
Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes c/Luis Augusto Guterres
Luis Augusto Guterres, presidente da Academia Maranhense de Letras Jurídicas (AMLJ) envia à Plataforma Nacional do Facetubes uma sugestão de leitura muito interessante. Trata-se de obra da escritora Ana Paula Maia que amplia presença do Brasil no International Booker com romance de atmosfera brutal e alcance universal com Assim na Terra como Embaixo da Terra, traduzido para o inglês como "On Earth As It Is Beneath".
A indicação do presidente, poeta e advogado L.A.Guterres, também escritor com vários livros nessas áreas pubicados, é de real importância, haja vista a presença de Ana Paula Maia entre os destaques do noticiário literário desta semana, não só na midia brasileira. Isso porque, a entrada da escritora no radar mundial já aparecia como um dos sinais mais fortes da circulação contemporânea da nossa literatura, cujo livro passou a integrar a shortlist do International Booker Prize 2026, consolidando o nome da autora entre os seis finalistas da principal premiação mundial dedicada à ficção traduzida publicada no Reino Unido e na Irlanda.
O percurso até aqui já era expressivo. Em termos de trajetória, Ana Paula Maia já chegava a essa disputa com credenciais consistentes. O Booker lembra que ela venceu o Prêmio São Paulo de Literatura em anos consecutivos, inclusive em 2018 justamente por Assim na Terra como Embaixo da Terra. Agora, com a edição inglesa publicada pela Charco Press, o romance reencontra outro público e confirma algo que o mercado editorial brasileiro muitas vezes custa a admitir: certas obras ganham nova escala quando encontram tradução rigorosa, editora atenta e mediação crítica internacional.
A longlist de 2026 foi anunciada em 24 de fevereiro, com 13 obras selecionadas entre 128 títulos submetidos por editoras. A shortlist, divulgada em 31 de março, reduziu esse universo a seis livros. O prêmio reconhece simultaneamente autor e tradutor, divide igualmente o valor principal de £50 mil entre ambos e concede ainda £5 mil a cada obra finalista. A cerimônia final está marcada para 19 de maio, na Tate Modern, em Londres.
No caso do romance de Ana Paula Maia, o interesse internacional não se explica apenas pelo prestígio da seleção. O livro foi apresentado pela organização do prêmio como uma narrativa ambientada numa colônia penal remota, erguida sobre um território marcado por escravidão e colonialismo, onde a punição já substituiu a justiça e a crueldade se transformou em norma. Nessa paisagem fechada, áspera e moralmente degradada, a autora constrói uma reflexão de longo alcance sobre poder, violência, corrupção institucional e desumanização.
Há ainda um elemento decisivo para entender a força da obra: a combinação entre narrativa seca e densidade simbólica. Em material oficial do Booker, a própria Ana Paula Maia afirmou: “I wanted to talk about the prison system”, (“Eu queria falar sobre o sistema prisional”), deixando claro que seu impulso inicial era investigar esse universo não para julgá-lo sumariamente, mas para compreendê-lo em profundidade.
Na mesma conversa, explicou que escreve histórias em que a relação do homem com o trabalho molda visão de mundo, caráter e opinião, e reconheceu a influência de Kafka e de Foucault na construção do romance.
A tradução de Padma Viswanathan também teve papel central nessa chegada ao prêmio. Em entrevista ao Booker, a tradutora observou que foi atraída não só pela brutalidade do cenário, mas pelo desafio de transportar para o inglês o ritmo áspero da linguagem de Ana Paula Maia, preservando sua dureza, sua ternura e seus momentos de elevação quase bíblica. Essa observação é importante porque o International Booker não premia apenas uma boa história: premia a travessia literária de uma língua para outra, e o reconhecimento ao livro brasileiro passa também pela excelência desse trabalho de recriação.
Em rápida resenha: Assim na Terra como Embaixo da Terra é um romance ambientado numa colônia penal isolada, onde presos e agentes do sistema acabam igualmente consumidos pela lógica de um poder apodrecido. Sua história articula confinamento, caça humana, ruína moral e permanências históricas de violência. O livro chegou à shortlist do International Booker 2026 porque atendeu aos critérios da premiação para obras traduzidas publicadas no Reino Unido e na Irlanda entre maio de 2025 e abril de 2026, foi submetido por editora dentro desse recorte e sobreviveu primeiro à triagem de 128 títulos até a longlist de 13, depois ao crivo final do júri presidido por Natasha Brown até o grupo dos seis finalistas. Nessa seleção, a instituição reconheceu não só a contundência do romance, mas sua capacidade de atravessar fronteiras sem perder densidade, idioma moral nem força literária.
Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes
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