FGV digitaliza acervo bibliográfico de 9 mulheres que impactaram a história
Ao todo, estão disponíveis ao público mais de 35 mil páginas com documentos de jornalistas, escritoras, poetisas e antropólogas brasileiras
LILIAN TAHAN/GABRIELLA FURQUIM
Anna Amélia de Queiroz
Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça (1896 – 1971) – A poetisa Anna Amélia foi colaboradora em diversos jornais do Rio de Janeiro e atuou como diretora no suplemento feminino do Diário de Notícias. Foi presidente da Associação Brasileira de Educação, vice-presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e fundadora da Casa do Estudante do Brasil (1929). Ela foi a primeira mulher a participar do Tribunal Superior Eleitoral, fazendo parte da mesa apuradora das eleições de 1934. Em 1935, representou oficialmente o Brasil no XII Congresso Internacional de Mulheres em Istambul e em 1942, e acabou escolhida como representante do Brasil na Comissão Internacional de Mulheres, com sede na União Pan-Americana em Washington. Em 1967, foi convidada pelo governo do Estado de Israel para representar a mulher brasileira no Congresso Internacional Feminino pela Paz e Desenvolvimento. Autora do livro Quatro Pedaços do Planeta no Tempo do Zeppelin (1976).
O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) digitalizou e disponibilizou ao público arquivos de nove mulheres. O acervo, sob tutela da instituição, reúne documentos pessoais de personalidades femininas que, de diferentes formas, impactaram a história brasileira.
Ao todo, são mais de 35 mil páginas de documentos históricos como cartas, ensaios, pesquisas e fotos de mulheres que participaram de grandes momentos do país.
Com o esforço dos pesquisadores, estão disponíveis os arquivos, até então inéditos, de mulheres como a advogada e escritora Almerinda Farias Gama; a poetisa Anna Amélia de Queiroz (foto em destaque); e a jornalista que teve os direitos políticos cassados pelo AI-5, Niomar Moniz Sodré Bittencourt. Também foram digitalizados documentos sobre a biografia de Yvonne Maggie, Delminda Benvinda Gudolle Aranha, Hermínia de Souza e Silva Collor, Hilda Von Sperling Machado, e Luiza de Freitas Valle Aranha (conheça mais sobre cada uma delas abaixo).
“Nós identificamos a ausência de mulheres nos arquivos digitalizados e percebemos, também, o crescente interesse por esses personagens femininos que participaram da história do país”, explica Carolina Alves, coordenadora do Programa de Arquivos Pessoais da Escola de Ciências Sociais do CPDOC da FGV.
Estão disponíveis para consulta, após a digitalização dos acervos, os arquivos de 199 homens e de 24 mulheres. “Além disso, em muitos casos, os documentos chegaram para nós como arquivos de mães, esposas e filhas de homens importantes. Mas, a partir da análise dos arquivos, foi possível identificar a atuação dessas mulheres muito além da esfera familiar”, conta Daniele Amado coordenadora de Documentação da Escola de Ciências Sociais do CPDOC da FGV.
“Olhando essas mulheres como protagonistas, nós tivemos a chance de reformular suas biografias, que sempre foram atreladas a homens públicos. Não é um problema de documentação, mas da história contemporânea brasileira que sempre limitou a participação das mulheres, mesmo quando elas eram atuantes politicamente”, concluiu.
A partir da documentação, o Núcleo de Audiovisual e Documentário da FGV produziu vídeos sobre algumas das personagens.
É possível acessar todo o acervo digitalizado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) clicando no link, a seguir: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/arquivo
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