Convidado especial: Isaac Viana. "As Brasas", de Sándor Márai
De São Luís-Maranhão
26/10/2020 12h22
Por: Mhario LincolnFonte: Isaac Viana
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RESENHA:
Convidado especial: Isaac Viana. "As Brasas", de Sándor Márai
Dois velhos amigos, aos 75 anos de idade, se reencontram, após 41 anos e 43 dias sem se verem e terem notícias um do outro, numa sala de jantar num castelo na Hungria.
O castelo pertence a um deles, o general Henrik. Konrad, o amigo, havia sumido misteriosamente, e, agora, 41 anos depois, envia uma carta anunciando seu interesse em reencontrar o amigo.
Henrik, após 41 anos ansiando por esse reencontro, providencia que Konrad seja levado ao castelo. Pede que a governanta arrume a sala de jantar da mesma maneira como estava arrumada quando do último jantar do amigo ali, uma noite antes de desaparecer no mundo.
Isaac Viana.O general sempre soube que o amigo, algum dia, retornaria, afinal de contas foram amigos íntimos e inseparáveis dos 10 até os 34 anos de idade. Havia uma vida em comum, uma ligação, que, na concepção de Henrik, não permitiria que nenhum dos 2 morresse sem aquele derradeiro encontro.
Henrik passou os últimos 41 anos se preparando para esse encontro. Sozinho, descobriu (ou supõe ter descoberto) os motivos que levaram o amigo a sumir. No entanto, restam duas perguntas para as quais o general não tem respostas e quer ouvi-las da boca do amigo.
O romance psicológico do escritor húngaro Sándor Márai, "As Brasas" (1942), é profundo ao abordar temas como, por exemplo, amizade, infidelidade, ciúme e poder; disseca a natureza e a condição humana de modo singular numa narrativa densa e, ao mesmo tempo, fluida, conduzindo o leitor para dentro dos personagens e de si.
A primeira parte da obra é dedicada a apresentar os personagens, suas famílias, algumas vivências e tudo o que permitiu que a amizade entre eles se consolidasse como era, antes de Konrad partir.
Daí em diante, já no jantar, começa a conversa entre os dois. Conversa essa que, na verdade, é quase um solilóquio, já que Konrad quase não intervém, apenas ouvindo as muitas reflexões (e que reflexões!) de Henrik acumuladas ao longo desses 41 anos de espera.
Esse é um dos livros mais belos que já li. Um clássico que, mesmo após 40 anos proibido em sua terra natal - todas as obras de Sándor Márai foram proibidas na Hungria durante o governo comunista que controlou o país -, renasceu e mostra o poder universal e atemporal da boa literatura.
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Isaac VianaHá 6 anos atrásSão Luís - MAMuito obrigado a todos que comentam aqui. Estou no Instagram @_livramos_ para falarmos sobre livros.
Débora Furtado MoraesHá 6 anos atrásSão José de RibamarParece ser um livro belíssimo. Parabéns pela resenha!
Marcelo Gusmão, 32 anos, resenhistaHá 6 anos atrásVarginha (MG)Achei-o monótono. Mas depois do que li, aqui, vou reler. Li a primeira parte familiar.
Dr. Carlos Hoitter, médicoHá 6 anos atrásEstado de São PauloQue beleza. Há muito tempo não tinha mais ideia desse livro. Uma joia rara. Obrigado Isaac por me relembrar. Irei procurá-lo em minha Adega (Sim Adega). Lá guardo os mais preciosos volumes que possuo. em uma estante hermética. Deve estar por lá.