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Brasil SOBRE A BULA

A visão interior de Linda Barros (APB): "A Bula dos Sete Pecados", de Mhario Lincoln

Linda Barros é professora e atriz

25/09/2020 11h48 Atualizada há 6 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Linda Barros
Linda Barros, professora e atriz.
Linda Barros, professora e atriz.

A BULA DE MHARIO LINCOLN

 LINDA BARROS

professora e Atriz

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Linda Barros (Imortal da APB).

A vida é mesmo engraçada, às vezes é melhor nem se pensar nisso, porque ficamos à mercê das dúvidas, no vazio, procurando respostas para algo indecifrável. É impossível não começar esse texto com estes pensamentos de reflexão. Uma hora você é uma mera desconhecida, passa-se algumas horas apenas e sua vida dá uma guinada, é como se ultrapassássemos os portões que nos levam a outra dimensão e caímos no descompasso do tempo, límpido, claro, mas também obscuro.

O mundo literário é assim, às vezes de um instante a outro há um encontro com o inesperado. Do nada encontramos a fórmula que não estava tão distante assim, para o entendimento de muitas coisas, inclusive de si mesmo. O simples pode ser explicado. Aquilo que tanto nos questionamos às vezes está tão perto. É meio assim, que começamos a decifrar o possível ou impossível nos belos versos de A Bula dos Sete Pecados do intrépido autor Mhario Lincoln. Ao adentrar nessa estrada do imaginário, o autor já nos recebe com os mais belos, simples e verdadeiros versos que compõe a obra:

 

Do nada, alguém chega e, aê,

 te dá o melhor abraço do mundo,

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o melhor cheiro do mundo,

o melhor beijo do mundo.

FOI-SE A DEPRÊ!...

 

            São a palavras assim, simples e de profunda eloquência que o ser humano deveria estar atento. Metaforicamente o “melhor abraço do mundo” pode e deve salvar os povos, se pudéssemos nos doar ao outro na pura essência da existência, talvez a humanidade pudesse descer do pedestal e olhar para baixo e ver o quão os seres humanos, são HUMANOS.

            Nem de longe A Bula dos Sete Pecados pode-se dizer que seja um manual de ajuda, é sim uma leitura em que você se depara com um texto, que além de texto em si, nos leva a caminhos por linhas às vezes tortuosas e lineares, onde nós escolhemos que caminho tomar, que rumo seguir:

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Fui e vim, ao largo de minha prepotência, lavando as mãos.

Foi-me dada a hora de ajuizar-me e reconhecer toda penúria.

Foi-me concedido o direito de rever meus mimos e padrões.

A morte, foi-me companheira ao longo desses inteiros anos.

 

A contestação das coisas está em nós mesmos, mas por que não dar razão ao que queremos? E, numa perspectiva de entretenimento, o autor faz com que tenhamos uma simples leitura, agradável, sem mais preocupações. No entanto, cabe a nós leitores mais atentos descobrir nas entrelinhas do texto, o verdadeiro caminho a seguir. Pois, o findar desta leitura, quem dá é o próprio leitor, que ao “fechar” o livro, deixa pistas para que, quem for um leitor mais aguçado, possa fazer um “passeio” pelas figuras de intertexto que compõe a obra.

O autor deliberadamente (ou não) ao compor cada verso de sua bela obra, faz com que o leitor, por menos exigente que seja, não fique só no superficial, mas que mergulhe nas entrelinhas de cada verso, pois em cada um, há uma simbologia a ser desvendada. O autor usa de uma métrica singular, com rimas simples. Parafraseando José de Ribamar Macau Dos Santos, mais conhecido como Ratinho, que participa da construção desta Bula, Mhario Lincoln, “deixa o leitor, bem à vontade para viajar em sua poesia leve e bonita, pois “ele (Mhario) é romântico sem ser pastoso”.

Por vezes, o autor percorre um caminho trilhado por figuras da nossa história, usando rimas brilhantes para contar ou desvelar ao leitor, personagens de singular importância no mundo da cultura mundial e contemporânea, como nos versos abaixo do poema “AH, HUMANIDADE”:

           

Como andam as bruxas de Blair

As bocas amargas sem fecho-éclair

os curtos-circuitos movidos a Éclair

as delícias das fragrâncias Belle-Aire?

Os amores de Dom Descartes, René

ou o ‘ver pra crer’, de São Tomé

As garras afiadas de François Voltaire

O vendedor de virtudes, Yang Zhu, até?

 Como andam os moinhos de Quixote,

as muitas amantes de Sir Lancelot

o drama escarrado na morte de Pixote,

 o Rei do Baião de Pé-de-Serra, do Xote?

Por onde anda, de Einstein, a relatividade,

Contra Kant, Auguste Comte, a sua positividade,

 A saga de Simone de Beauvoir gritando igualdade

Acabou, Tomás de Torquemada, toda maldade?

 

            No texto acima, o poeta nos força a procurar sumariamente saber quem são, o que foram e o que fizeram cada personagem, aliados a uma musicalidade que compõe cada verso, o texto vem carregado de intertexto, figura marcante que ajuda a compor tão singela e rica obra e que desafia o leitor a imaginar uma biblioteca, com suas prateleiras repletas de nomes tão importantes para a Literatura e para a Cultura.

            E para não entregar, mas para aguçar a todos os leitores que se interessarem a “viajar” literalmente e descobrir qual seu pecado, Mhario Lincoln, não poderia deixar faltar em seu livro, coisas que acompanham a humanidade a milênios de anos, os prazeres (paixões), a essência da vida (coração) e o que sustenta o tronco humano (as chinelas):

 

CICLO DOIS

Ei moço!

Vc viu uma sandália perdida por aí?

 Insiste em ficar sozinha

Do que agasalhar os pés de um Poeta que pisou em flores

Para matar paixões.

 

            E para fechar, dizer que vida além de engraçada, ela é um ciclo, que tem início, meio e fim, como os Três Ciclos criados por Mhario Lincoln na BULA DOS SETE PECADOS.

 

 

 

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Lidimar GarcêzHá 6 anos atrásPortugalMhario Lincoln constrói. Linda mostra a construção como uma corretora literária de alto nível.
Carlos ZangãoHá 6 anos atrásTutoia MAImpressiona a linguagem de Linda. Impressiona a forma como ela colhe os frutos de uma obra. Parabéns aos dois.
Linda BarrosHá 6 anos atrásSão Luís/ MAFoi muito um dos textos mais delicados que já fiz. A Bula dos Sete Pecados é um dos livros mais belos que já li, que contém imagens poéticas maravilhosas em cada poema. Obrigada pessoas e Parabéns Mhario por nós proporcionar tão rica poesia!
Edomir Martins de OliveiraHá 6 anos atrásSao Luis-MAQue alegria Mhário poder ler mais uns trechos escolhidos pela escritora Linda, sob a Bula dos Sete Pecados. Não vai tardar muito em ganhar convites do exterior para ser traduzida na língua do requisitante como foi Ina Violação do Sagrado. Parabéns aos dois.
Élle MarquesHá 6 anos atrásSanta CatarinaQue agradável leitura Estou aguardando os correios entregarem meu exemplar! Mhário tem ainda tantos livros dentro de si que as bibliotecas ficariam abarrotadas de obras de arte Literárias...
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