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José Sarney e a canção paterna que transforma a poesia em luz universal

Em recente encontro que teve com a filha Roseana, na época, em tratamento de saúde, Sarney deixou escapar um detalhe interessante: “no meu poema -Canção Maior para Roseana-, eu fui profético, quando falei de seu sorriso”.

10/05/2026 às 11h20 Atualizada em 10/05/2026 às 13h26
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria do Facetubes
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José Sarney e Roseana Sarney
José Sarney e Roseana Sarney

Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes.(*)

"(...) Em “Canção Maior para Roseana”, o poeta José Sarney ilumina a alma existencial com ternura memorialista; o diálogo com Bandeira confirma a força clássica de sua dicção com seus íntimos laços de afeto. (...)". Mhario Lincoln.

Ainda ressoa a frase do pai José Sarney, quando Roseana estava hospitalizada para tratamento de saúde. ele disse: "(...) quando escrevi o poema para o sorriso de Roseana, fui profético (...)", falando do poema Canção Maior para Roseana.

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A partir daí, a editoria do Facetubes decidiu analisar tal frase e falar um pouco do Sarney poeta, a partir do que seus críticos falam ou escrevam ao longo dos tempos. Sarney é, por eles, considerado um poeta com estilo orgânico e ligado às suas conjecturas regionais de origem.

Por essa razão, José Sarney pode ser um poeta que reinventa a cidade onde viveu (e vive), entrelaçando de forma direta as emoções, paladares, cheiros e vivências existenciais. Um dos grandes exemplos disso está às páginas 129/130 de seu livro “Saudades Mortas”, edição de 202, da editora ARX, no poema  Canção Maior para Roseana.

 

Nele (inclusive citado na postagem do Instagram), José Sarney faz duas coisas ao mesmo tempo: converte a casa maranhense em geografia afetiva; e outra: constrói um relógio poético novo para enxergar melhor o seu mundo lírico, após o nascimento da filha Roseana.

O poema se ergue como grande acalanto, de linguagem nítida e cadência discreta, no qual guarás, garças, aboios e lendas reencenam a infância como um teatro de maravilhas. Na verdade, uma das belezas dessa construção está na simplicidade como o poema é trabalhado. “Pausas no tempo certo, imagens líricas precisas, emoção explícita, como se fosse um memorial sensitivo que inscreve seu amor a Roseana e a seu existencialismo regional, no seu mapa íntimo.”, como escreveu o jornalista e poeta Mhario Lincoln, editor-sênior desta Plataforma.

E isso se pode sentir claramente no verso que abre o poema: “Há em minha sombra, agora, / a claridade de pequeninos gestos / construindo o tempo, / invadindo o campo dos meus olhares.” É a imagem da filha, iluminando a sombra do pai e reorganizando seu mundo pelo afeto; daí em diante, é a fantasia quem assume a batuta: “e o polichinelo governa o tempo”, como que reinventando fábulas.

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Na segunda metade, a voz emadurece em confissão de entrega — “Anjo e pássaro agora sou” — e o sorriso de Roseana “prolonga / além do dia, além da noite, além da morte”, movendo o poema para equinócios de verão.

 

Essa arte de transformar o cotidiano em mistério aproxima Sarney de uma linhagem cara à Academia Brasileira de Letras, em que sobressaem a lírica familiar de Guilherme de Almeida e a sacralização da infância em Jorge de Lima. E, no modernismo, Manuel Bandeira é o espelho fraterno: também nele a cidade natal, a fala do povo e o rumor da casa erguem um arquivo de memória; se Bandeira aposta no coloquial programático e na invenção do verso livre, Sarney prefere o memorial elegíaco, a música contida, a imagem de contorno clássico. Em ambos, porém, a substância é a mesma: “linguagem viva a serviço do pertencer”, complementa Mhario Lincoln.

Pois bem! Relembrada sutilmente por José Sarney nessa postagem do “Instagram”, Canção Maior para Roseana confirma o melhor de José Sarney. Na opinião de vários críticos, ele é um poeta que domina o “emotivar-se” através dos gestos perceptivos de um poeta, aproveitando-se do ruído ao seu derredor.

Destarte, ao celebrar a filha, ele devolve à poesia sua vocação primordial que é guardar o que passa naquele exato momento, como o obturador da câmera fotográfica que ao se abrir e fechar, eterniza o flash.

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(*) Crédito editorial e organização: texto organizado pela Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes.

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alcina maria silva azevedoHá 8 meses Campinas- SPMhario Lincoln, analisou profundamente, a poesia do nosso grande poeta José Sarney, do qual sou fã incondicional. Vejam a riqueza no seu versejar homenageando sua filha: " Anjo e pássaro agora sou, e o sorriso de Roseana prolonga além do dia, além da noite, além da morte".
Silvânia TamerHá 8 meses São LuisParabéns amigo Mhário, você fez uma análise perfeita sobre a celebração que o Presidente Sarney fez para a sua filha Roseana. Adorei. Você é genial.
Keila Marta Há 8 meses São LuísQue análise Divina, isso é possível graças a essas duas combinações: um escritor/poeta de mão cheia e um poeta/analista de primeira categoria conduz as palavras como uma bordadeira conduz a agulha com a linha formando um belo desenho. Sim Sarney é um dos nossos bons poetas, minha mãe sempre lembra que ela admira a escrita de Sarney desde quando lera Maribondos de fogo livro de poemas, eu já tive contato com seu texto em prosa: Saraminda. E inesquecível porque foi meu passaporte para as Letras.
Joizacawpy Há 8 meses São luís Um texto muito oportuno para o que vivemos no agora. Sarney enaltecendo a imagem da filha, sim uma menina nasceu, uma mulher floresceu. O pai que tem sentimentos e amor por uma filha, ainda vivemos numa sociedade em que o masculino predomina nas importâncias, nós mulheres aos poucos estamos vencendo e conquistando espaço. Sarney com essa atitude me faz lembrar meu pai, são quatro filhas de quem ele tem um amor profundo e muito orgulho. Parabéns pela matéria.
Lurdinha SaldanhaHá 8 meses Belo Horizonte MGSarnbey é um homem talentoso no que tange à Literatura sim. É bom ver o Sarney como poeta.
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