Resenha: "Menino de Engenho"
Isaac Viana
"Menino de Engenho" (1932) é o primeiro romance de José Lins do Rego. Conta a história de Carlinhos, entre os seus (mais ou menos) 4 e 12 anos.
O menino vê a mãe morta, assassinada pelo pai, no chão de casa. Tido por louco, o pai vai para um hospício. O menino vai para o engenho de cana-de-açucar do avô, onde fica sob tutela de uma tia, irmã da mãe.
É nesse engenho que o autor nos apresenta a realidade do contexto histórico do Brasil no início do século XX. Os engenhos perdem força diante do surgimento das usinas. Os senhores de engenho ainda abrigam os negros que, após a abolição da escravatura, não têm opção melhor do que permanecerem nos engenhos, oferecendo mão-de-obra em troca de moradia e comida.
Nesse contexto, Carlinhos passa sua infância, e início da adolescência, descobrindo a vida rural, extraindo dela ora o bem ora o mal. A ingenuidade de sua infância, que encontra eco nas belezas naturais, é confrontada com o constante sentimento de solidão que o assola, fazendo dele um garoto melancólico e, assim, suscetível ao despertar prematuro para o sexo.
José Lins do Rego, com escrita clara e fluida, além de transportar o leitor para um tempo e um espaço específicos da história do Brasil, leva-o para a interioridade de um garoto que cresce em conflito consigo após tantas perdas significativas.
Sendo a obra de caráter autobiográfico, Carlinhos também representa o próprio autor, o que, talvez, faça do romance algo ainda mais interessante, justificando tamanha beleza que o escritor consegue imprimir em suas palavras; fazendo pressupor que apenas alguém que tenha vivido esses acontecimentos seja, de fato, capaz de escrever sobre eles com tanta vivacidade e paixão como se observa em "Menino de Engenho".
Apaixonante.
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