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Colunista convidada FACETUBES: Linda Barros

"Muleques nem tão doidos assim".

06/10/2020 20h14 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Linda Barros
Linda Barros
Linda Barros

MULEQUES NEM TÃO DOIDOS ASSIM

LINDA BARROS,

Professora, atriz e membro da APB.

 

A maioria das pessoas que já passaram dos 40, provavelmente se lembrarão que era sagrado, no fim da tarde e início das noites de domingos, a família inteira reunir-se diante da tv para esperar por Os Trapalhões. Esse era um ritual quase obrigatório nos lares que possuíam um aparelho de televisão. Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, compunha a maior trupe de comediantes que a televisão brasileira já teve, embora pareça exagerado tal comentário, mas é quase impossível encontrar outra expressão, claro que muito tem a ver com o ponto de vista de cada um. O programa Os Trapalhões, quarteto criado por Wilton Franco, estreou em 1974 na extinta Tv Tupi, com enorme sucesso, foi levado mais tarde, em 1977, para a Rede Globo. Foram muitas décadas de histórias, de muito humor, diversão e alegria, sem contar o enorme carisma dos personagens que contagiavam a todos.

Atores convidados.

A nossa sofrida e quatrocentona cidade de São Luis, já foi campo fértil para inúmeros manifestações artísticas e culturais. Daqui já saíram grandes nomes na Literatura, como Ferreira Gullar, Gonçalves Dias, Os irmãos Aluísio e Arthur Azevedo. Na televisão e no teatro, temos jovens talentos que nos representam muito bem, como Deo Garcês, Breno Nina, Rômulo Estrela, na música temos Cláudio Fontana, Zeca Baleiro, a inconfundível Marrom Alcione, como ícones da MPB, e tantos outros nomes.

Na Terra das Palmeiras, na Atenas brasileira, na Ilha Rebelde, onde se fala o melhor Português do Brasil, também temos um dos melhores quartetos humorísticos da atualidade: Erlanes, Nikima, Sorriso e Guida Guevara. Esses artistas, que surgiram em meados de 2013, como um rabo de foguete, nos holofotes da telona, com o longa-metragem  Muleque Té Doido, o filme. O que era para ser apenas um filme sem maiores pretensões, foi um estrondo. Na opinião de Erlanes Duarte, idealizador do projeto, o que era “apenas uma paixão pelo cinema, um filme que fosse lançado no Maranhão e para o maranhense” se transformou em sucesso instantâneo, arrastando multidões por onde passa. Nessa correnteza de que os bons ventos trazem, veio junto o quarteto, caindo no gosto popular, por carregarem consigo, a nossa língua, nossos falares e nossas riquezas locais, como monumentos e personagens históricos. 

Os quatro intrépidos personagens trouxeram na bagagem, o que temos de mais peculiar, que é o nosso falar, nossas expressões. Quem não se lembra ou nunca teve a mãe com a japonesa na mão e gritando no meio da rua:

- “O que piqueno?” “Vem cá”! “Sou vô te dizer uma coisa: te digo nadinha”?!

E continuando escândalo, para nossa vergonha:

- “E ainda te digo mais: só te digo isso”!!!

Ou então a cara de espanto causado por qualquer bobagem que seja, soltamos um:

 _ Éguassssssss!!!!!!!  

Ou ainda 

_   Éguas doidoooooooo!!!!!

-  Agora lascou doido!!!!

- té doido é?

Não tem como não fazer uma analogia ao quarteto de humoristas mais importante de Brasil, Os Trapalhões. A tv brasileira, assim também como o cinema, tem suas histórias contadas a partir da aparição da trupe liderada por Didi (Renato Aragão). Com eles, o humor nacional ganhou formato, ganhou dinamicidade e principalmente humanidade e carisma, servindo como referência para outros artistas até hoje. 

Erlanes Duarte, idealizador do projeto Muleque té Doido, conta que devido ao enorme sucesso, acabou sendo expandido para uma quadrilogia - recentemente foi gravado o 4º e último filme da série - diz que a ideia primeira era apenas lançar um filme que falasse do maranhense, “que fomentasse a nossa cultura, nosso patrimônio artístico e cultura, da nossa ferramenta sociolinguística”. No entanto, vieram os recordes, “virou um sucesso estrondoso” diz ele. Ainda, segundo o ator, quando perguntado sobre semelhanças com Os Trapalhões, Erlanes disse que sim, “que teve influência direta os ídolos nacionais, assim como tantas outras estrelas que compõe o humor mundial”.

 Músico, cantor, roteirista, ator e também um dos protagonistas do filme, ERLANES Duarte é também um dos idealizadores e o diretor da saga Muleque te Doido. Além disse empresta seu nome para uma das personagens principais da história. A respeito do sentimento de pertencer à esse quarteto, ele diz que  “se sente feliz e satisfeito por fazer parte desse projeto, de ter idealizado, de ter interpretado e protagonizado e mais feliz ainda por estar ao lado de pessoas tão especiais que são os outros três companheiros, foi uma alegria muito grande”. Para ele, o sentimento de pertencimento, de valorização é o que mais encantou o público ludovicense, principalmente. 

Em meio a esse humor todo e alegria, temos o inconfundível SORRISO, interpretado por Marcos Santos. Com ele, esteja ou não no personagem, as gargalhas são garantidas. Marcos tem aquele feelling natural para o humor. O ator trabalha também em circo, ou seja, tem uma veia cômica natural. Sorriso é literalmente sorriso. Para o ator, “é um orgulho muito grande fazer parte dessa turma, me sinto muito feliz também por mostrar um pouco do que somos e do que temos para mostrar ao público”.  Por enquanto, ele segue com sua carreira, viajando e se apresentando nos palcos das arenas circenses.

Outro membro destes quatro hilários personagens, está NIKIMA, personagem vivido por Dorivaldo dos Santos. Nikima Krakelê, como é mais conhecido, é músico e percursionista, é o único da trupe que não é maranhense, nasceu em Sobradinho, Bahia. Estando na Terra das Palmeiras desde 2002, disse que se sente um bom maranhense, já incorporou os sotaques e as riquezas do Maranhão. Sobre tudo isso ele disse: “Me sinto muito bem, mesmo sendo de outro estado”.  Mas estar junto com os demais companheiros, o faz se sentir “parte desse povo, que me recebeu e me acolheu tão bem e me fez ver o quão importante sou, trazendo um pouco da cultura baiana, misturando à linguagem maranhense”. Hoje Nikima toca e comanda a Banda dá um Rolé, junto com outros músicos.

Fechando o elenco, temos a impagável e não menos importante GUIDA GUEVARA. Interpretada por Júnior André. Guida é literalmente aquela maranhense esparrosa, espalhafatosa, divertida, alegre e sem nenhum pudor em se expor. Arrasta, jovens e adultos por onde passa. Com muito bom humor e acessível quando é abordada, se diz “a pessoa mais realizada no mundo, pois com o quarteto, descobriu “o verdadeiro significado de amizade”.  Guida e seus bordões “iiiiiihhhhhh quiridaaaaa” ou “babado, boca de fuxico meu amor”. A receptividade principalmente das crianças é contagiante.  É corriqueiro encontrar Júnior André nas plataformas digitais om sua Guida Guevara, onde é digital influence.

E mesmo com todo sucesso que esses jovens artistas alcançaram, não perderam sua identidade. Eles continuam com suas vidas simples e pacatas como antes, não se deixando levar pela fama.  A simplicidade e a essência continuam a mesma, tendo plena consciência de saber de onde vieram, e que, não só hoje, mas como antes do sucesso, todos têm uma carreira e um legado que vão levar para o resto da vida.

E o sucesso retumbante de nossos quatro MULEQUE’s que não são tão doidos assim, caminham ou flutuam por águas maranhenses, é de encher de orgulho, não só aos maranhenses, mas a milhões de cinéfilos espalhados pelo país. 

E por enquanto, hem, hem,  chega.  Te doido é? Nã mermã, para bem ai¹. Nada a mais a dizer, só MORREU MARIA PREÁ!!

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