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‘Enamorados’: a catarse romântica de Luís Henrique em pleno mundo digital

Livro de 2018 expõe, com lirismo irreverente, a coragem de distinguir desejo e amor num tempo de afetos líquidos.

28/11/2025 08h00 Atualizada há 11 meses atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln (autor)
Mhario Lincoln, Paulo Rodrigues e Luis Henrique (Santa Inês-Ma/2018).
Mhario Lincoln, Paulo Rodrigues e Luis Henrique (Santa Inês-Ma/2018).

*Mhario Lincoln, presidente da Academia Poética Brasileira.

 

Conheci o poeta Luiz Henrique quando estive em Santa Inês (MA) para participar de um encontro literário promovido pelo premiado poeta e escritor Paulo Rodrigues. Fui agraciado com um exemplar desse livro;  "Enamorados", de 2018, onde o poeta, faz algo raro: assume-se, sem disfarces, como um apaixonado em voz alta. 

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Logo na apresentação, ele confessa ser “um enamorado incorrigível” e reivindica para si uma “pitada de romantismo nesse nosso mundo tão digital”, em que o toque e o olhar são substituídos por telas apressadas. 


Esse gesto inicial não é mero prólogo; é uma declaração de método. O poeta avisa ao leitor que o livro nasce de uma necessidade de se abrir para o mundo, de transformar o acúmulo de carinho guardado no peito em verbo direto, coloquial, por vezes irreverente, mas sempre ancorado numa afetividade sem vergonha de se assumir.


Um dos cartões de visita dessa catarse é o texto “Sinônimos para amor”. Em vez de recorrer ao dicionário, Luís Henrique elenca gestos: proteger, não abandonar, fazer sorrir, evitar chorar, não enganar, não iludir, não fazer sofrer. O amor aparece como prática, não como substantivo abstrato. Porém, ao concluir que “pode ser tudo / mas AMOR… não é não!”, o poeta desmonta a ilusão de que qualquer afeto serve. 

Uma demonstração salutar de que há uma ética rígida, quase um código de conduta, escondida atrás do tom simples. O que ele escreve: "o amor não tolera descuido, negligência ou jogo de cena; exige presença radical, compromisso com a inteireza do outro".


Em “Exclusividade”, essa ética se transforma em corpo, espaço e renúncia. O eu lírico interpela a pessoa amada que ousa falar em “infelicidade” e a convida a olhar para o “tanto de gente que tem nesta cidade”. Entre todos, é ela – “tu, somente tu” – quem tem a nudez do poeta atravessando a casa, quem recebe a devoção do “bicho alado que, por devoção a ti, renunciou as próprias asas”. 


O verso é de uma força simbólica rara: amar, aqui, é escolher perder altitude para ganhar presença, trocar a fantasia da liberdade ilimitada pela concreção de um tu. Há ternura e há risco; ao abdicar das asas, o sujeito se entrega a uma vulnerabilidade sem garantias, e é nessa zona perigosa que o livro insiste em permanecer.

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O diálogo que o volume estabelece com outros poetas reforça essa tensão entre querer e amar. Em “Bem Querer (Ao Adônis)”, de Pedrinho Terra, o verso destacado – “Quero-te, não te amo!” – abre uma fissura poderosa. O poema começa nesse aparente distanciamento, mas vai sendo tomado por uma onda de luz que “atinge o mais profundo de mim”, até que o coração “empedernido” se deixe atingir. 


O movimento é de conversão afetiva: o sujeito que separava o desejo do amor, termina confessando, com limpidez rara na poesia contemporânea, “Te amo! Mais que te quero.” A presença deste texto ao lado de Luís Henrique não é casual: juntos, eles escancaram o percurso do afeto que sai do impulso, atravessa o medo e chega à palavra “amor” sem eufemismos.


O resultado de Enamorados é esse mundão de gestos, confissões e pequenos manifestos que, somados, formam uma grande catarse romântica. Eu simplesmente adorei os poemas, caro amigo Luís Henrique porque você não teme o sentimental, não teme a palavra “carinho”, não teme escrever “simplesmente”. 


Justamente por isso alcança uma coragem que falta a muitos: a de assumir o amor como escolha adulta, responsável, mas ainda assim arrebatada. 


Texto de Mhario Lincoln, jornalista e poeta, editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes e presidente da Academia Poética Brasileira.

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alcina maria silva azevedoHá 11 meses atrásCampinas- SPPARABÉNS POETA LUIZ HENRIQUE. FALAR DE AMOR É SÓ PARA QUEM SABE AMAR E, VC DEMOBSTRA SER UM POETA ENAMORADO.
Prof Amadeu JacinthoHá 11 meses atrásUSP São Paulo Simone de Bouvoir escrevia seus textos na mesma linha. Viu Henrique. Continue e serás um dos grandes poetas desse século. Cada poeta tem seu estilo.
Luiza GarcêzHá 11 meses atrásSão Luís Ma Gostei muito da maneira como o poeta constrói seus versos..uma catarse destemida.
Lucas CoiffeurHá 11 meses atrásSanta Inês MaUm texto de muita coragem por parte dos poeta. Eu queria amar assim.
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