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Brasil MURAL DE OPINIÃO

"Quintana: Lágrimas nos olhos e mala na calçada", de Élle Marques

Textos escolhidos. Élle Marques.

17/10/2020 13h40 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Élle Marques.
Mario Quintana/efeitos: Élle Marques.
Mario Quintana/efeitos: Élle Marques.

QUINTANA: LÁGRIMA NOS OLHOS E MALAS NA CALÇADA...

Henrique Mann, que foi parceiro musical do poeta, desmente o texto que corre pela Internet...

 

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Por ÉLLE MARQUES (Jornalista convidada)

 

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Confesso que fiquei levemente emocionada com pequeno texto que recebi pelo WathsApp narrando um fato triste ocorrido na vida do poeta Mário Quintana. Este teria sido “despedido” às portas do Hotel Majestic no início da década de 80 sob o peso de palavras ofensivas, proferidas por um funcionário às portas do prédio onde o escritor havia morado por mais de uma década. No ato seguinte, Quintana é socorrido pela chegada do jogador Paulo Roberto Falcão, que soubera do fato e teria ido resgatá-lo de tamanha humilhação, num gesto generoso de eterno acolhimento, levando-o para morar por tempo vitalício no Hotel Royal, de sua propriedade. Quintana teria sido encontrado na calçada, a pé, atônito, com lágrimas nos olhos e com as malas no chão... Devido à credibilidade da fonte que me enviara o texto, também o repassei a alguns amigos e poetas, no intuito de dar ânimo aos que passam por dias difíceis como profissionais da escrita... Assim como eu muitos o fizeram, e a estória ganhou pernas pela internet espalhando-se rapidamente com comentários sinceramente comovidos, indignados.

Há poucos dias, emergiu outra versão sobre os fatos. Uma narrativa encorpada e testemunhal, com fontes e referencia, para recompor a biografia do poeta. O texto é assinado por Henrique Mann que foi parceiro musical do Mestre Mario Quintana em diversos trabalhos culturais e morou perto do Hotel Royal, propriedade de Falcão que teria mesmo acolhido de modo vitalício o escritor, mas em outras circunstâncias. Em publicação feita por Juca Kfouri, em seu blog, no 12/10/2020, a nova narrativa desconstrói o enredo do autor anônimo cuja “invencionice”, segundo Mann, em nada enobrece a biografia dos dois ilustres personagens nem faz justiça para com os familiares de Quintana que cuidaram dele até o fim dos seus dias, principalmente a sua sobrinha, Elena Quintana. Sobre o texto que circula pela rede, diz Mann: “Suponho que o autor, de boa fé e intenção, tenha “romantizado” por “licença poética”, a verdade dos fatos... Acho injusto que seja criada uma “lenda”, uma história inverídica, sobre a vida de um dos maiores poetas do idioma português”.

O antagonismo nas versões sobre a história do poeta gaúcho serve, no mínimo, para despertar a atenção dos seus leitores e admiradores. O texto anônimo pode provocar repercussões indesejáveis para a memória do ilustre escritor, assim como para os que nela trabalham, podendo “mexer” com o valor simbólico e consequente vitalidade da Casa de Cultura Mario Quintana, instalada justamente no Hotel Majestic, onde o homenageado morou de 1968 a 1980. Muitos seriam os prejuízos caso uma romântica “invencionice” fosse narrativa confirmada. O Prédio Casa que, segundo o “narrador anônimo”, teria desprezado Quintana em seu em tempos difíceis, foi comprado falido pelo governo do Rio Grande do Sul para abrigar a memória do escritor.

Polêmica, a história agora esclarecida, mostra-nos a força das narrativas poéticas e traz de volta à pauta o nome do imortal. Desperta o público para conhecer, rever sua obra, assim como para visitar a casa cultural que leva seu nome. A narrativa de Mann em honra à memória do amigo, falecido em 5 de maio de 1994/RS, faz jus a uma das célebres frases de Mario Quintana “A amizade é um amor que nunca morre” ...

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Tão logo eu tenha a oportunidade de visitar esse riquíssimo acervo, o farei. Confesso, entretanto, com todo respeito à memória do poeta, cuja obra eu também aprecio, que me será impossível deixar de parar à porta do Hotel Majestic e imaginar a cena do Quintana com lágrimas nos olhos e malas na calçada...

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Raquel Conti Há 2 anos atrásFlorianópolis SCParabéns pelo esclarecedor e belo texto. Mario Quintana é o supra sumo da nossa Literatura, exemplo jamais igualado. Sua memória será eterna, seus feitos históricos e, apesar das controvérsias, não é justo usá-lo como fake.
Johnny Leandro Ribeiro Almeida Há 6 anos atrásSpMário Quintana adoro seus textos me.inspiram a escrever. Grande nome da poesia Brasileira que inspira vários poetas inclusive a mim. Que em sua memória seja feita uma biografia limpa e sem mentiras para que todos admirem esse grande e fabuloso poeta.
madre Geralda PrazeresHá 6 anos atrássalvador bahia“A amizade é um amor que nunca morre” ... meu Deus. Como tu és bom. És manso e fez na terra hones como Mario Quintana. Um texto luxuoso, espectorante, aliviante. ainda bem que essas estórias da internet não vão pra frente por causa de pessoas como essa jornalista que escreve neste portal de amplo alcance. Estou emociada com este portal que vibra com a verdade e emocionada com este trabalho que faz a gente vibrar pela verdade. Aleluia, Jesus! Ainda tem gente de bem na Terra.
Carmen SantanaHá 6 anos atrásBrasília (do RGS) Alegrete.Nunca existiu isso. A internet é má. É coisa do Cão. Devemos ter o máximo de cuidado com o que a gente escreve pou fala. Toda uma reputação pode ir água a baixo se não prestarmos a atenção e sairmos compartilhando esses boatos: "Falcão tirou Mário Quintana das ruas após poeta ser despejado de hotel em 1983". É #boato. #Boato. Isso nunca existiu.
Jornalista Marlene TrunchoHá 6 anos atrásGrande Porto AlegreCaríssimos leitores, a situação relatada comoveu internautas e chegou a amigos próximos de Quintana. Em seu perfil oficial, o músico Henrique Mann diz que a história contada é uma inverdade. Isso porque o escritor foi convidado por Falcão para viver um período no Hotel Royal, de propriedade do ex-jogador, em dezembro de 1983. Na ocasião, Quintana já havia deixado o Hotel Majestic, onde viveu por quase 12 anos, e estava morando no Hotel Presidente. Não dá pra repassar tudo sem checar.
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