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“Janela de Vidro”, poesia de Joema Carvalho reflete impermanência, renascimento e a força simbólica da metamorfose

Entre estilhaços, borboletas e sombras, Joema Carvalho traduz em versos a fragilidade das certezas e a beleza da transformação, lembrando que a poesia não se explica: apenas revela a essência da impermanência.

27/11/2025 às 09h21 Atualizada em 28/11/2025 às 08h43
Por: Mhario Lincoln Fonte: Joema Carvalho/Mhario LIncoln (autores)
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Arte: mhl/GINAI
Arte: mhl/GINAI

 

Mhario Lincoln

A poesia “Janela de Vidro”, de Joema Carvalho, abre-se como metáfora da fragilidade e da transformação. A janela quebrada simboliza o rompimento de barreiras, o estilhaçar de certezas, permitindo que o “movimento mental” se expanda em voo. 

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E como é inevitável não incluir filosofia, não há como não relacionar esse insight poético com o pensamento de Nietzsche, que via na destruição das velhas estruturas a possibilidade de criação de novos valores. E como diz o ditado popular, “quando uma porta se fecha, uma janela se abre” — aqui, a janela não apenas se abre, mas se quebra, revelando que a liberdade exige ruptura.

No segundo momento, a imagem da borboleta que emerge do casulo evoca a metamorfose como processo inevitável da vida. A lagarta grotesca, que se transforma em beleza alada, lembra a lição budista da impermanência: nada permanece igual, tudo se renova. Comparativamente, Heráclito já afirmava que “ninguém entra duas vezes no mesmo rio”, pois tanto o rio quanto o ser estão em constante mudança. 

Os versos seguintes aprofundam a reflexão sobre a transitoriedade: “depois da crença de que tudo é impermanente, sem valor intrínseco”. Essa visão dialoga com a filosofia oriental, especialmente o budismo, que ensina que o apego às coisas é fonte de sofrimento. Ao mesmo tempo, aproxima-se do existencialismo de Sartre, que vê o ser humano condenado à liberdade, sem essência pré-definida. 

Por fim, é chegada a afirmação de que “um poema não se explica, traduz a base”. Aqui, Joema Carvalho, imortal da Academia Poética Brasileira, seccional Paraná, sugere que a poesia é experiência, não conceito; é vivência, não teoria. Comparando com Platão, que via a arte como sombra da realidade, e com Fernando Pessoa, que dizia “o poeta é um fingidor”, percebemos que a poesia é ao mesmo tempo máscara e revelação. 

Então, porque não fechar com um conhecido ditado popular que diz: “quem canta seus males espanta”. Isso vem reforçar a ideia de que a arte não resolve, mas traduz, dá forma ao indizível. Parabéns, pois, Joema Carvalho por seu poema “Janela de Vidro”, lá no fundo,  uma meditação sobre a quebra, a metamorfose e a essência da poesia como espelho da impermanência.

Eu gosto muito quando você envia seus poemas e eu analiso de coração e alma.

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Mhario Lincoln, editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes

 

O POEMA

 

 

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JANELA DE VIDRO

Joema Carvalho 

a janela de vidro quebrou

estilhaçada pelo ar

voo

sob a luz do sol

por entre as nuvens

do movimento mental

 

uma borboleta esvoaçante

novo ciclo que renasce

depois que a torre desmorona

depois do casulo 

duma lagarta grotesca

 

depois da crença 

de que tudo

é impermanente

sem valor intrínseco

 

à noite

um dia

a luz, 

sombra de alguém 

 

um poema

não se explica 

traduz a base

 

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Joema CarvalhoHá 6 meses CuritibaFico feliz que tenha gostado Keila Marta! A resenha do Mhario ficou perfeita! Abraço!
Keila Marta Há 6 meses São LuísLindo poema, abrupto e delicado, denso e suave, reflexivo e belo. E a resenha sem nem pensar muito, ficou impecável. Parabéns!
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