Segunda, 27 de Julho de 2026 03:36
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Brasil SEGUNDA POÉTICA

SEGUNDA POÉTICA mostra poemas clássicos e inesquecíveis de membros da Academia Maranhense de Letras

Convidados: Salgado Maranhão, Lourival Serejo, Joaquim Haickel, José Sarney, José Ewerton Neto e Rossini Corrêa.

01/04/2026 09h10 Atualizada há 4 meses atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Plataforma Nacional do Facetubes
Segunda Poética.
Segunda Poética.

A Segunda Poética da Plataforma Nacional do Facetubes firmou-se, com naturalidade e brilho, como um rito literário das segundas-feiras. Tornou-se ponto de encontro para leitores que buscam, na poesia, não apenas o encanto das palavras, mas também a celebração de uma tradição que se renova. Nesse espaço, a literatura encontra seu público com a mesma força com que a alvorada encontra o dia: inevitável, esperada, necessária.

Por essa razão, desfilam aqui vozes de todas as estaturas poéticas — desde aqueles que dão seus primeiros passos na arte do verso, até autores cuja obra já se inscreveu no patrimônio cultural brasileiro. Hoje, a página se reveste de solenidade especial ao prestar homenagem a membros da Academia Maranhense de Letras, cujas contribuições ultrapassam o campo lírico e se projetam na seara da sensibilidade e da criação literária universal. É o reconhecimento de que a poesia, quando cultivada com rigor e alma, transforma-se em legado. E que espaços como este, sob a curadoria atenta do jornalista e poeta Mhario Lincoln, editor-sênior desta Plataforma, cumpram o papel de manter viva a chama que ilumina a palavra escrita.

Convidados de hoje

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Salgado Maranhão 
Lourival Serejo
Joaquim Haickel 
José Sarney
José Ewerton Neto
Rossini Corrêa 

 

 

José Sarney.

José Sarney
O Milagre

O milagre é viver
na graça de sopapos e ladeiras.
Dias de glórias e clarins,
noites de suicídios.

Dias de paz, saúde e esperanças,
noites de guerra e desamor.

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A tudo rendi graças,
no vau dos dias.
Navegar, navegar, naveguei
sem encontrar mares.

Cheguei a uma praia limpa,
branca, de ondas leves.
Um anjo perguntou pela minha paz.

Respondi com um sorriso.
Ele agradeceu, enxugando com areia
as lágrimas que não me deixavam mentir.

 

 

Lourival Serejo.

Nostalgia de um pescador
Lourival Serejo

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A vida inteira passei pescando
no afã de ver minha rede cheia de peixes.
As madrugadas me seduziam
e logo me abandonavam na solidão do lago.

Colecionei alvoradas de todas as cores
as quais ficaram esquecidas na memória.
Perdi os fios das recordações
que apodreceram com o tempo
como os fios de uma tarrafa.

Hoje o lago me chama
e não respondo.
As madrugadas não significam mais nada para mim:
sou apenas lembranças.

 


O VERBO

Salgado Maranhão.

Salgado Maranhão
 
Passos da manhã
trazem-me o dia
a desovar enganos.

(O amor me busca
como um predador.)

No entanto
o verbo freme. Ateia
fogo aos abismos
reincide ao pó
e ao efêmero.

No entanto arrasto
o canto à borda
dos incêndios.

Ó caminhos que afundam
minhas rasuras!

O que é do tempo
é da terra
o que é da terra
é do ter.

Ó escudos de selva
e trilho!

Do que me atrevo
sobrevivo.



Ewerton Neto.

ÓRFÃO
José Ewerton Neto
 
Seja de prece
o teu rosto
 
e tua longas mãos
como um rosário

e eu poderia te enforcar
com um terço

e, depois, secar as minhas culpas
na tua alma de santa.

 

Joaquim Haikel.

A Costela de Adão
Joaquim Haickel

Um dia desses…
pra ser mais preciso
numa noite dessas
depois de intenso amor
ela parou e perguntou a ele:
Qual a parte de teu corpo
em que parte dele
tu mais te excitas?
Ele ainda ofegante
dando tempo apenas ao pulmão
respondeu prontamente
“A parte de meu corpo onde mais me excito!?…
Você!
Cada vez que faço você se contorcer
cada vez que você acusa o golpe
cada vez que você retesa as coxas
as pernas em volta de mim…
nessa hora é a hora em que eu mais me excito.
Essa é a parte de meu corpo que mais se excita.
Você!”

 

 

Rossini Corrêa.

ELEGIA DOS VISIONÁRIOS
Rossini Corrêa

Avança — Dom Quixote —
avança: não tem fim
a luz, fatal archote
a reinventar o jardim

azul do Éden: avança
e, depois da Andaluzia,
mesmo Sancho Pança,
em sua febril fantasia,

a ti convidará: 'vamos!,
que a viagem infinita
é o pão que amassamos,
e a nuvem, na marmita,

nos alimenta com sonho,
nos reinventa, com vinho
e nos liberta do tristonho
e crepuscular caminho.

E Quixote, todo ancho,
colherá um verde lírio
e responderá: 'bom Sancho,
somos filhos do delírio,

a nossa missão é agora
e sempre. A cruz, a rosa
e o pavilhão da aurora
anunciam a uva licorosa.

Vamos... Vamos colhê-la
ali, na rua de toda a terra,
na esplendorosa estrela
que só o nunca descerra.

 

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Cecy BastosHá 4 meses atrásSão Luís-ma"Na graça de sopapos e ladeiras" "Colecionei alvoradas de todas as cores" "O amor me busca como um predador" "No entanto o verbo freme" "Oh caminhos que afundam minhas rasuras" Frases que esses poetas bordaram em meu coração. Bravooo!
Keila MartaHá 4 meses atrásSão Luís Grandes e bons escritores! A literatura maranhense de peso e chegando longe... Parabéns! Sucesso...
Chiquinho França Há 4 meses atrásSão LuisMhario Lincoln, sempre nos trazendo informações maravilhosas. ????????????????????????????????????
Lucas MilitãoHá 4 meses atrásSou do Rio de Janeiro RIOO alcance dessa matéria, senhores é avassalador. Estou em África, neste exato momento. Minha filha me manda esse link. Estou impressionado com a qualidade do trabalho, senhores.
Marcio SalomãoHá 4 meses atrásBrasília DFExcepcional escolha. Parabéns a poesia maranhense.
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