a criança se alimentar corretamente.
Então, se juntar, ao final, as estratégias de liberdade e aprendizado do suiço Jean Piaget, com regras nutrionais e, ainda, com as estratégias de amostragem dos biomas pré-amazônicos da região de Viana, tudo isso, somado ao amor e a dedicação de uma mãe atenta e responsável pela educação do filho, nasce uma narrativa incrível como "Um Conto para Davi Dormir", na verdade, universal, cabível em quaisquer prateleiras nacionais e internacionais de contos.
Mesmo porque, as grandes histórias nascem da observação. Do ângulo de visão e das memórias de seus autores. Desta forma, se a gente seguir essa linha de raciocínio, "Um Conto para Davi Dormir", de Susana Pinheiro, recém lançado com aplausos na Livraria da AMEI - Associação Maranhense de Escritores Independentes, com selo da Viegas Editora, segue à passos vitoriosos.
Em resumo: vale enfatizar que essa história, antes de virar livro, foi contada verbalmente ao longo de vários momentos para criancas. Até uma delas dizer: "... tia, grava no celular essa história e manda nós. Assim, a gente ouve quando a senhora não estiver aqui". Outras também opinaram: "...tia, se fosse um livro, eu compraria...".
"Um Conto para Davi Dormir" é o resultado de insights reais, memórias vivas, sensações latentes inclusas ao longo da vida. Por isso, tenho certeza que esse belo livro de Susana alcançará o sucesso e se tornará um conto clássico. Tem tudo para isso acontecer!
*Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.
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