AS MUITAS FACES DE JOAQUIM HAICKEL
Linda Barros, Professora e Atriz
Nos percalços da vida, cada um escolhe o percurso a seguir, assim, cada pessoa tem sua própria história a ser contada. Nesses percursos, é possível ter desvios ou outras rotas a seguir. Esses percursos podem ser percalços para uns e no fim todos têm uma história para contar.
E no limiar do horizonte terá sempre uma luz que acende o holofote na vida de cada um. No entanto quando você já tem luz própria, esse caminho a ser trilhado deixa muitas marcas, seja na política, na história ou na literatura. E o clarão é maior ainda quando uma só pessoa constrói sua carreira em vários seguimentos. Assim é a vida deste ilustre cidadão maranhense, Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel.
Joaquim Haickel, como é mais conhecido pela sociedade ludovicense, é multifacetado, é dono de uma carreira consolidada principalmente na política. No entanto, este artigo não tem a intenção nem a pretensão de mostrar o político, mas sim o intelectual que se transformou ao longo dos anos.
Haickel é membro da Academia Maranhense de Letras, ocupando a cadeira de número 37. Honra que alcançou graças à consolidada carreira literária. Nascido em São Luís, filho de Nagib Haickel e Dona Clarice Pinto, Joaquim Haickel é poeta, contista, cronista e cineasta. Fundou e dirigiu a revista Guarnicê, que circulou na capital maranhense durante a década de 80. Entre meados de 83 e 90, editou vários livros de autores maranhenses. O escritor é também membro da Academia Imperatrizense de Letras, desde 2006, ocupando a cadeira de número 47.
Como escritor, Haickel é autor de Confissões de uma caneta, contos, obra que foi premiado no Concurso Cidade de São Luís; O quinto cavaleiro, poemas; Garrafa de ilusões, premiado no concurso SECMA/SIOGE/Civilização Brasileira; Manuscritos, poemas; Antologia erótica, poemas; Clara cor-de-rosa, contos; Saltério de três cordas, poemas, este em parceria com Rossini Corrêa e Pedro Braga; A ponte, contos. Entre tantas obras e entre tantos prêmios recebido, Haickel é um grande colaborador para a arte e a cultura maranhense, levando aos quatro cantos uma história de vida bem contada e bem narrada, fazendo prevalecer um homem das letras, sucumbindo um pouco o lado político.
Na poesia, o cineasta carrega um profundo regozijo, em versos simples, mas com significação nas bordas, como mostra os versos de DESENCONTRO, poema que está inserido na obra Contos, Crônicas, Poemas & Outras Palavras:
Como te levar
para o futuro
se eu morro
todo dia
no passado
ansiando
por mais um
mísero segundo
de presente
junto a ti?
Nele o autor se questiona sobre a nossa própria existência, acreditando que, vivemos em um futuro incerto. E com um tom de pesar, Haickel nos mostra em RAIO-X, poema da mesma obra anteriormente mencionada, que inevitavelmente o tempo passa para todos nós:
O acúmulo de dias
Fez-me velho.
Velho me fez,
transparente.
De transparente
Fiquei
Invisível
Com ótimo jogo de palavras, o poeta descreve a angústia que é envelhecer, sabendo que não temos outra saída, a não ser se deixar vencer pelo Tempo, pois esse é o senhor de todas as coisas e de todas as horas e que, por mais que queiramos não conseguimos pará-lo.
E como num prelúdio do entardecer, Haickel aparece para compor um cenário que até então era visto tão somente como político. No entanto, os holofotes estão aí para acompanhar e iluminar esse artista versátil e criativo.
Nas artes visuais, o escritor e contista tem grande relevância para memória cultural do Maranhão. Foi o idealizador e fundador da Fundação Nagib Haickel, com o intuito de promover a educação, a cultura e a cidadania; é também responsável pelo Museu da Memória Audiovisual do Maranhão – Mavam, órgão responsável por difundir a memória e a cultura maranhense.
E como num frame de ação cinematográfico, Joaquim Haickel desponta como roteirista, diretor e cineasta ao produzir “The Best Friend”, O amigão, pela Guarnicê Produções, curta-metragem de 5 minutos, que conquistou os prêmios de melhor filme do júri popular e melhor filme de cineasta maranhense do júri oficial. Também pela Guarnicê Produções idealizou “Padre Nosso”, curta-metragem também vencedor de prêmios; “Pelo Ouvido”, de 2008, foi selecionado para mais de 120 festivais, ganhando 19 prêmios; entre tantas produções cinematográficas, podemos também destacar “Redenção”, um curta-metragem celebrado e premiado em diversos países.
Em suas mais recentes produções está o filme\documentário Celso Antônio, brasileiro, dirigido por Beto Matuk, filme que narra a vida do escultor maranhense Celso Antônio de Menezes (1896-1984). Nesse filme, como disse o crítico e escritor José Neres, “Celso Antônio, Brasileiro pode servir como porta de entrada para a leitura do livro Um gênio esquecido: Celso Antônio e o Modernismo, da autoria de Eliezer Moreira Filho, e para o resgate de tantos outros artistas que merecem um olhar mais atento para sua vida e sua obra”.
O mais recente trabalho da produtora Guarnicê Produções é o aclamado “Aquarela” de Al Danúzio, que participou do Festival de Cinema de Gramado, ganhando dois Kikitos, o maior prêmio do cinema nacional.
Portanto, Joaquim Haickel é pura versatilidade em sua vida e obra, carregando um legado no nome, desde o político, o cineasta, o produtor, o diretor, o roteirista, o cronista, o poeta e acima de tudo de um grande intelectual nas letras ludovicenses.
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