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Brasil JOAQUIM HAICKEL

Linda Barros escreve sobre o Imortal da Academia Maranhense de Letras, poeta Joaquim Haickel

Convidada Especial

09/11/2020 19h55 Atualizada há 6 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Linda Barros
Joaquim Haikel
Joaquim Haikel

AS MUITAS FACES DE JOAQUIM HAICKEL

                                                                                         Linda Barros, Professora e Atriz

                                                                    

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Nos percalços da vida, cada um escolhe o percurso a seguir, assim, cada pessoa tem sua própria história a ser contada. Nesses percursos, é possível ter desvios ou outras rotas a seguir. Esses percursos podem ser percalços para uns e no fim todos têm uma história para contar.

E no limiar do horizonte terá sempre uma luz que acende o holofote na vida de cada um. No entanto quando você já tem luz própria, esse caminho a ser trilhado deixa muitas marcas, seja na política, na história ou na literatura. E o clarão é maior ainda quando uma só pessoa constrói sua carreira em vários seguimentos. Assim é a vida deste ilustre cidadão maranhense, Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel.

Joaquim Haickel, como é mais conhecido pela sociedade ludovicense, é multifacetado, é dono de uma carreira consolidada principalmente na política. No entanto, este artigo não tem a intenção nem a pretensão de mostrar o político, mas sim o intelectual que se transformou ao longo dos anos.

Autora: Linda Barros.

Haickel é membro da Academia Maranhense de Letras, ocupando a cadeira de número 37. Honra que alcançou graças à consolidada carreira literária. Nascido em São Luís, filho de Nagib Haickel e Dona Clarice Pinto, Joaquim Haickel é poeta, contista, cronista e cineasta. Fundou e dirigiu a revista Guarnicê, que circulou na capital maranhense durante a década de 80. Entre meados de 83 e 90, editou vários livros de autores maranhenses. O escritor é também membro da Academia Imperatrizense de Letras, desde 2006, ocupando a cadeira de número 47.

Como escritor, Haickel é autor de Confissões de uma caneta, contos, obra que foi premiado no Concurso Cidade de São Luís; O quinto cavaleiro, poemas; Garrafa de ilusões, premiado no concurso SECMA/SIOGE/Civilização Brasileira; Manuscritos, poemas; Antologia erótica, poemas; Clara cor-de-rosa, contos; Saltério de três cordas, poemas, este em parceria com Rossini Corrêa e Pedro Braga; A ponte, contos. Entre tantas obras e entre tantos prêmios recebido, Haickel é um grande colaborador para a arte e a cultura maranhense, levando aos quatro cantos uma história de vida bem contada e bem narrada, fazendo prevalecer um homem das letras, sucumbindo um pouco o lado político.

Na poesia, o cineasta carrega um profundo regozijo, em versos simples, mas com significação nas bordas, como mostra os versos de DESENCONTRO, poema que está inserido na obra Contos, Crônicas, Poemas & Outras Palavras:

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Como te levar

para o futuro

se eu morro

todo dia

no passado

ansiando

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por mais um

mísero segundo

de presente

junto a ti?

 

Nele o autor se questiona sobre a nossa própria existência, acreditando que, vivemos em um futuro incerto. E com um tom de pesar, Haickel nos mostra em RAIO-X, poema da mesma obra anteriormente mencionada, que inevitavelmente o tempo passa para todos nós:

O acúmulo de dias

Fez-me velho.

 

Velho me fez,

transparente.

 

De transparente

Fiquei

Invisível

 

Com ótimo jogo de palavras, o poeta descreve a angústia que é envelhecer, sabendo que não temos outra saída, a não ser se deixar vencer pelo Tempo, pois esse é o  senhor de todas as coisas e de todas as horas e que, por mais que queiramos não conseguimos pará-lo.

E como num prelúdio do entardecer, Haickel aparece para compor um cenário que até então era visto tão somente como político. No entanto, os holofotes estão aí para acompanhar e iluminar esse artista versátil e criativo.

Nas artes visuais, o escritor e contista tem grande relevância para memória cultural do Maranhão. Foi o idealizador e fundador da Fundação Nagib Haickel, com o intuito de promover a educação, a cultura e a cidadania; é também responsável pelo Museu da Memória Audiovisual do Maranhão – Mavam, órgão responsável por difundir a memória e a cultura maranhense.

E como num frame de ação cinematográfico, Joaquim Haickel desponta como roteirista, diretor e cineasta ao produzir “The Best Friend”, O amigão, pela Guarnicê Produções, curta-metragem de 5 minutos, que conquistou os prêmios de melhor filme do júri popular e melhor filme de cineasta maranhense do júri oficial. Também pela Guarnicê Produções idealizou “Padre Nosso”, curta-metragem também vencedor de prêmios; “Pelo Ouvido”, de 2008, foi selecionado para mais de 120 festivais, ganhando 19 prêmios; entre tantas produções cinematográficas, podemos também destacar “Redenção”, um curta-metragem celebrado e premiado em diversos países.

Em suas mais recentes produções está o filme\documentário Celso Antônio, brasileiro, dirigido por Beto Matuk, filme que narra a vida do escultor maranhense Celso Antônio de Menezes (1896-1984). Nesse filme, como disse o crítico e escritor José Neres, “Celso Antônio, Brasileiro pode servir como porta de entrada para a leitura do livro Um gênio esquecido: Celso Antônio e o Modernismo, da autoria de Eliezer Moreira Filho, e para o resgate de tantos outros artistas que merecem um olhar mais atento para sua vida e sua obra”.

O mais recente trabalho da produtora Guarnicê Produções é o aclamado “Aquarela” de Al Danúzio, que participou do Festival de Cinema de Gramado, ganhando dois Kikitos, o maior prêmio do cinema nacional.

Portanto, Joaquim Haickel é pura versatilidade em sua vida e obra, carregando um legado no nome, desde o político, o cineasta, o produtor, o diretor, o roteirista, o cronista, o poeta e acima de tudo de um grande intelectual nas letras ludovicenses.

 

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Rilnete de Melo- Escritora Cordelista Há 6 anos atrásPindaré mirim Maranhão Tive o prazer de ser conterrânea do Joaquim Haickel na cidade de Pindaré mirim ,tenho lido suas obras e observado que ele conserva a postura simples e humilde dos "Haickel" ,seja na habilidade política ou na reverência literária.Linda Barros você foi brilhante ao falar desse intelectual que merece reconhecimento.
Linda BarrosHá 6 anos atrásSão Luís/ MAAgradeço imensamente os comentários e dizer que Joaquim Hackel é um dos grandes nomes da intelectualidade contemporânea. Muitos o conhecem tão somente como político, mas ideia primeira desde artigo foi mostrar um outro lado e também como disse, mostrar a versatilidade do mesmo. O admiramos muito como pessoa, como ser humano gentil que ele é. Não poderia mais uma vez agradecer este espaço que é importante para todos nós. Muito grata!
José NeresHá 6 anos atrásSao Luís - MAHaickel é um bom prosador, um poeta lúcido, cronista de estilo vívido e claro... A autora do artigo fez um ótimo recorte da vida e da obra desse homem de letras que leva a porticidade tanto para a uma folha de papel quanto para as telas de um cinema ou da internet.
Ronaldo Guilherme da Silva PintoHá 6 anos atrásPaço do Lumiar MANão podia ser melhor retratado, senão por esta versátil exposição de vida obra pela pena da multifacetada (também), Lindalva Barros. Parabéns, Professsora! Você me inspira.
Teté MunhozHá 6 anos atrásSão José dos Campos SPNão demora. este portal é muito bom. Melhor com você.
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