
Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln
A eleição do professor e escritor José Ribamar Neres Costa para o cargo de secretário-geral da Academia Maranhense de Letras, no biênio 2026-2027, reforça a confiança da Casa de Antônio Lobo em um intelectual que há décadas se dedica a pensar, ensinar e promover a literatura produzida no Maranhão. Em chapa liderada pelo presidente Lourival Serejo, o nome de Neres aparece associado à ideia de continuidade e renovação, numa diretoria que articula experiência institucional e diálogo com novos públicos leitores.
Pelo Estatuto e pelo Regimento Interno da AML, o secretário-geral é o responsável pela organização do expediente, pelo registro e guarda das atas das sessões, pelo acompanhamento das decisões da Diretoria e pela manutenção da memória administrativa da Casa. Em uma academia fundada em 1908, com vocação para preservar e expandir a tradição literária do estado, o posto exige rigor, discrição e profundo compromisso com a história da própria instituição, atributos que o novo titular reúne em seu percurso acadêmico e intelectual.
Filho de José Furtado da Costa e Maria Raimunda Neres Costa, José Neres nasceu em São José de Ribamar, em 17 de fevereiro de 1970, e viveu a infância entre Brasília e Luziânia antes de retornar em definitivo ao Maranhão. Formou-se em Letras – Português e Espanhol pela Universidade Federal do Maranhão e, numa trajetória marcada pela inquietude intelectual, concluiu ainda cursos de História, Pedagogia e Design Editorial. Especializou-se em Literatura Brasileira, em metodologias de ensino de Língua Portuguesa e Espanhola, em Pedagogia Empresarial, em Metodologia do Ensino de História e em Educação Ambiental e Sustentabilidade, conquistando depois o mestrado em Educação e o doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, com pesquisa sobre o meio ambiente na poesia de José Chagas.
Sua atuação docente alcança diferentes níveis e instituições. Neres lecionou língua portuguesa, espanhola e literatura brasileira, hispano-americana e maranhense em colégios e faculdades como Colégio Brasil, Faculdade Atenas Maranhense, Faculdade Pitágoras, Faculdade Santa Fé e Universidade Federal do Maranhão, além de ter colaborado com a Universidade Estadual do Maranhão e com cursos de pós-graduação. Em sala de aula, ajudou a formar gerações de leitores e professores, sustentando uma prática pedagógica que alia rigor teórico e proximidade com a realidade dos estudantes, reconhecimento que o levou a receber distinções acadêmicas e o título de professor emérito da FAMA.
Autor prolífico, José Neres transita pela poesia, pelo conto, pelo ensaio, pela crítica e pela literatura infantojuvenil. Entre seus livros destacam-se “Negra Rosa & Outros Poemas”, “A Mulher de Potifar”, “50 Pequenas Traições”, “Restos de Vidas Perdidas”, “Estratégias para Matar um Escritor em Formação”, “Poemas de Desamor”, “Na Trilha das Palavras” e a coletânea de microcontos “O Gosto Ácido da Vida”. Somam-se a essas obras estudos de crítica e história literária, como “Montello, o Benjamim da Academia”, dedicado à trajetória de Josué Montello rumo à Academia Brasileira de Letras, além de trabalhos em coautoria sobre linguagem, cultura e educação ambiental.
Na Academia Maranhense de Letras, sua produção crítica é vista como um esforço sistemático de dar visibilidade aos autores contemporâneos do estado. Resgatar nmes já esquecidos ou ajudar a trazer a lume nomes com claros e evidentes talentos para as Letras do Maranhão. Textos publicados em jornais, revistas e meios eletrônicos revelam uma atenção minuciosa às obras de ficcionistas e poetas maranhenses, numa linha de continuidade com o trabalho pioneiro de Antônio Lobo. Pareceres de grandes nomes da literatura local destacam a sobriedade do estilo de Neres, a fluência vocabular e a imparcialidade com que examina cada escritor, compondo um painel consistente da literatura que se escreve hoje no Maranhão.
Fora do espaço estritamente acadêmico, José Neres é presença constante em entrevistas, mesas-redondas e ciclos de palestras sobre leitura, formação de professores e literatura maranhense, afirmando o livro como eixo estruturante da vida intelectual. Sua inserção em várias entidades – ocupa a cadeira de nº 36 da Academia Maranhense de Letras, é também imortal da Academia Ludovicense de Letras, integra a Academia Poética Brasileira e a Sobrames-MA, além de ser sócio-correspondente de outras casas – projeta seu nome para além de São Luís e consolida sua imagem como referência do pensamento literário no estado.
Prêmios e distinções ajudam a medir esse percurso: reconhecimentos do Instituto de Poesia Internacional, o Prêmio Odylo Costa, Filho, concedido pela Prefeitura de São Luís, o prêmio “A Importância do Livro no Brasil do Século XXI”, da Academia Brasileira de Letras em parceria com o jornal Folha Dirigida, a Medalha do Bicentenário de João Lisboa, entre outras condecorações, atestam a consistência de sua obra e de sua atuação pública. Ao mesmo tempo, o escritor tornou-se patrono e paraninfo de diversas turmas de graduação, sinal de que sua figura está fortemente ligada ao imaginário de estudantes e jovens profissionais que veem nele um modelo de professor e intelectual comprometido.
Destarte, a chegada de José Neres à secretaria-geral coroa uma trajetória de serviço interno à própria Academia, que já o havia eleito 2º tesoureiro em gestões anteriores e 1º tesoureiro na diretoria atual, antes de sua escolha para o novo posto. Ao assumir a missão de ordenar o expediente, acompanhar as deliberações e zelar pela memória escrita da AML, o escritor confirma o papel central que vem desempenhando na vida cultural maranhense: o de guardião atento de uma tradição centenária e, ao mesmo tempo, agente de renovação, capaz de aproximar os clássicos e os novos autores de um público leitor cada vez mais amplo.
VÍDEO-BÔNUS
Abaixo, recente en trevista concedida a Mhario Lincoln, editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes
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