
Raimunda Frazão, poeta, cordelista, ativista cultural e membro da Academia Poética Brasileira.
MARIA DE SEMPRE
Maria de Sempre
A mãe de Jesus,
Sofreu vendo o filho
Pregado na cruz,
Para dar ao Mundo
A Divina Luz.
Maria de hoje
Mãe do cheira cola,
Pela dor que sente
Ninguém a consola,
O filho decadente
Pede até esmola.
Maria que sofre
Uma grande aflição,
Por ver o seu filho
Dentro da prisão,
Em cada visita
Nova humilhação.
Maria espancada
Pelo companheiro,
A quem dedicou
Amor verdadeiro,
Pensa em si depois
E nele primeiro.
Maria que vê
Pessoas queridas,
Pela violência
Sendo destruídas,
Guardando lembranças
Das horas vividas.
Maria que sofre
Na fila do SUS,
Que com paciência
Carrega sua cruz,
Suportando dores,
Lembrando Jesus.
Maria com filhos
Para sustentar,
Procura trabalho,
Nada de encontrar,
Que passa até fome
Para os alimentar.
Maria ajoelhada
Chora aos pés da cruz,
Pedindo socorro
À Mãe de Jesus,
A Mãe de nós todos
Que é fonte de Luz.
Maria que vê
O filho inocente,
No asfalto estendido
Vítima de acidente,
Só Deus e ela sabem
A dor que ela sente.
Maria que em tragédia
O filho perdeu,
Que até hoje chora,
Nunca o esqueceu,
Ela não entende
Como aconteceu.
Maria que vê
O filho drogado,
Mesmo violento
Por ela é amado,
Mesmo maltratando-a
Ele é perdoado.
Maria que sofre
Discriminação,
Por ser preta e pobre,
Quanta humilhação,
Ver os filhos humilhados
Aumenta a aflição.
Maria estuprada
Transa sem querer,
Só por não ter força
Para se defender,
Do ato violento
Jamais vai esquecer.
Mãe do Salvador
Vem nos amparar!
Nosso sofrimento
Queira minorar!
Peça a Vosso Filho
Para nos ajudar!
Raimunda Frazão.
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