Andréa Motta
Presidente da União Brasileira de Trovadores
O material ora apresentado retrata o resultado de ações voluntárias, realizadas pela União Brasileira de Trovadores Seção Curitiba, junto a comunidades com alto grau de risco e vulnerabilidade social e colégios, da Capital e Região Metropolitana.
Importa salientar que a Arte, através das suas diversas modalidades artísticas passa a ser instrumento de transformação e representa um papel imprescindível no processo de sensibilização das sociedades. O contato de cada indivíduo com a música, a poesia ou uma pintura/escultura, implica em uma apreciação que envolve aspectos cognitivos, afetivos e sociais a partir de seus referenciais histórico-culturais.
Por sua vez, o trabalho criativo com a literatura, principalmente com a poesia, pode viabilizar a maior participação de todos os envolvidos no processo ensino-aprendizagem e agir diretamente na qualidade do ensino de Língua Portuguesa oferecido, na formação de leitores e, principalmente na formação de cidadãos críticos, conscientes de sua condição social.
A partir do exercício da poesia, é possível que os jovens refletiam sobre seu papel enquanto sujeito transformador e responsável pela construção de uma nova sociedade.
Os textos produzidos retratam conflitos sociais, ideologias, anseios, apontando muitas vezes, saídas que devem ser valorizadas. Como se vê, por exemplo, nas trovas de Gabriela Godoi (10 anos) - Eu quero viver na terra. / Tendo paz, respeito e amor. /Sem armas, ódio e sem guerra. /será o mundo acolhedor. E Luana dos Santos (14 anos): O menino da favela /chora aflito e com receio./O que era paz, se revela,/ em um grande tiroteio.
O trabalho com a literatura não pode ater-se a mera prática de decorar e declamar poesias de forma mecânica, descontextualizada, sem sentido nem sentimento. Sem emoção não há criação. Trabalhar a poesia e, a partir dela, abrir as portas para as várias leituras que se apresentam em nosso dia-a-dia, faz sentido quando a proposta é a de educar para o mundo.
O ensino da arte poética cumpre uma função social na medida em que revela o modo de perceber, sentir e articular significados e valores que governam os diferentes tipos de relações entre os indivíduos na sociedade.
A possibilidade de trazer novos significados às palavras, de reinventar seu sentido em um contexto pessoal, faz da poesia uma forma de expressão diferente, cheia de simbologias.
A gama de diferentes emoções que a poesia traduz é o que seduz para o verdadeiro aprendizado.
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A autora: Natural de São Paulo, capital. Reside em Curitiba. Graduada e Pós-graduada em Direito. Em sua trajetória literária, obteve várias premiações. Autora do livro Natureza Íntima (Poemas Curtos), com participação em inúmeras coletâneas impressas e digitais, é organizadora de títulos. Titular da cadeira n. 30 da Academia Paranaense da Poesia, do Centro de Letras do Paraná e Presidente da União Brasileira de Trovadores – Seção Curitiba e Nacional.
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