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Brasil OBRAS ORIGINAIS

O prazer de ler palavras e pensamentos originais em uma grande obra clássica.

“Lê-las diretamente da forma como foram escritas, com palavras originais, muitas vezes traduzidas de forma adaptável, acabam por impedir o leitor de absorver o néctar intestino do pensamento original do autor”. (Mhario Lincoln).

29/12/2025 20h03 Atualizada há 7 meses atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
Dra. Elizabeth Casimiro e o Edgar Allan Poe original.
Dra. Elizabeth Casimiro e o Edgar Allan Poe original.

*Mhario Lincoln

 

Claro que não se trata aqui de soberba ou classicismo adjudicante. Porém, ao longo dos últimos anos tenho começado a formar uma biblioteca diferenciada. Na medida do possível tenho ganho livros de pessoas amigas que viajam para o exterior e conseguem trazer edições nativas (em idioma original) de grandes nomes da Literatura Universal. Por exemplo “Nietzsche para Iniciantes/Assim Falou Zaratustra/Uma introdução à leitura”, de Rüdiger Schmidt e Cord Spreckelsen (dtv). Confesso que tal livro básico tem me proporcionado conhecimentos que nunca imaginei ter, em outros livros. A partir desse, com certeza, vou entendendo melhor o pensamento de Nietzsche.

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Outro livro que também já está em minha biblioteca de (originais) é o incrível “Don Quijote de La Mancha” (Reducción de la inmortal obra, hecha por Ramón Gómes de La Serna, da Visor Livros), a mim presentado pelo poeta, novelista e autor de peças do teatro espanhol Juan Bote Valero. E por que incrível?

 

Na verdade, essa obra, tornou mais fácil e legível o meu entendimento verdadeiro de Quixote, preservando o puro estilo de Cervantes. Um livro-guia original que tem me dado um maior esclarecimento de alguns pontos que antes discutia sem firmeza.

 

Confesso que fiz muita força mental para ler Quixote por inteiro; todavia, labirintos próprios da complexibilidade da obra sempre me impuseram obstáculos. Porém, com esse presente do poeta espanhol Juan Valero, agora, tenho lido uma versão de um Quixote completo, mas, ao mesmo tempo, o tenho encarado como um ‘romance moderno’, através das mãos de Ramón Gómes de La Serna.

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Desta vez, a Dra. Elizabeth Casimiro, vinda de N.York, me trouxe o original de Edgar Alan Poe (foto). Essa edição de fôlego reúne poemas e contos célebres de Edgar Allan Poe, “Annabel Lee”, “The Raven”, “To Helen”, “MS. Found in a Bottle”, “The Fall of the House of Usher”, “The Murders in the Rue Morgue”, “The Tell-Tale Heart” e “The Gold-Bug”, entre outros, além de ensaios fundamentais como “The Philosophy of Composition” (1846) e “The Poetic Principle” (1850).

 

E o mais legal: inclui ainda a resenha de Poe sobre Twice-Told Tales, de Hawthorne, e uma seleção de cartas a editores, amigos, à esposa e a Sarah Helen Whitman. (Aliás, Sarah Helen Power Whitman, foi uma poetisa e ensaísta estado-unidense, inserida nos movimentos transcendentalista e espiritualista. Manteve uma relação sentimental com o escritor Edgar Allan Poe). Assim, a grande diferença é, primeiro, ler o original; segundo, a edição é única, porque cada peça vem precedida de nota editorial, compondo um panorama coerente da invenção formal e do imaginário sombrio que fizeram do autor, um classista moderno.

É dela (publicado como Valentine), os seguintes versos em homenagem a POE:

 

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Ao gênio de Poe.
"As palavras da tua 'Corvo', com voz a cantar,
Um eco na minha alma, a me cativar.
Um amor que nasceu, em versos a brilhar,
Por este gênio que o universo me fez amar."

 

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Nascido em 1809, em Boston, filho de atores, Poe logo conhece o abandono do pai e a morte da mãe por tuberculose. Órfão, é acolhido pelo mercador John Allan, com quem vai à Grã-Bretanha e, de volta a Richmond, matricula-se na Universidade da Virgínia (1826), interrompida por dívidas de jogo. Em 1827 alista-se no Exército sob o pseudônimo Edgar A. Perry e publica, anonimamente, Tamerlane and Other Poems. Depois vêm Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems (1829) e Poems (1831); a passagem tumultuada por West Point termina em corte marcial e expulsão, mas o vocabulário poético de Poe já mostra ambição e singularidade.

 

Esse livro traz muita coisa interessante sobre Poe. As intimidades, os convívios, a história natal, a convivência humana e outros detalhes, fazem qualquer leitor conhecer muito mais o autor, antes de criticá-lo ou amá-lo. Pois bem! Foi nessa obra que fiquei sabendo de muitas intimidades, que nunca havia lido em outras publicações, como por exemplo: em Baltimore, sob o abrigo da tia Maria Clemm, Poe inaugura a grande fase de contista. “MS. Found in a Bottle” (1833) lhe rende prêmio e portas na imprensa — Southern Literary Messenger, Burton’s Gentleman’s Magazine, Graham’s Magazine. Casa-se com a prima Virginia (1836), publica seu único romance completo, The Narrative of Arthur Gordon Pym (1838), e, em sequência, consolida o gótico com “The Fall of the House of Usher” (1839) e o programa estético de Tales of the Grotesque and Arabesque (1840). Nutre o sonho, nunca realizado, de uma revista própria (The Penn/The Stylus) enquanto refina o conto como instrumento de “unidade de efeito”.

 

Já em Nova York, alcança fama nacional: “The Murders in the Rue Morgue” (1841) inaugura o detetive analítico Dupin; “The Gold-Bug” (1843) populariza criptogramas; e “The Raven” (1845) explode em notoriedade. À frente do Broadway Journal, revê textos, dedica The Raven and Other Poems a Elizabeth Barrett e formula, em “The Philosophy of Composition” (1846), sua poética de concisão e método. A doença e morte de Virginia (1847) precipitam instabilidade; o ambicioso Eureka (1848) não encontra acolhida.

 

Delirante nas ruas de Baltimore, morre em 7 de outubro de 1849, sob mistério. Porém, décadas depois, a musicalidade dos poemas, a precisão dos contos e a invenção do raciocínio detetivesco continuam a influenciar e a gelar a espinha.

 

Por isso, essas obras têm enriquecido meus conhecimentos. Lê-las diretamente da forma como foram escritas, com palavras originais, muitas vezes traduzidas de forma adaptável, acabam por impedir o leitor de absorver o néctar intestino do pensamento original do autor.

 

Obrigado a todos os amigos que têm me trazido presentes tão significativos.

 

 

*Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.

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Joizacawpy Há 10 meses atrásSão luís Obrigada por dividir conosco um pouco dessas riquezas que chegam em vossas mãos.
Esmeralda Costa Há 10 meses atrásCAMPOS SALESThis is wonderful!
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