
Renata Barcellos (BarcellArtes - @prof.renatabarcellos)
“A leitura opera milagres na vida das pessoas!” Dinorá Couto Cançado
Dia 23 de abril, no teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, ocorreu a cerimônia onde a cidade se tornou Capital Mundial do Livro (título concedido pela Unesco). É a primeira de Língua Portuguesa a ser concedida esta condecoração. O vídeo pode ser assistido (https://www.facebook.com/watch/live/?ref=watch_permalink&v=1493206398321057&rdid=mSYyGRZkfkgKXuMM) para suas impressões. Durante o evento, diversas questões podem ser observadas. Pontuarei uma ao longo desta matéria para refletirmos. E o questionamento é: O Rio continua li(e)ndo lend(t)o!? Será mesmo? Vejamos a seguir! Quando se faz uma paráfrase com a música Aquele abraço de Gilberto Gil e diz “Rio continua lendo”, qual Rio foi considerado?
E, em termos de Prefeitura do Rio de Janeiro (a anfitriã), qual trabalho tem sido realizado pelas escolas efetivamente? Segundo uma avaliação, o SAEB 2023, do 2 ano, no Rio de Janeiro, apenas há 39,2 de alfabetizados. Trata-se de uma amostra para os municípios do índice de aproveitamento dos alunos em leitura e produção textual na rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. Vale ressaltar que o Decreto nº 11.556, publicado em 12 de junho de 2023, institui o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, um esforço colaborativo entre a União, Estados, Distrito Federal e Municípios com o objetivo de garantir o direito à alfabetização das crianças brasileiras até o final do 2º ano do ensino fundamental. Por onde anda este direito? A realidade é de analfabetismo funcional.
De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural, mostrou que, quando é uma proposta da escola, a motivação para a leitura alcançou apenas 12% dos discentes com 5 a 10 anos, 11% com idade entre 11 e 13 anos e 10% dos adolescentes. Triste realidade!!! Urge rever a lista de livros sugeridos!!!
Dentro da minha pratica docente, na escola de Ensino Médio onde atuo como professora de Literaturas e Língua Portuguesa, a cada ano que passa, verifico o desnível dos alunos nas habilidades de escrita e leitura. No que diz respeito à Literatura Infanto-Juvenil. Há muita produção a ser exploradas nas aulas. Essas obras chegam aos professores e, por consequência, aos alunos? Qual a qualidade do material? No Caderno pedagógico - Roda de leitura, da Prefeitura do Rio de Janeiro, muitos nomes sugeridos, desconheço vários. Fui pesquisar.
Para reverter esse quadro, é fundamental que a escola e os pais incentivem os estudantes a desenvolverem o gosto pelos livros durante a infância e a adolescência. Nesse sentido, a literatura infanto-juvenil não só contribui para que as crianças e os adolescentes desenvolvam o hábito de leitura, como também é crucial para a formação acadêmica e pessoal deles.
No Brasil, a Lei nº 8.069/1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é o principal marco legal que trata da proteção integral à criança e ao adolescente, incluindo o acesso à Literatura Infanto-Juvenil como um direito fundamental. Além do ECA, outras leis como a nº 10.639/2003 e a nº 11.645/2008 abordam a importância da inclusão de histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas na educação e na literatura, incluindo a Infanto-Juvenil.
No Brasil, os precursores da Literatura-Infantil são Alberto Figueiredo Pimentel e Carlos Jansen. Estes adaptaram contos europeus para o público infantil. No entanto, o escritor considerado o "pai da literatura infantil brasileira" é Monteiro Lobato. Vamos retificar a historiografia!
E, afinal, qual é a linha temporal dos precursores da Literatura-Infantil?Alberto Figueiredo Pimentel: adaptações de textos europeus, como "Contos da Carochinha". Carlos Jansen: "Contos seletos das mil e uma noites". Olavo Bilac: "Poesias Infantis". Tales deAndrade: também contribuiu com obras para o público infantil.
Manuel Bonfim: escritor e poeta que também abordou a temática infantil. Júlia Lopes de Almeida: uma das grandes figuras entre os precursores na criação de uma literatura essencialmente brasileira. Viriato Correia: publicou poemas e histórias infantis, exemplo: Cazuza. Monteiro Lobato: traduziu obras europeias, adaptando-as ao público brasileiro e à linguagem infantil. Criou personagens e histórias que retratavam a realidade brasileira, com elementos como o Jeca Tatu. Outros autores que contribuíram para a Literatura Infantil brasileira: Cecília Meireles: escreveu poemas e livros infantis, como "Um Sonho de Nariz", apreciados até hoje. Mário Quintana: também criou poemas e histórias para crianças, como "O Fantasma do Papel", conhecido por sua escrita poética. Ana Maria Machado: uma das escritoras mais importantes da Literatura Infantil brasileira, com obras como "Cachinhos Dourados e as Outras Histórias", conhecidas por sua linguagem acessível e criativa. Ziraldo: criador do personagem "Menino Monstro", que se tornou um ícone da literatura infantil.
Maurício de Sousa (citado na cerimonia de abertura do Rio Capital Mundial do Livro): criador da Turma da Mônica, uma das séries mais populares da literatura infantil brasileira. E, na contemporaneidade, há escritores fazendo a diferença como SHARLENE SERRA (@sharlenelserra - nasceu em São Luís do Maranhão, graduada em Desenho Industrial, Pedagogia e especialista em Educação Inclusiva. Atualmente, reside em Brasília. Formadora e palestrante educacional. Escritora com 08 livros publicados. Idealizadora do projeto Geração de escritores. Autora da Coleção Incluir, livros que abordam sobre inclusão, tem participação em antologias nacionais. Autora Premiada. É membro da Academia Poética Brasileira – PR; Vice-presidente da AJEB –Associação de Jornalistas escritoras do Brasil seccional - MA); membro de outros sodalícios literário, presidente da Academia Maranhense de Letras Infanto-Juvenil- AMLIJ, membro da Associação Nacional de Escritores- ANE (Brasília-DF), da Academia Inclusiva de Autores Brasiliense- AIAB, UBE -União Nacional de Escritores (São Paulo-SP).
A coleção Incluir é composta por estes 05 livros cuja proposta é de crianças sem deficiência conhecerem e aprenderem a conviver com as diferenças: OLHANDO COM RITINHA: abordagem para a DEFICIÊNCIA VISUAL. OUVINDO COM VITÓRIA: abordagem para a DEFICIÊNCIA AUDITIVA. CAMINHANDO COM PAULO: abordagem para DEFICIÊNCIA FÍSICA. APRENDENDO COM BIEL: abordagem sobre DEFICIÊNCIA INTELECTUAL. E INTERAGINDO COM LUCAS - abordagem sobre AUTISMO (TEA). Devido a sua luta em prol de uma literatura inclusiva, 06 de abril é o Dia Municipal da Literatura Inclusiva. Instituído pela Lei nº 6.398/2018, de autoria da vereadora Concita Pinto. Segundo Sharlene Serra, esta data “celebra não apenas o pioneirismo na literatura inclusiva em São Luís do Maranhão, mas também reforça a importância da acessibilidade atitudinal na literatura — quebrando barreiras e promovendo empatia, representatividade e inclusão. Mais do que adaptar textos, a literatura inclusiva transforma vidas, convidando a sociedade a enxergar o outro nas suas mais diversas condições. Uma homenagem para evidenciar através da literatura que todas as vozes merecem ser lidas, ouvidas e valorizadas”. Viva a literatura inclusiva!!!
Outros projetos a serem exaltados são de Dinorá Couto Cançado (@dinora.couto - mineira de Bom Despacho, mora em Brasília/DF. Pedagoga, agente cultural em literatura, gestão, pesquisa, capacitação e produção cultural. Membro-fundadora da Biblioteca Braille Dorina Nowill, da Academia Inclusiva de Autores Brasilienses e do PIEI: Prêmio Internacional de Espírito Inclusivo. Tem livros publicados e projetos, como: Acessibilidade cultural com Livros; Brasília, capital das leituras… Também membro fundadora Biblioteca Braille Dorina Nowill).
Vale destacar a Lei Brasileira de Inclusão (LBI): Lei nº 13.146/2015). E também este ano de 2025 ser de comemoração dos 8 anos da AIAB, uma das primeiras bibliotecas inclusivas. Conforme Dinorá Couto Cançado, a ampliação do número de membros titulares, beneméritos e correspondentes é “uma meta contínua levada adiante com a execução de vários projetos ao ano. O 1º deles é o Carnalivro, um movimento social, inclusivo e cultural que une a literatura ao carnaval e outras artes integradas. Também a celebração das principais semanas nacionais (Museus, Arquivos, Primavera...) mas o que dura quase o ano todo é o PIEI: Prêmio Internacional de Espírito Inclusivo que mantém a mesma característica do projeto inicial da Biblioteca”. Leia a entrevista completa em JORNAL TERRA DA GENTE EDIÇÃO DIGITAL Nº 284.pdf (disponível no FACEBOOK).
Dinorah e Sharlene são dois exemplos de mulheres resilientes. Lutam em prol não só das literaturas como também da inclusão das pessoas com deficiência. Sempre estão envolvidas em novos projetos. Vislumbrando novos horizontes em prol de seus ideias. Encontram inúmeras pedras no caminho. Já tropeçaram e tropeçam, mas não desistem. Pelo contrário, se fortalecem e persistem. São mulheres como essas exemplos a serem seguidos e reconhecidas. Não estão nos centros de pesquisa como professores universitárias, coordenadoras de grupo de pesquisa ou em cargos públicos de liderança nesta área, mas de forma intuitiva estão pondo em prática as normas quanto à inclusão social. Se cada um de nós tiver uma iniciativa, o mundo será muito melhor. E, assim, se poderá dizer que o “Rio continua li(e)ndo”. Almeja-se que não só a cidade mas também todo o território brasileiro inclusive as literaturas indígenas.
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