Poeta João Batista do Lago indica:
TEXTO DE AUTORIA DE CLEBER MENDES SILVA
Ilustração: Google
Eu, tu, nós NEGROS E NEGRAS BRASILEIROS ( AS), qual a nossa origem, história e cultura? Quais nossos valores ? Como agimos e reagimos, sobretudo no que diz respeito ao RACISMO e ANTIRRACISMO ? Como nós nos autopercebemos ? Enfim, qual nossa identidade?
Conhecer e compreender as respostas à essas questões, são o objeto primeiro do construir uma CONSCIÊNCIA NEGRA, por parte de nós, NEGROS!
O segundo, contribuir com os não negros, para compreenderem que:
a) somos todos humanos, dotados das mesmas dimensões - física, emocional, espiritual e cognitiva - cujas diferenças, ao manifestarem-se, guardam relações diretas com o cultivar de cada uma e de todas citadas perspectivas, em razão das condições de igualdades/desigualdades, sociais e econômicas disponibilizadas e não devido à quantidade de melanina existente na pele;
b) enquanto cristãos - negros e não negros - somos irmãos, filhos de Deus e portanto IGUAIS, merecedores de convivermos nos mesmos ambientes e nas iguais condições de oportunidades e riscos ( ainda uma utopia, sonho possível e necessário).
Como nós os negros, podemos ajudar a materializar esse sonho, há muito sonhado ? Por meio de ações atitudinais/comportamentais - não praticando com os outros, ações que não gostaríamos que fizessem conosco; agindo e reagindo com prudência e compreensão da realidade envolvida, mas quando necessário, lutando pelo que consideramos certo e justo, não fugindo ao embate e sempre buscando afirmar e reafirmar nossa identificação e induzindo, os não negros, a descongelarem a base cultural que os leva a comportamentos impróprios e condenáveis, por racistas - “ovelha negra” “negro de coração branco” “neguinho saliente” “macaco”, “negro não é gente”, “negro é preguiçoso”, “negro não aprende, é burro”, “negro é bandido”, “o ser humano encerra em si algo negro e por isso admite na sociedade as forças policiais e militares, se assim não fosse, estas seriam dispensáveis”, a preciosidade “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas” - e introduzir novos valores culturais da igualdade na diversidade.
O desafio é extenso, profundo e complexo. Hodiernamente a realidade exige estratégias mais bem construídas, dadas às personalidades que estão na governança do país, o presidente é recorrente em manifestações RACISTAS e o vice presidente, acaba de afirmar: “Para mim, no Brasil não existe racismo", ao comentar o assassinato de João Alberto Silveira Freitas.
Não surpreende, deixa-nos atônitos é verdade, mas anima-nos e une-nos cada vez mais, no compromisso que tivemos, temos e teremos com a memória dos ideais de ZUMBI DOS PALMARES !
O ANJO NEGRO,
de Maria José da Silva
O Anjo Que Nunca Fui
(Maria José da Silva)
Quando eu era pequenina
Um Anjo queria ser.
Porém, nunca deixaram
Eu não sabia porque.
Certa vez alguém, me disse...
Como um Anjo queres ser
Já viste um Anjo Negro?
É melhor ti esquecer.
Naquele dia eu chorei.
Foi grande a decepção!
Eu sou queria ser um Anjo
E sair na Procissão.
Hoje eu seu,
Que o Preconceito existe
É triste, porém verdade.
Eu era apenas uma criança
Que sonhava sem maldade.
Maria José da Silva
Ouça o Poema da imortal APB Raimunda Frazão.
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