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Viceversa: Mhario Lincoln/Chiquinho França. A verdade dita de forma direta

Uma cconver saudável sobre todos os assuntos e mais um pouco. entrevista exclusiva, Chiquinho França revela detalhes até então desconhecidos do grande público e de seus fãs mais diretos.

25/04/2026 às 10h29 Atualizada em 25/04/2026 às 11h35
Por: Mhario Lincoln Fonte: MHL/CF
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Segundo semestre sai o Vinil com 12 sucessos (instrumental e vocalizado), de Mhario Lincoln/Chiquinho França
Segundo semestre sai o Vinil com 12 sucessos (instrumental e vocalizado), de Mhario Lincoln/Chiquinho França

Nota do Editor: há muito havia convidado Chiquinho França, um dos grandes nomes da música do Maranhão, para fazer um VICEVERSA. Depois de algum tempo ele aceitou e eu estou bem feliz. CF é uma pessoa que admiro pela sua luta pela valorização da música maranhense. E aqui confesso que foi ele - depois de procurar vários outros músicos e maestros - que acreditou que poderíamos, em parceria, fazer um trabalho musical significativo. Daí, o CD "Baixada"  Por outro lado, a nossa música interpretada por Rogeryo du Maranhão - ALUMIÔ - foi premiada com "Menção Honrosa", um dos "Contests" europeus, promovido em Portugal. Por tudo isso, só tenho a reconhecer de forma pública o valor deste artista, agora, desnudado, através desta entrevista exclusiva. Na vida, as pessoas boas ajudam outras pessoas. E eu sou bastante grato a quem me deu a mão nesse mundo da música, cujas oportunidades são realmente bem difíceis.  Valeu, CF.


Perguntas: de Mhario Lincoln para Chiquinho França
Mhario Lincoln – Foi um deficiente visual, segundo a história, que o fez enveredar pelos caminhos da música. Isso é uma prova de que todos, independente de seu aspecto físico ou mental, podem contribuir com a humanidade?
Chiquinho França: Na verdade, ele não me fez enveredar nos caminhos da música, mas foi o primeiro show ao vivo que assisti, foi também o primeiro músico a me apresentar ao vivo, a música instrumental brasileira. O Chaguinha era um anão, deficiente visual e muito pobre financeiramente, apesar de rico de talento e espírito. Pedia esmolas na rodoviária da minha cidade natal, Santa Inês-MA. Eu, ali, com oito anos de idade, vendia merendas para ajudar minha mãe nas despesas da nossa alimentação. Pra ouvir as minhas músicas preferidas do seu repertório, economizava umas moedas, dava ao artista para tocar tico-tico no fubá, brasileirinho e outras brasileiras que ele tocava com seu cavaquinho de afinação inventada por ele mesmo.


MHL – Tenho conhecimento de que você recebeu inúmeros convites para deixar o Maranhão e mostrar esse grande trabalho lá fora. Aliás, você faz sucesso onde é ouvido. Porém, você insiste em continuar em São Luís lutando pelo reconhecimento da música da região onde reside, muito além dos limites territoriais do Estado. Por que?
CF: Não sei muito bem, explicar isso... Tenho esse apego com a música maranhense e sua coletividade, poderia estar cuidando da minha vida e do meu trabalho fora e dentro do estado, mas uma energia me atrai para realizar essas ações, me incomoda saber que produzimos no Maranhão, uma música tão maravilhosa e não se consegue distribuir para um grande público por falta de uma política cultural voltada para um melhor aproveitamento desse rico produto.

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Chiquinho França é um gênio.

MHL - O que realmente representa o conteúdo artístico dos músicos, dos compositores e da alegria maranhense, como um todo?
CF -  A Cultura do Maranhão é um tesouro ainda encravado, em parte, é o maior patrimônio do estado, e a música representa toda essa riqueza. É certo que o criativo e belíssimo trabalho dos músicos maranhenses ajuda a enriquecer a música popular brasileira e apesar disso, ainda é pouco reconhecido e aproveitado politicamente dentro do estado, o governo de forma displicente, não atentou para esse garimpo gigante de riquezas. Se tivesse uma melhor distribuição e mais zelo na produção e apresentação em palco, se tornaria um grande sucesso num “compasso” de tempo.  

MHL – Se a música feita no Maranhão é tão representativa, então por que as dificuldades de estourar de forma definitiva no Brasil e fora dele, como é o caso do Ceará, do Pará, da Bahia e outros?
CF - O processo musical sempre foi o mesmo em todo lugar. Criação/ou composição, arranjo, produção e gravação, distribuição e divulgação, e por último o palco. Antes, todo esse processo era realizado pelas gravadoras, hoje a maioria dos artistas não consegue, por ser independente e não poder bancar uma equipe de produção. Seria nesse ponto que o governo entraria na parceria para ajudar de forma coletiva, impulsionar e incentivar a audição da música para aquecer o mercado e em contrapartida gerar renda para o estado, enquanto produto.

 

MHL – A última vez que passei mais de 40 dias em São Luís foi em novembro de 2019. Durante todo esse período – com raríssimas exceções – escutei no rádio ou vi na televisão regional algo que me remetesse à música original ludovicense. Simplesmente pouquíssimas coisas. O que há de tão misterioso nisso?

CF - Simples, tudo é movido por interesse financeiro, as rádios tem dois motivos para tocar música. Primeiro, tocar a música que já é sucesso para assim ganhar a audiência do público, segundo, cobrar do produtor empresário, pagamento para lançar o produto na região onde a rádio é implantada. Bem aqui, perdemos a parada, isso somente os grandes e poderosos produtores conseguem ter, pelo poder financeiro alto. A nossa música, claro, fica de fora da programação. Quando muito, com a visita do artista maranhense à uma rádio, dependendo do seu nome e fama, poderá ganhar de brinde uma entrevista e até mesmo sua música ser tocada naquele momento. Aqui também caberia a parceria do governo.

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MHL – Você já trabalhou em um governo municipal, dirigindo uma parte da cultura e saiu sem realizar um sonho: resgatar um dos maiores festivais brasileiros, realizados na região sul do Maranhão. O FABER. Pode explicar, de forma cultural, o que representou esse Festival de Música para o País?
CF - O FABER foi um dos maiores festivais de música brasileira desse país realizado nos anos 80 e 90 na cidade de Imperatriz – MA.  A ideia de resgatar o FABER não foi somente realizar um festival competitivo em palco, mas ter esse mesmo objetivo de envolvimento de todos os artistas, produtores, rádios, agências de publicidade e todas as secretarias de cultura do estado em prol da distribuição da nossa música e fazendo tocar até virar um grande produto no mercado. “É IMPOSSÍVEL SE GOSTAR DE ALGO QUE NÃO SE CONHECE”. O governo do estado do Maranhão não tem interesse em fazer parcerias com nenhum seguimento profissional que o leve crescer no mercado de forma independente, tanto na área empresarial, quanto cultura, a ordem é manter o controle para se manter governo.  Disse NÃO para os seguintes e grandiosos projeto coletivos que realmente projetaria a nossa música. 
- SOMMARÁ no RIO
- FABER Festival
- Movimento MARANHÃO MUSICAL
Estranhamente, nunca quis se retratar sobre isso. 

 

MHL – De algum tempo para cá você vem compondo e produzindo músicas verbalizadas. Antes, você compunha instrumentalizadas. Você tem uma voz e é excelente intérprete. Então, por que tanto tempo para cantar essas músicas?
CF - O meu primeiro disco foi um vinil, gravei em 1991 foi como sempre, produzido com muita dificuldade, quando o caminhão descarregou as caixas de discos em minha casa, fiquei sem saber o que fazer com aquilo tudo...  rs. Distribuí de forma consignada em algumas lojas de discos de algumas cidades e passava de trinta em trinta dias para acertar. Mas ainda estavam lá todos os discos... rs ... é que só consegui gravar o meu vinil bem no momento em que todo mundo já estava usando o CD. Rs. O disco saiu com o título, NOVOS TEMPOS foi quase todo vocalizado, apenas três música instrumentais que por sinal se destacaram e começaram tocar nas rádios, uma destas foi a música Filhos da Precisão de Erasmo Dibell, a versão instrumental que virou Hit durante 15 anos como tema de abertura do programa MPM da rádio mirante FM em São Luís. Isso me motivou seguir trabalhando com a música instrumental.

MHL – Vou confessar publicamente: eu tive bastante dificuldade em mostrar para você minhas composições instrumentalizadas e verbalizadas. Já tinha recebido ‘não’ de alguns maestros a quem tinha apresentado minhas músicas. Mas você, de certa forma, acolheu minhas produções e as transformou em faixas de grande sucesso, reunidas no CD, em parceria, BAIXADA. Isso foi uma grande chance que você me deu para continuar na música. E isso você tem feito com muitas outras pessoas. Por que?
CF - Mhario, tudo que tenho conseguido conquistar na minha vida foi e é, através de parcerias e amizades. Isso me enche de emoção que logo se mistura com a gratidão e vira combustível para seguir, porém quando eu descobri que a sensação de poder ajudar é bem maior que a de receber, procuro dar um jeito de não perder nenhuma oportunidade. No seu caso, não foi somente a vontade de ajudar, mas percebi células de arte e sentimentos no seu trabalho, foi como maquiar uma bela mulher só pra dar mais um realce. A coisa já estava ali, pronta. Tanto que, se alguém tiver dúvida é só ouvir o CD BAIXADA pra constatar.

MHL – Um grande sucesso internacional entre muitas das composições feitas por você é FISSURA. Como aconteceu?
CF - Outra pergunta difícil de responder, FISSURA foi feita em 45 minutos, bem na hora em chegou minha guitarra nova, um presente do meu amigo então governador do Maranhão, Ribamar Fiquene. Ele ficou sabendo que eu estava sem instrumento, morando na cidade de Imperatriz e me enviou na minha casa, uma guitarra, um amplificador e uma pedaleira, fiz FISSUARA chorando de emoção, e essa mesma emoção se repetiu no momento da gravação em estúdio produzindo o meu primeiro CD Instrumental. Acho que essa é a resposta! FISSURA, entre todas as minhas músicas, se transformou na preferida pelo o público e mais tocada, ela continua abrindo porta para o meu trabalho seja no Maranhão, Brasil ou em mais de 150 países, como trilha sonora através da Globo Internacional. A música é a arte de manifestar os mais diversos afetos da nossa alma.  Tem que ser criada e executada com emoção para atingir esse objetivo.


MHL – Na maioria das composições que você faz, há sempre uma relação muito visível: amor, perda, tristeza e retorno. Pode explicar isso ou é algo que acontece sem explicação?
CF: Algumas, ouve inspiração de momentos vividos, outras sentei e surgiu.  Simples assim!  Descobri que sou um compositor de encomenda e a partir disso, comecei trabalhar na produção de Jingles, vinhetas, trilhas sonoras etc. Isso ajuda pagar os boletos. Rsrsrs

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Perguntas de Chiquinho França para Mhario Lincoln

 

Parceria há mais de 5 anos. (Arte: NUNA NETO).

1 Chiquinho França - Mhario, de onde vem o interesse pela leitura, notícia e arte?
MH: A primeira vez que me entendi na música, foi ouvindo o pedal de Garrincha, um dos grandes bateristas que vi tocar. Já tinha passado por aulas de piano clássico, após abandonar o violão de meu tio Wilson ‘sem cordas’. Levei uma bronca danada. Larguei os teclados e as cordas e fui admirar Garrinha. Aos 14 anos pedi a minha tia que comprasse uma bateria. Foi uma confusão. Meu pai brigando de um lado, minha mãe de outro, até que finalmente minha tia bateu o martelo e comprou o instrumento. Durante bons 4 anos de minha vida, uma realização: toquei em muitos bailes. Aprendi muito. Nesse ínterim, aprendi também a ler e a gostar da leitura através do livro “Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos. E depois, quando deixei a função de baterista, fui convidado a trabalhar no “Jornal Pequeno”, como auxiliar na editoria de polícia. Começou aí, minha carreira no jornalismo.

 

2 Chiquinho França – Você quando jovem tocou bateria, chegou a trabalhar de forma profissional? Em qual grupo, ou melhor “conjunto” da época, você tocou?  
MH: Logo após minha tia me dar a bateria, comecei no “Conjunto Super-5”, do Liceu Maranhense. Depois, de forma mais profissional, fui para o “Conjunto do Zé Quita” e lá toquei com Rogeryo Du Maranhão, Zequinha, Makarra, Adilson e outros bons músicos da época. Ainda tentei deixar a bateria e fazer um teste para a ‘tumbadora’, no ‘Conjunto Nonato’. Era meu sonho profissional. O artista ‘Santana’ estava no auge e a ‘tumbadora’ era um instrumento fundamental para aqueles ritmos latinos. Não deu certo!


3 Chiquinho França – Existe ou existiu outros músicos na sua família?
MH: Sim, meu tio Wilson Almeida, o professor das minhas primeiras experiências com instrumentos de corda. Quebrei muitos encordoamentos dos violões dele. Por isso e em agradecimento, eu e você, fizemos a música “Tio Wilson”. Está em nosso CD “Baixada”.  Quando ouviu, em 2018, ele chorou. Quando for a São Luís, Chiquinho, quero levá-lo para conhecer o Tio Wilson. Ele me disse que seria uma grande honra ter você perto e tocar no violão dele. Até hoje ele ainda toca o instrumento. Valsas e Chorinhos. Quando pode ele vai nas promoções do Ricarte Almeida, nas rodas de choro. Fica lá ouvindo. É uma festa para ele. Quando mais novo, destacava-se por interpretar Dilermando Reis, nas reuniões de família. Participamos de muitas serenatas juntos.

 

4 Chiquinho França – Você trabalhou um longo tempo como colunista social, o que mais te chamava atenção nas festas da alta sociedade, elevada pelo poder aquisitivo financeiro. Qual a diferença além do dinheiro, entre as “classes” da sociedade?
MH: Na verdade, foi um período muito legal de minha vida. Fiz algumas amizades interessantes. Aprendi muito. Lapidei a minha forma de escrever. Personalizei minha linha de cronista. Obtive relativo sucesso por onde passei, especificamente, nos jornais “O Imparcial” e “Jornal Pequeno”. Foram escolas de vida. Nesse período tive obrigatoriamente de aprender as minhas limitações. Esse foi o período da minha autorreformulação. Da compreensão humana e seus limites. Dos vícios psicológicos. Da construção do caráter. Claro e óbvio que há nesse meio, muitos momentos desagradáveis. Porém, em sua maioria, forçou o meu amadurecimento enquanto gente. No meu caso, usei de minhas regalias para me aproximar de figuras incríveis no meio da música. Por exemplo, fui o anfitrião de Rita Lee, quando ela esteve em São Luís para uma promoção de Flor de Lys. Abracei Roberto Carlos. No Rio conversei um bom tempo com Steve Wonder, estive com Ray Conniff, quando se apresentou no então Hotel Quatro Rodas. Fiquei ao lado dele durante a passagem do som. João do Vale me apresentou Buzar, Martinha, João Bosco e Fafá de Belém, enfim, aproveitei meu lado de colunista social para me ‘enfronhar’ das formas mais inusitadas no meio musical da época. 


5 Chiquinho França – A tecnologia, e pra ser mais direto, a rede social, vem com uma velocidade tirando o chão dessa divisão de classes social e dificultando a vida de políticos corruptos no Brasil e no mundo! O que você tem a dizer sobre esse assunto?  
MH: Na verdade, a internet é uma faca de dois gumes. Da mesma maneira como desnuda e regurgita os males, esconde aqueles que podem fazer-se esconder. Claro que existem muitos que usam as redes também, para denunciar um montão de coisas. Mas será que isso diminui os atos ilícitos? Fui ler a professora Denise Moura e lá estava escrito: “A corrupção hoje é obviamente mais visível, com todo o aparato moderno”, mas ainda existe com força total. Aproveitando essa excelente pergunta Chiquinho França, quero finalizar com o “Sermão do Bom Ladrão”, proferido pelo Padre Antonio Vieira, naquela época: “O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera. (…) os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com ‘manha’, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.”. Eis o dilema! 


6 Chiquinho França - Quem é Deus, pra você?
MH: Cara, é realmente algo muito pessoal. Cada um acredita nesse Poder Superior da maneira como O concebe. Eu acredito em Deus por inúmeros motivos. Tenho muita Fé. Quando oro, o faço dentro de uma concentração de crença e de agradecimento. Fui beneficiado muitas vezes por esse Deus Glorioso e poderia passar nossa conversa inteira (e não conseguiria esgotar o assunto) contando todas as experiências que tive. E que, se não fora o Amor de Deus, jamais as teria superado. Mas vou buscar as palavras de Ariano Suassuna: “Se eu não acreditasse em Deus, seria um desesperado (...) Eu não conseguiria conviver com essa visão amarga, dura, atormentada e sangrenta do Mundo. Ou existe Deus ou a vida não faz sentido nenhum (...)”. Assino embaixo.


7 Chiquinho França – Como você define o AMOR?
MH: Os filósofos costumam classificar o amor de três formas: o amor Ágape, este ligado ao pensamento cristão, onde é idealizado pela renúncia. Amar como forma de renúncia em favor do outro, sem esperar o retorno disso. O segundo, é amor Filos, diretamente associado à amizade, à compreensão de ‘modus’, o companheirismo que se desenvolve num casal. Esse é um amor, sem a ebulição da paixão. Já o terceiro é o amor Eros, definido por Platão como um amor ligado à ideia do desejo. (‘Amor Platônico’). Amar alguém, nessa concepção, significa desejar fortemente aquela pessoa. (Nesse caso específico, conquistado o desejo, esparge-se o amor). No meu bestunto, acredito que o amor não carece de romantismo absoluto. Acredito que o Amor é real. E para classificá-lo de forma rápida, vou buscar a única palavra (real) que acredito ser sinônima: liberdade. Isso porque, se algo que você sente, acaba passando a sensação integral e real de liberdade, numa vida à dois, então isso é Amor em seu estado absoluto. Talvez seja a liberdade o fator de maior peso sentimental numa relação: ser livre e ser fiel. Há algo mais consistente do que isso? Essa é uma abordagem minha que talvez possa gerar algum mal-entendido. Mas é assim, a minha forma de conjugar o verbo amar que, aliás, é algo muito íntimo e cada um reage conforme a cultura, o momento, a situação, o país e o credo. O amor, a meu ver, passa por todas essas influências positivas ou negativas. Todavia, e ainda assim, deixo-me acreditar que a forma mais pura de amar é concedendo à pessoa amada, total liberdade e confiança. Isso nasce inconscientemente em quem ama de forma verdadeira. Assim, a liberdade sacramentará a existência desse enunciado de que nunca haverá amor sem fidelidade e confiança.

 

8 Chiquinho França – Você acha que a felicidade está dentro de nós ou vem das pessoas?
MH: Excelente pergunta! Respondo considerando a gratidão, como um dos sentimentos mais significativos para mim, me deixando muito bem, interferindo positivamente no aumento da minha autoestima/felicidade. A gratidão me torna feliz, otimista e resiliente para enfrentar as dificuldades que possam aparecer no percurso da vida. A felicidade é algo intrínseco. Ter gratidão por quem somos e por tudo o que temos, e não invejar a felicidade do vizinho, nos dará oportunidade única de não cair em desgraça (ou tentação), através de algo perigoso,que é a autopiedade. A autopiedade muitas vezes nos leva ao fundo do poço da existência e nos cega de forma maliciosa, nos levando a não enxergar a felicidade pessoal, guardadinha no peito, bem perto, mas tão despercebida por influência direta da competição orgânica com o outro.


9 Chiquinho França - Na sua visão, porque existem pessoas que precisam perder algo para perceber que eram felizes, tanto que, se pudessem conseguir de volta ficariam felizes o resto da vida?
MH: Na minha concepção, ligar-me indefinidamente às perdas foi um fator ‘sine qua non’ para meu retrocesso. Se há perda, ‘algo’ se foi por vários motivos. E muitos deles, por exemplo, pelo fato de valorizar demais o que se acabou perdendo. A hipervalorizarão causa perda. Sempre! Não quero aqui atribuir a perda, algo de total satisfação. Absolutamente, pois sei, por exemplo, que ninguém sai melhor de uma perda tão grande. Porém, sai diferente. Aí, o papel fundamental da perda no ser humano. A oportunidade única de reciclagem, de seguir novos caminhos. Crescer e aparecer. Outras grandes oportunidades podem estar no meio da nova trajetória. Então, se eu nunca sigo esse novo caminho por achar que reconquistar a perda me trará novamente a ‘felicidade’, é um grande erro, em minha concepção. A insistência nessa reconquista das perdas acaba levando a problematização do próprio autoconceito, tipo, ‘nunca mais vou amar’, nunca mais vou encontrar alguém melhor’, ‘estou perdidamente sozinho’, não sou mais eu’, até... em algumas situações das mais trágicas, ‘não aguento mais viver sem...”. Portanto, seguir uma nova rota poderá transformar a problematização da baixa estima num novo alento.  Como diz Bruna Lombardi, em adendo, no meu livro “Ina-A Violação do Sagrado”: “Expor a loucura, desnudá-la, compartilhá-la com todos (...). Talvez alguns queiram um respiro. Um grande respiro. Uma tomada de ar. Apenas isso”. Então, que se abram novos caminhos, novas tomadas de ar, novas oportunidades.


10 Chiquinho França – O egoísmo é o pior sentimento. É quem atrapalha toda harmonia da vida humana. Também eu gostaria de saber qual a importância da família pra nossa vida em sociedade. O que acha?
MH: O egoísmo é, na verdade, uma das armas mais poderosas de destruição em massa. Isso porque está em todo ser humano. Estudos espíritas – Alan Kardec, o Codificador – afirmam ser o egoísmo “o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um, para vencer-se a si mesmo, do que vencer os outros”. Sem dúvida uma afirmação proeminente, haja vista, ter o ser humano de vencer o egoísmo comum a cada indivíduo. Então, como lutar contra o egoísmo dos outros se não autovencer o próprio? E Kardec finaliza: “O egoísmo é a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens”. Por outro lado, para se saber realmente o valor de uma família tive que sair do lugar cômodo, das teorias sociais inorgânicas, casuais e cheias de mesmice. Para se conhecer realmente o valor (ou não) de uma família na sociedade, é imprescindível a leitura do livro “Longe da Árvore”, de Andrew Solomon. Essa obra, investiga a vida de famílias com filhos com Síndrome de Down, autistas, prodígios, transexuais, esquizofrênicos, crianças com deficiências simples ou múltiplas e crianças cuja concepção foi fruto de um estupro. Crianças, enfim, que desafiaram o afeto dos pais. Resultado de uma ampla investigação (sobre as tensões entre identidade e diferença em famílias, com filhos portadores de deficiências físicas, mentais e sociais), “Longe da árvore” é um ensaio sobre a tolerância e a valorização da diversidade. Aí está o ponto chave da discussão entre as famílias: a valorização da diversidade. A partir daí, se pode ter uma definição quase completa do que realmente representa o conglomerado família, diante de um ajuntamento social. Esse é o parâmetro.

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VÍDEO-BÔNUS

(Alumiô/Mhario Lincoln-Chiquinho França)

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Keila MartaHá 1 mês São LuísDesafio esse que com certeza será transformado em legado para as futuras gerações. O nosso estado infelizmente carece de tudo no sentido educação e cultura. E falo que não é só no sentido de ir a escola de modo prático como direito fundamental, ir para imprimir em si o refinamento que o saber pode oferecer. Aprender a dar valor em cada detalhe do que é nosso, a música, comida, a dança, o teatro, as lendas, como acontece nos países europeus e na Ásia, cada canto é bem apreciado. Parabéns!
Keila MartaHá 1 mês São LuísO VICEVERSA como sempre interessantíssimo com conteúdo muito valioso que é sobre cultura, música e algumas questões filosóficas se não existenciais. Eu tenho cada vez mais me debruçado a estudar com muito afinco e atenção sobre cultura e as suas diversas expressões e vejo que o Brasil carece de pessoas como o Chiquinho França, porque sair resolve no sentido de dar visibilidade e impulso na carreira, mas produzir música e lutar por uma consolidação dela aqui no Maranhão é um desafio imenso.
JaimeHá 2 meses BSB/DFVcs 2 são dez!!!
Martinália AzevêdoHá 2 meses Rio de Janeiro RJSoube que antes de cê encontrar o Chiquinho, esse músico internacional, cê rodou mostrando suas composições (eu falo de letra de música mesmo. Feito para música). alguns banbanbans do Maranhão não deram bola. Só o Chiquinho vislumbrou futuro. E aí está. Sucesso borbulhante no Brasil. E esse vinil vem coroar essa bela parceria. Parabéns Mhario Lincoln. Eu tenho certeza que você é um dos maiores produtores de cultura da atualidade no Brasil.
Chiquinho França Há 2 meses São Luís Que bate papo maravilhoso, meu amigo Mhario! Tudo em cima de muitas verdades, realidades e realizações! Obrigado pela oportunidade e carinho. Vc é um grande parceiro!
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