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O fundador de “O Pasquim”, ensinou um país inteiro a ler a política por meio do riso

Dia 24.11. Jaguar completa 3 meses de falecimento. O jornalista e editor Mhario Lincoln visitou um dos locais onde Juagar frequentava, quando vinha a Curitiba PR: “Bar Otelo”, na Alameda Dr. Carlos de Carvalho.

26/11/2025 às 09h29 Atualizada em 26/11/2025 às 10h31
Por: Mhario Lincoln Fonte: Facetubes
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Montagem em cima de fotos Google (Divulgação).
Montagem em cima de fotos Google (Divulgação).

Editoria da Plataforma Nacional do Facetubes.

 

"...entre a ousadia estética e a sombra de vícios culturais de seu tempo — ajuda a ler melhor Jaguar. Sua pena foi decisiva para sofisticar a sátira política brasileira, mas também habitou a fronteira porosa onde a ironia de época pode ressoar como agressão no presente". 

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Desde 24 de agosto de 2025 quando Jaguar morreu aos 93 anos, a memória dele ainda mobiliza a cultura brasileira e imortaliza ainda mais “O Pasquim”, Semanário que se tornou símbolo de resistência criativa à ditadura.

 

Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe — o Jaguar — irrompeu no humor gráfico brasileiro desde os anos 1950, quando começou a publicar na Manchete, e consolidou um estilo inconfundível de traço e pensamento satírico. O pseudônimo, que viraria assinatura histórica, foi sugestão do cartunista Borjalo, numa linhagem que o ligaria para sempre ao jornalismo de invenção e irreverência.

 

Como fundador e alma do “Pasquim”, Jaguar ajudou a desenhar uma linguagem que afrontava o poder com humor anárquico, sem panfletarismo, e abriu caminho para gerações seguintes. De seus cadernos saíram personagens que entraram no folclore do cartum nacional — do rato Sig ao Gastão, o Vomitador, passando por Bóris, o homem-tronco, Capitão Ipanema e as aranhas Jacy e Hélio. É um repertório que, décadas depois, ainda explica por que sua obra parece ter mais de um autor dentro do mesmo artista.

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Há quase 3 meses, a despedida foi marcada por manifestações de pares que dimensionam esse legado. Angeli, referência da mesma linhagem, escreveu: “Adeus ao maior. Todas as reverências ao carinhoso mestre, dono do traço mais rebelde do cartum brasileiro.” Laerte, em entrevista à GloboNews, definiu o “Pasquim” como um “Monte Olimpo” e disse que Jaguar era “um deus muito especial, acolhedor”. No balanço da história, poucos artistas receberam, em vida e morte, tamanha unanimidade afetiva entre quem sabe o peso de um traço.

 

"Bar Otelo", em Curitiba-PR

A unanimidade, porém, nunca foi regra fora da roda de amigos — e o próprio “Pasquim” seguiu atravessado por debates que seguem até hoje. Uma literatura crítica produzida desde os anos 2000 aponta que o jornal, em diversos momentos, reproduziu posições machistas e homofóbicas ao satirizar feminismo e homossexualidade, num evidente choque entre sua verve libertária contra a ditadura e a cultura política de parte de sua redação. Em formulação sintética, Bernardo Kucinski descreveu “O Pasquim” como “machista”, fazendo do feminismo e do “homossexualismo” objetos de chacota — um diagnóstico duro que não apaga a relevância do periódico, mas relativiza o mito ao recolocá-lo no contexto de sua época.

 

Esse tensionamento — entre a ousadia estética e a sombra de vícios culturais de seu tempo — ajuda a ler melhor Jaguar. Sua pena foi decisiva para sofisticar a sátira política brasileira, mas também habitou a fronteira porosa onde a ironia de época pode ressoar como agressão no presente. Reconhecer o conjunto não diminui o artista: amplia o entendimento do que foi necessário — e do que faltou — à imprensa de humor que ousou desafiar a censura.

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Na matéria de sua biografia, ficam os marcos objetivos: o carioca nascido em 1932, que começou a publicar em 1952, que se fez fundador do semanário que ensinou um país a ler a política por meio do riso, e que partiu sob a comoção de colegas e leitores. O obituário oficial reforça o quadro clínico da morte; a cobertura pública confirmou o adeus no Memorial do Carmo; a memória dos cartuns seguirá circulando em capas, acervos e timelines. Entre a devoção dos pares e as críticas históricas, sobrevive um consenso possível: Jaguar foi um capítulo decisivo do humor brasileiro — e continuará sendo lido como tal.

 

 

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Socorro Guterres Há 7 meses Natal/ RNÓtima lembrança do humor irreverente e da crítica política do "Pasquim", sob resenha perfeita de Mhario Lincoln.
Jornalista Setembrino ConceiçãoHá 7 meses Salvador BahiaParabéns mestre Mário. Perfeita análise e boa recordação num país que não tem memória.
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