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“Dia Internacional da Mulher”, sempre! Poetas de todo o Brasil participam

Maria José da Silva, Joizacawpy Costa e Anna Elissandra. Raimunda Frazão, Alcina Maria Azevedo, Sharlene Serra.

09/03/2026 às 16h47 Atualizada em 11/03/2026 às 10h16
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Literatura e Arte do Facetubes.
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Arte: mhl/GinaiFT
Arte: mhl/GinaiFT

Editoria de Literatura e Arte do Facetubes. A SEGUNDA POÉTICA se faz especial porque não celebra apenas um dia, uma data, mas uma travessia histórica de coragem. Ontem foi o oficial "Dia Internacional da Mulher", que nasceu do impulso dos movimentos trabalhistas e foi oficialmente reconhecido pela ONU em 1977. Aqui no Brasil, a luta é contínua, desde que ganhou marcos decisivos com o pioneirismo do Rio Grande do Norte, em 1927, e com a conquista do voto feminino em âmbito nacional, em 1932. Nada disso caiu do céu: cada avanço foi arrancado da resistência, da persistência e da recusa feminina em aceitar o silêncio como destino. Ainda hoje, o próprio TSE reconhece que, apesar das conquistas, permanecem barreiras como a sub-representação e a violência política de gênero.

É por isso que a poesia entra nesta homenagem não como ornamento, mas como força social, memória ativa e linguagem de enfrentamento. A poeta Amanda Gorman, por exemplo, resumiu essa vocação de modo luminoso ao dizer à CBS News que “Poetry is a weapon”,  (..a poesia é uma arma), definindo a poesia como instrumento de mudança social. A frase ajuda a iluminar esta edição: antes de muitas leis mudarem, foi a palavra que abriu fendas no muro; antes de muitos palanques escutarem, foi o verso que denunciou a injustiça; antes de a história registrar, foi a sensibilidade feminina que transformou dor em consciência e consciência em luta. Nesta SEGUNDA POÉTICA, a Plataforma Nacional do Facetubes reverencia as mulheres que fizeram da voz, da inteligência, da ternura e da firmeza uma forma de reconstruir o Brasil por dentro. Na publicação de hoje, alguns exemplos dessa luta infinda, através da lírica de cada uma que atendeu ao convite para está página especial. (Mhario Lincoln, editor-sênior do Facetubes).

PARTE 03

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Releituras poéticas: Maria José da Silva, Joizacawpy Costa e Anna Elissandra.

“Ser Mulher” — Maria José da Silva
Este poema é uma linguagem simples e afetiva para defender algo essencial: ser mulher não deveria significar sofrer, mas viver com dignidade, ternura e respeito. Quase uma pedagogia da delicadeza, lembrando que amor verdadeiro não combina com dor, humilhação ou agressão.

Maria José da Silva.

Ser Mulher 

Maria José da Silva

Ser mulher...
É ter seu brilho próprio.
Ser amada com ternura 
E nunca ser machucada.

Ser mulher
É viver em harmonia.
Sentir sempre alegria 
E ser respeitada.

Ser Mulher
É como uma flor.
Que florece na  vida 
Quando tratada com amor.

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Ser Mulher
É se sentir honrada.
Trazer vidas ao mundo 
Por Deus abençoada.

Mulher, é como louvor
Ama ser cuidada.
Jamais ser humilhada 
Com seu brilho encantador.

Ser Mulher
É brilhar como as estrelas.
São nobres e preciosas,
Sempre maravilhosas!

***

“Luz em forma de mulher” — Joizacawpy Muniz Costa
Aqui a mulher é elevada a uma dimensão luminosa e quase metafísica. O poema faz da luz um princípio total, associando a mulher à criação, ao ventre, ao cuidado e à capacidade de recriar o mundo. Há uma concepção de mulher como força originária, quase ontológica, como se nela a existência ganhasse claridade e direção. Os elementos cósmicos — galáxias, cometas, clarão — ampliam essa grandeza e conferem à figura feminina um estatuto universal.

Joizacawpy Muniz Costa.

LUZ EM FORMA DE MULHER
Joizacawpy Muniz Costa 

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Ao luzir o clarão do sol pela manhã
As faces rosadas de uma bela mulher
Se iluminaram num sorriso leve
Seu olhar, seu sorriso, sua luz
Encheram de paz o que estava ao seu redor.

Deus a fez assim para que nunca
Ninguém duvidasse que ela é capaz
De guardar luz no ventre
De emanar luz dos olhos
E é capaz de transformar
O mundo que sai de suas mãos reluzentes.

Luz de luz, luz de estrela, luz de calor
Brilho intenso que 
Alcança os confins do mundo
Que ultrapassa as galáxias longínquas 
Que cria, recria, que se faz e desfaz
Numa força tamanha.

Sua grande aliança
É o alicerce da paz
Ninguém ousa ofuscá-la
Ninguém ousa desafiar sua capacidade
De ter o mundo nas mãos
E de fazer uma grande revolução.

Os cometas se deslocam
Para reverenciá-la 

Para dobrar-se a seus pés
E aceitar a sua luz que é tão clara.

***

“Hematoma (In)visível” Anna Liz
Este poema é dos mais fortes em elaboração imagética. A casa, que deveria ser abrigo, surge como “território minado”, e o corpo feminino aparece como mapa de tempestades, o que traduz com alta potência poética a experiência do medo doméstico. Trata-se de uma denúncia sofisticada da violência invisível, daquela que fratura por dentro antes de deixar marcas legíveis por fora. O final, porém, desloca o poema da mera dor para a insurgência: na garganta nascem gumes. Ou seja, da mudez pode nascer arma verbal, consciência e ruptura.

Anna Lissandra.

HEMATOMA (IN)VISÍVEL
Anna Liz

Casa, território minado.

Pés/martelos
pregam medo.

Pele, mapa
de tempestades.

Na parede,
toda sombra tem dente.

Se grita,
fazem de conta que é brisa.

Medo fratura.

Mão que jura
também tritura.

Mas, na garganta
nascem gumes
de retalhar mudez.

 

Releituras poéticas: Raimunda Frazão, Alcina Maria Azevedo, Sharlene Serra.

“Mulher” — Raimunda Frazão
Raimunda Frazão escreve a mulher a partir de uma matriz de fé, trabalho e luta. O poema articula espiritualidade cristã, sensibilidade e diversidade profissional para mostrar que a mulher ocupa todos os espaços sem abandonar sua capacidade de amar e resistir. A fé aparece como fundamento de dignidade, enquanto socialmente o poema reconhece a longa travessia feminina em busca de igualdade. Sua força está justamente nessa fusão entre devoção e consciência histórica: a mulher é celebrada como amor, mas também como trabalhadora, combatente e construtora de futuro.

Raimunda Frazão.

Mulher 

Raimunda Frazão 

Mulher Símbolo 
de Amor e Fé 
Jesus quando veio ao Mundo, 
Veio através da mulher, 
Provando assim que nós somos, 
Mistos de amor e de fé. 
Cheias de sensibilidade, Perícia e dedicação, 
Desenvolvemos com garra 
Seja qual for a profissão. 
Mergulhadoras, atletas, 
Professoras, taxistas, 
Domésticas, executivas, 
Policiais, alpinistas. 
Umas nasceram para a terra, 
Outras nasceram para o mar, 
Algumas nasceram para os ares, 
Todas nascemos para amar. 
Na luta por igualdade 
Muitas coisas conquistamos, 
Mas, podemos conquistar mais
Se continuarmos lutando.

***

Alcina Maria Silva Azevedo.

“Bom dia, mulher!” — Alcina Maria Silva Azevedo
Este poema abandona o elogio contemplativo para adotar o tom de chamado, quase de advertência fraterna, contra a violência doméstica e a naturalização do abuso. Seu eixo é nitidamente social: Alcina questiona a permanência da mulher em relações marcadas pelo medo, pela dependência econômica e pela agressão física e moral. É uma fala direta, sem rodeios, e justamente por isso eficaz porque transforma o poema em gesto de encorajamento e denúncia.

Bom dia, mulher!
Alcina Maria Silva Azevedo.

O que acontece com muitas mulheres de hoje?
Antigamente eram amadas e homenageadas. 
Chamadas de Rainha do lar.

Hoje, tu permite abusos e maus tratos?
É o medo de julgamentos injustos?
Temor em ter que a vida enfrentar... sem o cruel 
companheiro, que te esmurra e maltrata, te compra,
com dinheiro?
Até quando, tu irá suportar?
Levante a cabeça! Reaja!
Nada é melhor do que viver em liberdade.
Ser dona da si e, da tua  verdade.
Se dar, o merecido valor. 
Que foi esquecido.
Por ter permitido viver.
Nesse tempo de dor.

***

INTEIRA- SHAELENE SERRA -  No poema de Sharlene Serra, a figura feminina surge como uma ontologia da resistência, alguém que não apenas sofre o mundo, mas o reelabora por dentro, convertendo dor em movimento, silêncio em memória e fragilidade em potência. Há, nesses versos, uma filosofia do ser que lembra que a grandeza humana não está na ausência das quedas, mas na arte de ressignificá-las, como quem faz do cansaço uma ética de permanência. Quando o texto diz que ela “carrega oceanos”, afirma a vastidão interior de uma existência que abriga profundezas, correntes e tempestades, sem perder a capacidade de florir em meio ao áspero, como os “girassóis e cactos” que coexistem nela. A escrevivência, aqui, não é apenas expressão literária, mas testemunho do existir com densidade, como se a mulher fosse ao mesmo tempo raiz, árvore e luz — fundamento, narrativa e transcendência — numa imagem belíssima de quem resiste não por dureza, mas por ter aprendido que a delicadeza também é uma forma superior de força.

Shalene Serra.

INTEIRA

Sharlene Serra

Ela carrega oceanos
nos olhos e no peito.
aprendeu cedo a transformar 
cansaço em força,
queda em impulso.

Costura afetos
e indiferenças
tece tapetes
e voa sobre eles.

Seu corpo guarda histórias
que nunca ousou contar.
sua voz nasce de muitas vozes.
Seu passo traz intenções.

Delicada pela força
da sua escrevivência
dos girassóis e cactos
que nela florescem.

É raiz que sustenta,
árvore que conta histórias,
luz que insiste
e resiste.

Nasce do próprio acreditar.
e Ela segue,
inteira,
sendo flecha,
beijando o vento.

 

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Anna LizHá 3 meses Santa LuziaMulheres maravilhosas de vozes poderosas. Obrigada, Mhario, por divulgar as escritoras maranhenses. Abraços!
Sharlene SerraHá 3 meses BrasíliaA Mulher vista no passeio descrito por Maria José com sua linguagem afetiva, Joiza chega iluminando os caminhos e mostra a luz que emana de toda mulher, Anna Liz ecoa o grito das que ainda atravessam o medo, lembrando que toda voz feminina carrega histórias de resistência. Frazão vem em forma de oração, trazendo a espiritualidade que sustenta, Alcina nos amanhece com o despertar em si. E eu permaneço inteira, mesmo sabendo que ser inteira é aceitar as infinitas partes. Parabéns a todas!
Marta Ferreira Há 3 meses Cururupu MaExcelente apresentação de um contexto poético leve e calmo, e digno de ser apreciado por bons leitores e admiradores da essência feminina. Parabéns, Joizacawpy querida, pelo trabalho!
Maria jose mariaHá 3 meses Rio de Janeiro Que Homenagem,encantador! Me sinto honrada,em poder está Entre as escolhidas com a minha simplicidade. A você Mhario Lincoln meu agradecimento!
joizacawpy Há 3 meses São Luís Que homenagem memorável. Sinto-me honrada de poder estar entre as escolhidas. Um texto que mergulha nas profundezas dos versos, trazendo a tona as entrelinhas de construções únicas. Obrigada Facetubes!
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