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Segunda Poética amplia o alcance da poesia brasileira lançando nomes da nova safra

Desta feita, a convidada é a poeta Maria Isabela Reis, acadêmica de Direito, pesquisadora em áreas jurídico-sociais.

16/04/2026 às 08h05 Atualizada em 16/04/2026 às 11h31
Por: Mhario Lincoln Fonte: SEGUNDA POÉTICA
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Carmen Dias, Maria Isabela, Tríccia A., Rita Delamari, Edmilson Sanches e Maria José da Silva.
Carmen Dias, Maria Isabela, Tríccia A., Rita Delamari, Edmilson Sanches e Maria José da Silva.


Seção da Plataforma Nacional do Facetubes revela autores, forma leitores e já inspira projeto editorial em livro

Hoje, a SEGUNDA POÉTICA consolidou-se como uma das vitrines mais consistentes da poesia contemporânea no Brasil, com leitura espalhada por diversos estados e crescente reconhecimento entre autores, leitores e agentes culturais. Mais do que divulgar poemas, a seção passou a revelar vozes, apresentar novos nomes ao país e reafirmar a permanência da palavra poética em tempo de dispersão. O convite já feito à Plataforma Nacional do Facetubes para o lançamento de um livro com as publicações da SEGUNDA POÉTICA confirma a dimensão alcançada por esse trabalho editorial.

Ao apresentar, por exemplo, a força da escrita de Maria Isabela ao público brasileiro, a seção não apenas cumpre o papel de difusão, mas participa ativamente da formação de novos referenciais da poesia nacional, elevando, a cada edição, a presença da literatura nos quatro cantos do país. As resenhas são do editor-sênior, jornalista profissional (MTb1015-MA), Mhario Lincoln.

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Apresento-lhes:

SINGELO POEMINHA HENDECASSÍLABO PARA UMA ESTRELA DAS MADRUGADAS E MANHÃS
EDMILSON SANCHES

Aquela estrela está de caso comigo.

No mínimo estamos meio assim-assim

-porque todas as vezes que olho para ela

não é que ela está piscando para mim?

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Sob a aparência leve e quase brincalhona, o poeminha de Edmilson Sanches encena uma velha questão filosófica com rara delicadeza: a tendência humana de humanizar o mundo para não atravessar sozinho a experiência de existir. Quando o insight lírico imagina que a estrela “está de caso” com ele e interpreta seu brilho como 'piscadela', não descreve apenas um céu noturno, mas a necessidade profunda de converter o acaso em sinal, a distância em intimidade e o silêncio do universo em resposta afetiva. Há nisso uma pequena metafísica do desejo, porque a consciência, diante da vastidão impessoal do cosmos, cria laços, insinua reciprocidades e transforma um ponto de luz em companhia. O humor, longe de diminuir o poema, amplia sua verdade, pois revela que muitas vezes o amor começa exatamente onde a imaginação salva o real de sua frieza.  

****


ATÉ QUANDO...?

*Carmen Dias

Até quando desmontar 
as tralhas e seguir,
sabe Deus para onde, 
outra vez ...

Até quando ...?
jardins e quintais, 
deixar e partir,
em busca de um novo lar,
de um novo jardim 
a plantar e a florir, 
sabe Deus, em que lugar...

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Quisera um porto seguro,
céu azul, mar em paz.
Quisera ...
descansar os sonhos,
cantando cantigas 
de adormecer à beira 
do a mar.

Carmen Regina Dias.

No poema de Carmen Dias, a pergunta “até quando?” não é apenas geográfica, mas ontológica, porque exprime o cansaço de uma existência obrigada a recomeçar sem nunca se fixar inteiramente no mundo. Desmontar “tralhas”, deixar “jardins e quintais” e partir outra vez transforma a vida numa travessia em que o ser humano parece condenado a buscar abrigo sem jamais possuir, de fato, um chão definitivo. O texto toca numa das dores centrais da condição humana, a instabilidade, essa sensação de que quase tudo é provisório, inclusive os afetos, os lugares e os sonhos. Por isso, a imagem final do “porto seguro”, do “céu azul” e do “mar em paz” não vale só como desejo de descanso físico, mas como anseio por permanência, conciliação e sentido. O poema, assim, com linguagem simples e emotiva, converte a mudança contínua numa meditação sobre o desabrigo da alma e sobre a esperança, sempre teimosa, de que um dia viver deixe de ser apenas 'partir...'.
***

O Que a Vida me Diz?

Maria José da Silva

A vida me diz
Para nunca desistir:
Seguir sempre seu destino 
Com esperança e sorrindo.

Não importa a distância...
A vida vai florecer.
Você vai conseguir 
E um dia irás vencer.

O que a vida me diz?
Jamais esmorecer.
O mundo é imenso...
Mas, você vai aprender.

Aprender suportar 
Sorrir para não chorar.
Um dia vai regozijar! 
E seu destino encontrar.

O que a vida me diz? 
Seja sincero e feliz.
Serás então vencedor, 
Você tem seu valor.

Maria José

No diálogo poético de Maria José da Silva, a vida surge quase como uma mestra interior, uma voz ética que ensina a suportar a travessia sem ceder ao desalento, o que aproxima o poema de uma visão filosófica fundada na resistência, na esperança e no aprendizado pelo sofrimento. Quando o texto afirma que é preciso “seguir”, “não desistir”, “sorrir para não chorar” e “aprender suportar”, ele traduz uma sabedoria antiga segundo a qual viver não significa escapar da dor, mas transformá-la em disciplina da alma. Há também uma confiança clara no devir, porque a vida é apresentada como processo, não como estado pronto, e o destino não aparece como fatalidade cega, mas como construção moral de quem persevera com sinceridade e conserva o próprio valor. Nesse sentido, o poema assume um tom quase estoico e pedagógico, ao sugerir que a grande vitória humana não está apenas em alcançar um fim exterior, mas em tornar-se, no percurso, alguém mais firme, mais consciente e mais digno de si.

 

****

POEMA ESCOLHIDO
Patrícia Araújo teve seu poema escolhido entre vários perfis do Facebook.

Tríccia A.

Não queria falar, de novo, 
sobre saudade, mas, 
tua ausência me obriga a isso. 
Então mergulho, primeiro os pés,
depois, sinto o corpo todo submergir
nesse líquido denso, de cor invisível.
(O vazio é assim, não reflete nada!)
Também não tem cheiro, 
nem deixa vestígios, 
posto que não tem chão,
porque não se alcança o fundo.
Saudade é esse silêncio gélido
e, se me agasalho, é no medo.
É o lugar onde nos sentamos 
para ver o cerimonial 
das melhores lembranças.
Uma prisão sem grades
e sem a menor chance de fuga.
Sentir saudade é um modo 
de não mentir o sentimento,
de não trair o coração
que se encontra em desespero.
Ninguém volta desse mergulho 
inteiro. É como despertar 
de uma antiga insônia, 
atordoado demais 
para se encarar no espelho. 

Tríccia A.

No poema de Tríccia A., a saudade deixa de ser simples lembrança afetiva e se converte numa experiência radical de submersão no vazio, como se a ausência tivesse densidade própria e arrastasse o sujeito para uma região onde já não há chão, reflexo nem saída. Achei o texto profundo, porque entende a saudade não apenas como falta de alguém, mas como prova de que o ser humano continua habitado por aquilo que perdeu. Quando a poeta diz que “sentir saudade é um modo de não mentir o sentimento”, ela toca num ponto ético decisivo, pois sofrer a ausência passa a ser uma forma de fidelidade interior, quase um dever do coração diante do que foi verdadeiro. A imagem do mergulho, da prisão sem grades e do retorno nunca inteiro mostra que recordar, às vezes, não consola, mas desfaz; ainda assim, é nesse desfazimento que o sujeito reconhece sua própria humanidade, porque amar de verdade implica aceitar que certas perdas não se superam sem deixar marcas. O poema, assim, transforma a saudade numa fenomenologia da ausência e numa meditação severa sobre a impossibilidade de sair ileso daquilo que um dia nos constituiu. 


***

A ESTREIA NACIONAL: poeta Maria Isabela

Medo 

*Maria Isabela

O seu medo de se entregar por completo
é o receio que corrói o seu interior:
de que o passado se repita,
de que a intensidade seja momentânea
e de que eu quebre o seu coração no final.

E enquanto o seu medo te consome,
eu estou aqui, a quilômetros de distância,
suspirando de saudade
daquilo que ainda nem vivi ao seu lado.

Eu e você já sabemos
o nome do sentimento
que cresce em nossos corações
a cada dia que passa.

E, quando surgir dúvida
daquilo que sinto,
apenas veja
tudo aquilo que você me causa
sem ao menos me tocar.

 

Maria Isabela.

No poema de Maria Isabela, o amor aparece não como abrigo imediato, mas como campo de tensão entre desejo e trauma, entre a promessa da entrega e o pavor de reviver antigas ruínas. Esse poema revela uma verdade dura a de que muitas vezes não é o desamor que impede o encontro, mas a memória ferida, esse passado que permanece agindo como juiz do presente e ensinando o coração a desconfiar até daquilo que o poderia salvar. Vale dizer que o verso “saudade daquilo que ainda nem vivi ao seu lado” é o centro mais fundo do poema, porque exprime uma forma rara de ausência a falta antecipada, o luto do que ainda não aconteceu, mas já pulsa como destino possível. A distância, nesse caso, não é apenas física; ela é existencial, feita de medo, hesitação e silêncio. E quando a voz lírica pede que o outro veja “tudo aquilo que você me causa sem ao menos me tocar”, o poema atinge sua força maior ao mostrar que certos afetos mais profundos não precisam do corpo para começar a incendiar a alma. Trata-se, assim, de uma meditação intensa sobre o amor interrompido antes mesmo de nascer por inteiro, e sobre a tragédia íntima de quem deseja ser amado, mas teme que amar seja, mais uma vez, o início da queda. 

 

***

Convidada especial/Rita Delamari


ESTRELA MAIOR

RITA DELAMARI

*a Carolina Maria de Jesus.
Sangue nas veias!

O que vem das senzalas,
o da negra luta, o que lhe deu
a raça e sede de justiça

O poder da palavra escrita
a voz potente da favela
a genialidade da mulher semianalfabeta

Escreveu sobre a pobreza 
e da vida, as dificuldades
a fome e a falta de oportunidade

Uma mulher e os livros a catar 
eram a sua viagem, a sua evolução...

Encontrava nos papéis, 
a branca paz
a sua verdadeira liberdade
e a sua redenção

Com seu grito
construiu a sua morada...
Mãe solo que fazia do papel
o custo do seu viver

Precursora em ter o olhar
ao cotidiano periférico
olhando a si e à cidade

No livro, despejou
as condições dos moradores da favela.
Muito lida e logo esquecida

tanta força e verdade 
que aos intelectuais
chamou a atenção.

Paradoxalmente
pelos mesmos do reduto
foi apagada da história

Mas, como apagar o sol?
Como esconder, no infinito céu, a Lua
e ofuscar o brilho das estrelas?

Sua luz jamais se apagará,
é intrínseco da natureza viva

Assim como você, Carolina.


Rita Delamari
Do livro Maré de Vênus (Ed. Donizela, 2025) - Parte I “A capa da heroína”, (pág. 30).

Rita Delamari.

 

A poesia de Rita Delamari representa um gesto de resgate da memória e um poema histórico acerca de uma mulher negra, favelada, mãe solo e escritora que transformou a própria escassez em linguagem de denúncia. Ao evocar Carolina Maria de Jesus como força nascida “das senzalas” e da “negra luta”, o poema recoloca no centro da cultura brasileira uma voz que durante muito tempo foi lida com espanto, mas não acolhida com a permanência que merecia. Há, nesse contexto, uma crítica clara ao modo como o país consome a verdade dos marginalizados quando ela choca, mas depois a empurra para as bordas da história. Por isso, o poema não é apenas homenagem; é também acusação social, porque expõe o racismo estrutural, a desigualdade de classe e a seletividade da memória literária brasileira. Desta forma, a poeta Rita reconstrói Carolina como luz irredutível, alguém que fez do papel recolhido na rua não só sustento, mas libertação e consciência. Assim, sua poesia representa a defesa de uma literatura que nasce da periferia, da fome e da experiência concreta, mas que recusa qualquer lugar de inferioridade e se impõe como patrimônio vivo da dignidade humana. 

 

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Maria Isabela ReisHá 2 meses Maranhão Gostaria de agradecer imensamente pela oportunidade, Mhario Lincoln. Que o seu trabalho possa alcançar ainda mais pessoas.Também gostaria de agradecer por cada comentário. Se quiserem me acompanhar no dia a dia, o meu Instagram é @mariaisabelareiss. Grande abraço a todos do Brasil e do exterior! Atenciosamente, Maria Isabela Reis.
Rita DelamariHá 2 meses Curitiba É uma alegria ter um poema meu publicado no Facetubes, junto a tantos poetas maravilhosos. Agradeço aos comentários, e em especial ao querido Mhario Lincoln pelos incentivos de sempre.
Tríccia AraújoHá 2 meses MGQue honra estar aqui, entre tantos poetas incríveis! Muito obrigada, Mhario Lincoln, pela oportunidade de ser publicada aqui. Fiquei muito feliz!
Simoni TrintaHá 2 meses Quatro Barras PrRita que maravilha te encontrar aqui. Parabens pelo poema. Adorei.
Maria jose mariaHá 2 meses Rio de Janeiro Meu agradecimento, meu querido presidente Mhario Lincoln, por sempre valorizar meus simples poemas. É um honra, esta entre tantas poetsas maravilhosas! Amei!
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