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A “Segunda Poética” traz: Lourival Serejo, José Neres, Alex Brasil, Sharlene Serra, Élle Marques e o imortal poeta Marconi Caldas

O card poético de hoje é da poeta, haikaísta e artista visual (aquarelista) paranaense, VANICE ZIMERMAN

08/12/2025 às 17h43 Atualizada em 08/12/2025 às 18h31
Por: Mhario Lincoln Fonte: Plataforma Nacional do Facetubes
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Plêiade elogiável da lírica maranhense.
Plêiade elogiável da lírica maranhense.

Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes

Imagina uma plêiade de memórias vivas desfilando com muita força contemplativa sua lírica por sobre um mar de leitores afoitos pela Segunda Poética? Sim! A editoria tem muita dificuldade ao escolher os personagens de cada semana para integrar esta seção - que já tem seu lugar cativo - dentro da Plataforma Nacional do Facetubes.

Vanice Zimerman (APB-PR).

Pois bem! Neste segunda, a escolha da equipe foi mais que segura e sincera. Lendo várias publicações ao longo dos dias anteriores, a escolha recaiu sobre algumas das vozes mais expressivas da linguagem poética maranhense - e uma da paranaense, Vanice Zimerman, confreira da Academia Poética Brasileira, seccional Paraná.

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Para começar, o poema “2084”, de Lourival Serejo, é especial, sem dúvida porque condensa em poucos versos uma poderosa memória da pandemia de 2020. A escolha do título projeta o 'eu' lírico para um futuro distante, de onde ele narra aos jovens “o que aconteceu naquele ano de vinte”, como se registrasse um capítulo traumático da história humana em forma de lembrança oral. A linguagem simples, quase coloquial, reforça o tom de relato – “quando o mundo / parou sem entender” – e devolve ao leitor a perplexidade coletiva daquele período, marcada pela interrupção brusca da vida cotidiana e pelo medo compartilhado.

 

Por outro lado, José Neres, cuja poesia traz memória e resistência, quando, em sua lírica, a cidade de São Luís surge como corpo vivo, em que pedras, casarões e figuras como Mãe Calu guardam o trauma da escravidão. Neres recusa tanto o romantismo quanto o panfleto, preferindo a musicalidade rigorosa e a sugestão para fazer o leitor ouvir, no presente, os ecos de um passado ferido.

Alex Brasil, por sua vez, extrai (com muita beleza) o lirismo confessional, onde fé, dor e amor se misturam na figura do “poeta peregrino”, prisioneiro do próprio coração. Sharlene Serra, essa guerreira, usa linguagem clara para contrapor infância e vida adulta, denunciando como o mundo burocrático arquiva sonhos e sorrisos, enquanto reivindica o direito de “brincar de existir”. Já Élle Marques, pastora, temente a Deus, condensa perdas e perdão em poucos versos, confiando na força da sugestão: a saudade é rearrumada na memória, a dor permanece, mas encontra um rito íntimo na espiritualidade e na forma breve.

 

No poema de Marconi Caldas - autor de imortais obras, inclusive a que se lê, "Somos todos D. Quixotes/em busca de Dulcinéias" -  neste, agora publicado, emerge um gesto de celebração amorosa que converte Gabriela (filha de sua prima Cristina Felix Marão Matins) em um emblema de renovação coletiva: a imagética de movimento e o refrão exaltado elevam a experiência afetiva à condição de respeitada e querida da família.  A leitura relembra ainda o peso histórico do autor, poeta, deputado e fundador da Academia Maranhense dos Novos, cuja dicção popular, religiosa e emotiva liga ação política, memória e festa, transformando a homenagem pessoal em rito comunitário.

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Muitas saudades deixou Marconi Caldas. Mas suas obras ficaram!

 

Vamos às obras, Urbi et Orbi...

LOURIVAL SEREJO

2084

Hoje conto para os
jovens o que
aconteceu naquele
ano de vinte
quando o mundo
parou sem entender
e cada qual se
refugiou em casa
usando máscaras
pra não morrer.

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****


JOSÉ NERES
Vozes do chão


Todas as pedras deste antigo chão
Guardam lembranças que não voltarão
Guardam os sopros de revolto vento
Que se desdobram nas dobras do tempo.
Caso escutemos com muita atenção
Os sons vindos de cada casarão
Ouviremos mais que tristes lamentos
Ouviremos vozes e esquecimentos
Como se fossem uma lenda ou oração
A lembrar Mãe Calu e a escravidão
Passando por mais de dez mil tormentos
Revivendo todos os sofrimentos
Que hoje são cantados a voz e violão
Com lágrimas que vêm do coração.


****

 

ALEX BRASIL
Deus me falou

Deus me falou,
eu era ainda um menino,
pra rimar espinho e flor,
eu seria um poeta peregrino,
nesta viagem sempre ida;
sem chegada, sem  partida;
só amar e sofrer na vida.
Deus me falou
do demônio ao meio-dia,
dos olhos tristes do meu amor,
dessa branca poesia,
quando ela partiu e minha alma chorou.
Deus me falou,
por um anjo (mensageiro)
da minha sina-solidão,
sem régua e aritmética;
que eu não seria engenheiro:
seria apenas um poeta,
da poesia prisioneiro,
carregando um imenso coração.

****

 

SHARLENE SERRA
Adultecemos

Um dia,
brincávamos de futuro,
sem pressa de chegar.
O chão era céu,
e o tempo, um amigo que não sabia contar.

Depois,
veio a pressa
as certezas nas incertezas,
Guardamos os sonhos 
em pastas,
arquivamos os sorrisos nas gavetas.

Adultecemos.
sim! Adultecemos!
E sem perceber,
crescemos por fora
e diminuímos por dentro.

Mas às vezes,
em um riso distraído,
e o abraço de vento,
a criança em nós desperta
e lembra 
que viver
também é brincar 
de existir.

****

ÉLLE MARQUES

Perdão


Perdoei
Teu silêncio 
Tua recusa 
Tua partida
Meu ego afundou
Escondi a saudade
como lembrança
dos dias em que os
Sinos tocavam 
embalando meus sonhos


MARCONI CALDAS

Para Gabriela

 

Vai meu beijo
Vai meu sonho
Tudo en mim
Em busca dela.
Vai meu sorriso
De antanho
Vai minhas lágrimas
Tristonho
Menino, em busca dela.
Vai meu estandarte ao vento
De vendavais que já tive
Da salvação de nós todos
Que esse ritual revive. 
Vai no céu minha gaivota.
Vai na nuvem neu anseio
Vai no espanto que creio.
Graciosa primavera...
Fica uma porta fechada
Do ontem que nunca tive.
Fica meu sonho intrincado
Fica neu prédio sombrio
Com sua janela aberta:
Salve, Salve. Eu lhes digo.
Agora é dia de festa
Agora é sóidia dela.
Somos todos semi-deuses
Se nos chegou GABRIELA.

Card poético de Vanice Zimerman, poeta, haikaísta e aquarelista paranaense.

 

 

 

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GEYZA CARVALHO CANTANHEDE MARQUESHá 6 meses SAO LUISA poesia de Élle Marques me emociona pois é um verdadeiro bálsamo para os corações que transmutam saudades em versos e dores em aromas!!! Parabéns a todos os POETAS DA SEGUNDA POÉTICA!!!
Luís BastosHá 6 meses São PauloParabéns a todos. Quero que reflitamos sobre o poema da escritora Sharlene Serra, um poema que me fez voltar a ser criança e brincar de ser feliz. Sharlene Serra e todos os presentes, parabéns. A segunda virou semana poética.
Sharlene SerraHá 6 meses BrasíliaMhario você sempre me surpreende, ainda emocionada sobre o evento da AMLIJ e as postagens do Facetubes, você me coloca entre os mestres e eterniza meu poema. Gratidão! Parabéns por sempre propagar o que amamos fazer.
Dorival de Oliveira Há 6 meses Guarulhos Minhas congratulações a todos literatos. Em especial à mimha mentora e referência no universo das palavras, a exímia Jornalista e escritora Élle Marques que tem contribuído de forma exponencial para com a cultura intercontinental!
NILCEIA ALBUQUERQUE FRANCAHá 6 meses Ponta Grossa-PRMil Parabéns a você, Mestre Mhario Lincoln, por mais esta feliz iniciativa!! Grandes poetas desfilam, com muito merecimento, nesta sua notável coluna!! Mil Parabéns a todos,com muito SUCESSO; em especial, às minhas queridas e brilhantes poetisas, Élle Marques e Vanice Zimerman!! Abraços poéticos!!
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