
João Ewerton, da Academia Poética Brasileira. (APB-MA).
Peço licença à minha querida e sensata audiência, que acompanha com interesse genuíno a minha jornada amazônica neste canal, para dar um recado a uns vermes que saíram das latrinas do inferno para vir verter ódio nos comentários do episódio passado.
Diante das agressões verbais gratuitas e inoportunas, senti o dever imperioso de fazer um desagravo público contra esses abutres cegos, que andam com as cabeças enterradas nas carcaças podres da estupidez e se julgam, por isso, como grandes pensadores, quando não passam de cérebros de vacas loucas no delírio da hora da morte, sem concatenar suas ideias com qualquer coisa real.
Nessa agonia mórbida, tentam atingir com palavras chulas e adjetivos obscenos aqueles que prosperam e conseguem espaço no cenário nacional, tão impossível para cada um deles. A esses miseráveis de alma e de talento, deixo claro que esta coluna, "Água e Folhas do Amazonas", foi criada com um propósito claro: disseminar conhecimento, celebrar a beleza da natureza e a riqueza deste pedaço magnífico do Brasil chamado Amazonas, portanto, um propósito longe de qualquer paixão partidária ou bairrismo raso, que eu mantenho longe do teor que tenho explorado.
A esses espectros da inveja patológica e de um mórbido complexo de inferioridade, reafirmo, quero deixar claro que não escrevo para eles, e muito menos aceitaria as suas opiniões, pois só me interessam as palavras de seres humanos equilibrados, dignos e cultos; desses cérberos cegos ensandecidos, nunca solicitei nem aceitarei opinião, até porque eu não estudei para dialogar com toupeiras.
A acusação absurda que me fizeram, dizendo que eu prestigio o Amazonas e desprezo o Maranhão, meu estado natal, não apenas é falsa, como é um atestado de ignorância rasteira desses nazifascistas, cegos pela lavagem cerebral que esses idiotas receberam em grupos de WhatsApp bolsonaristas, suas únicas fontes de informação sobre o mundo, não o real, mas um paralelo criado por notícias falsas e aberrações que alimentam o ódio, o preconceito e toda sorte de vibrações trevosas que compõem a alma desses pobres de direita.
Para esses tapurus da latrina de Belzebu, deixo claro, de uma vez por todas, e em termos inequívocos:
1. Não pedi e nunca pedirei a opinião de vocês. Esta coluna é um espaço para seres humanos normais, sensíveis, racionais e interessados em conhecimento. Não é um consultório para psicopatas desequilibrados que projetam suas frustrações de forma covarde, atrás de um teclado.
2. Comentar asneiras contra mim por aqui é perder tempo, pois os comentários que se desviem do foco civilizado para o ataque pessoal e gratuito nunca serão postados. Pior (ou melhor) para os senhores: sequer chegarão ao meu conhecimento. A administração do site tem ordens expressas e irredutíveis de deletar tais manifestações de baixo nível e não me publicar nenhuma delas. Seu ódio será, literalmente, apagado na escuridão, sem público, sem plateia e sem a minha atenção, que é, no fundo, o que tanto desejam.
3. Por fim, desejo que morram afogados em seus próprios vômitos envenenados, pois somente vocês os merecem, e até os esgotos do inferno os rejeitam.
Este espaço é e sempre será um território da razão, da ciência e do respeito. Aos que se sentem ofendidos pela excelência e pela imparcialidade do trabalho aqui apresentado, sugiro que canalizem suas energias desequilibradas para a sua genitora que não soube criá-los como seres sãos, porque aqui não florescerão. Que a infelicidade que tanto cultivam seja o alento de vocês para sempre.
Agora, sim, retomemos nosso propósito, nessa jornada serena pelo maravilhoso rio Amazonas, que impulsiona suas águas indiferente a todas essas almas doentias.
Depois de um dia a bordo do *São Bartolomeu*, já no fim da tarde, nos aproximávamos para atracar no porto de Óbidos: A Guardiã do Rio que se estreita, pois nessa região o gigante de águas barrentas decide se conter. É em Óbidos que ele quase sussurra, apertando-se entre as margens verdes até parecer um espelho estreito e profundo. Dizem que ali ele chega a cem metros de fundura — e com certeza, ali, sob as suas águas líquidas, se escondem segredos muito antigos, pois a história desse lugar singular começou com os Pauxis, os donos originais dessa terra, que viram chegar os perigosos homens de batina preta no final do século XVII.
Os jesuítas plantaram uma cruz e uma missão, e a aldeia se viu obrigada a adotar a alma europeia a peso do derramamento de sangue dos inocentes nativos.
Ainda sem nome de cidade, mas já com o destino traçado pela geografia que a colocava como um ponto estratégico para a defesa dos interesses portugueses. Porque Óbidos não foi fundada por acaso. Ela nasceu da necessidade dos invasores vigiarem essa porta de entrada do colossal Amazonas. Assim, em 1758, os portugueses, sempre atentos, a batizaram com o nome de uma vila portuguesa — Óbidos —, mas deram a ela uma vocação brasileiríssima: a de sentinela. Construíram o Forte de Gurjão, ergueram canhões apontados para o rio e dali controlavam quem subia e descia, ou quem ousava desafiar a Coroa que estava se apropriando do maior rio do mundo.
Nos tempos de glória, quando a borracha era ouro negro e o Amazonas fervilhava de vapores, Óbidos floresceu. Não apenas de comércio, mas de ideias. Tornou-se uma pequena “república” à margem dos grandes centros, com seus intelectuais, seus jornais, seus salões. Chegou a receber cientistas europeus, que anotavam em cadernos as espécies da floresta, enquanto o cheiro do cacau e da seringa se misturava às essências infinitas que pairavam pelas noites, invadindo os salões e as alcovas dos moradores das margens do rio e da selva.
Mas com o declínio da borracha, Óbidos adormeceu. O rio, que outrora trouxera os saqueadores, seguiu seu curso, agora mais silencioso, contudo, continua trazendo e levando as esperanças e os sonhos dos habitantes dessa solene cidade.
Hoje, as paredes dos casarões coloniais da cidade, alguns já ruíram, outros resistiram, como a Igreja de Sant'Ana, que, com o conjunto existente, nos dão noção da grandeza e do apogeu do passado, que, como as águas do rio, a cada hora descem para mais distante, enquanto as novidades do presente continuam chegando em cada navio que ancora em seu solitário porto.
Hoje, a cidade de Óbidos ainda guarda certa atmosfera de outrora, o que se pode ver desde o cais, de onde se avista, um pouco adiante do rio, o início de uma das suas ruas de paralelepípedos, entre a margem da selva e do rio, como uma poesia composta pela sua história única, guardando o estreito do Amazonas, aquele que os antigos diziam ser a “chave do rio”, pois Óbidos não é apenas uma cidade. É uma guardiã. Está ali, há séculos, lembrando a todos que, ali, até o titânico Amazonas, por um instante, se contém submisso aos pés da enigmática Óbidos.
Torna-se impossível continuar esse trecho da história sem falar de um rapaz ensimesmado que embarcou no porto de Óbidos. Um jovem mestiço, atarracado, pretenso novo ídolo do sertanejo, segundo pude captar na sua conversa com uma trinca de moças brancas que estavam vindo de Manaus.
O sujeito era muito narcisista, embora sua aparência física e, muito menos de alma, nada tivessem para favorecer tal sentimento. Logo que chegou com a sua bagagem e a sua rede, ele tratou de se aportar ao lado de onde as jovens estavam e ficou entre eu e elas, mas sequer me dirigiu qualquer palavra. E hoje agradeço por isso. Em poucos segundos, ele quase se autoproclamava como o rei das moças. O falante moço vociferava sobre a sua carreira como cantor sertanejo e deixava claro que o caminho para o estrelato sertanejo era o glamour e a ostentação, não economizando palavras para descrever para as garotas o novo visual que ele iria comprar em Belém.
Ele falava com tanta vaidade que sua expressão mantinha o aspecto de quem revelava ao mundo os segredos secretos de estilo único e inovador.
— A jaqueta será de couro sintético! Não é qualquer uma — é daquelas com franjas balançando nos braços e nas costas, como os caubóis do passado, mas com o brilho plastificado pra dar firmeza! — dizia com muita convicção, enquanto as garotas se entreolhavam discretamente, contendo o riso para não rirem na cara dele.
E, como um bom grupo de amigas, sempre tem uma que dá corda para quem quer se enforcar. Uma delas disse com convicção perversa:
— Mas a calça vai ser justa, não é?
— Claro! — afirmou o rapaz sem noção.
— Acho muito massa — afirmou a garota, enquanto cutucava a perna da amiga que estava pendurada pelo lado de fora da rede, sem que o rapaz visse, ao mesmo tempo que pareciam projetar o visual no corpo do mesmo, imaginando o desastre que seria o traje naquele corpo descuidado, com excesso de peso e de volume, e as pernas bem desnutridas como dois palitos de churrasquinho.
— A calça terá “rasgões artísticos” nos joelhos e nas coxas, porque isso “valoriza o movimento no palco”. — explicou eufórico.
— E o que você vai calçar com essa roupa? — indagou uma das garotas.
— Já comprei um par de botas de camurça, que vou usar com uma meia verde-limão.
— Verde-limão? — indagou uma das meninas, fazendo cara de estranhamento e sorrindo.
— Sim! O sertanejo moderno é ousado, brother! Também vou usar um chapéu de um material que reluz com “as luzes” do palco, com uma faixa de pedra brilhante de strass. — afirmou eufórico, encarando as moças, buscando confirmar que todas tinham aprovado e estavam admiradas com o seu visual.
Mesmo não tendo uma reação satisfatória por parte das garotas, que já estavam pra explodir de vontade de rir, o jovem sem noção continuou:
— Vou usar um cinto largo de couro de jacaré, com uma fivela bem grande com as iniciais do meu nome artístico: “LB”.
— Mas qual é o seu nome artístico? — indagou a mocinha mais quieta.
— Lindolfo Batista — respondeu orgulhoso, e continuou com avidez: — Meu produtor tá pensando ainda como vai ser o meu colar pra combinar com esse visual. Mas eu boto fé que vai impactar geral... Principalmente junto com os óculos escuros espelhados, daqueles que refletem a plateia, porque “o artista tem que se proteger dos holofotes”. — explicou com muita categoria.
São “artistas” como esse celerado os ídolos desses mal-amados nazifascistas, os bilionários da miséria, que fazem os comentários sem noção em blogs de cultura.
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