
Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes.(*)
"(...) Em “Canção Maior para Roseana”, o poeta José Sarney ilumina a alma existencial com ternura memorialista; o diálogo com Bandeira confirma a força clássica de sua dicção com seus íntimos laços de afeto. (...)". Mhario Lincoln.
Ainda ressoa a frase do pai José Sarney, quando Roseana estava hospitalizada para tratamento de saúde. ele disse: "(...) quando escrevi o poema para o sorriso de Roseana, fui profético (...)", falando do poema Canção Maior para Roseana.
A partir daí, a editoria do Facetubes decidiu analisar tal frase e falar um pouco do Sarney poeta, a partir do que seus críticos falam ou escrevam ao longo dos tempos. Sarney é, por eles, considerado um poeta com estilo orgânico e ligado às suas conjecturas regionais de origem.
Por essa razão, José Sarney pode ser um poeta que reinventa a cidade onde viveu (e vive), entrelaçando de forma direta as emoções, paladares, cheiros e vivências existenciais. Um dos grandes exemplos disso está às páginas 129/130 de seu livro “Saudades Mortas”, edição de 202, da editora ARX, no poema Canção Maior para Roseana.
Nele (inclusive citado na postagem do Instagram), José Sarney faz duas coisas ao mesmo tempo: converte a casa maranhense em geografia afetiva; e outra: constrói um relógio poético novo para enxergar melhor o seu mundo lírico, após o nascimento da filha Roseana.
O poema se ergue como grande acalanto, de linguagem nítida e cadência discreta, no qual guarás, garças, aboios e lendas reencenam a infância como um teatro de maravilhas. Na verdade, uma das belezas dessa construção está na simplicidade como o poema é trabalhado. “Pausas no tempo certo, imagens líricas precisas, emoção explícita, como se fosse um memorial sensitivo que inscreve seu amor a Roseana e a seu existencialismo regional, no seu mapa íntimo.”, como escreveu o jornalista e poeta Mhario Lincoln, editor-sênior desta Plataforma.
E isso se pode sentir claramente no verso que abre o poema: “Há em minha sombra, agora, / a claridade de pequeninos gestos / construindo o tempo, / invadindo o campo dos meus olhares.” É a imagem da filha, iluminando a sombra do pai e reorganizando seu mundo pelo afeto; daí em diante, é a fantasia quem assume a batuta: “e o polichinelo governa o tempo”, como que reinventando fábulas.
Na segunda metade, a voz emadurece em confissão de entrega — “Anjo e pássaro agora sou” — e o sorriso de Roseana “prolonga / além do dia, além da noite, além da morte”, movendo o poema para equinócios de verão.
Essa arte de transformar o cotidiano em mistério aproxima Sarney de uma linhagem cara à Academia Brasileira de Letras, em que sobressaem a lírica familiar de Guilherme de Almeida e a sacralização da infância em Jorge de Lima. E, no modernismo, Manuel Bandeira é o espelho fraterno: também nele a cidade natal, a fala do povo e o rumor da casa erguem um arquivo de memória; se Bandeira aposta no coloquial programático e na invenção do verso livre, Sarney prefere o memorial elegíaco, a música contida, a imagem de contorno clássico. Em ambos, porém, a substância é a mesma: “linguagem viva a serviço do pertencer”, complementa Mhario Lincoln.
Pois bem! Relembrada sutilmente por José Sarney nessa postagem do “Instagram”, Canção Maior para Roseana confirma o melhor de José Sarney. Na opinião de vários críticos, ele é um poeta que domina o “emotivar-se” através dos gestos perceptivos de um poeta, aproveitando-se do ruído ao seu derredor.
Destarte, ao celebrar a filha, ele devolve à poesia sua vocação primordial que é guardar o que passa naquele exato momento, como o obturador da câmera fotográfica que ao se abrir e fechar, eterniza o flash.
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(*) Crédito editorial e organização: texto organizado pela Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes.
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