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“Mães abusivas retratadas nas literaturas”, por Renata Barcellos (BarcellArtes)

Renata Barcellos é convidada da Plataforma Nacional do Facetubes.

11/05/2026 às 16h27 Atualizada em 11/05/2026 às 16h55
Por: Mhario Lincoln Fonte: Renata Barcellos
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Renata Barcellos.
Renata Barcellos.

Renata Barcellos (BarcellArtes)

Quando se considera a possibilidade de romper com a idealização da maternidade, essencialmente, estamos nos referindo ao processo de entender e enxergar as mães como seres humanos, e não uma categoria humana (ou divina) à parte com todas as respostas e de um ser nutrindo o maior amor do universo. Entretanto, há de se considerar que este papel deve ser uma opção e não imposição (como através dos tempos e, lamentavelmente, ainda presente em muitas culturas). Cabe considerar que Mães são pessoas. Estas erram, ficam confusas, cansam, se frustram... Como toda pessoa, são capazes de atitudes maravilhosas e, também, terríveis. Essa faceta materna mais sombria tem ganhado maior destaque midiático devido a inúmeros casos noticiados.

Vale divulgarmos a existência do Disque 100. Trata-se de um canal para recebimento de denúncias do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Dados divulgados entre 2012 e 2017 revelam que as mães são as mais denunciadas por violações contra crianças e adolescentes. Nos relatos feitos por telefone, geralmente de forma anônima, a maior parte das acusações (físicas, psicológicas e sexuais) ocorre dentro da casa das vítimas. Em 2017, último ano disponível para consulta no site do MMFDH, as mães foram responsáveis por 37,44% das denúncias. Em 2015, esse número foi de 40,06%. O que está acontecendo? Isso são os dados oficiais. Sabemos que muitos casos não são denunciados.

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Como as literaturas retratam o homem no seu tempo. Seus dilemas são denunciados. Dessa forma, este tema tem sido abordado. Por exemplo: nas literaturas infantis, entre as décadas de 1980 e 1990, as mães eram retratadas nas histórias como aquelas que dão bronca, passam a tarde assando um bolo, usam vestido, salto, avental e coque... Nada a ver com as de hoje  (tanto no mundo real quanto nos livros infantis atuais). Neles, a mãe trabalha, brinca, senta no chão, fica cansada, tem dúvidas e também é um ser com vontade e desejos próprios. Às vezes, a mãe não está. Há outros cuidadores e existem configurações familiares mais diversas. Isso porque, cada vez mais, os livros infantis têm apresentado a maneira como nos comportamos no mundo real. Abaixo, alguns livros que abordam a temática:

1. O lenço de cetim da mamãe (Companhia das Letrinhas), Chimamanda Ngozi Adichie

Escrito pela autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, o livro apresenta uma mãe que usa um lenço de cetim nos cabelos para dormir. Quando ela sai, pela manhã, para trabalhar, a criança fica com esse lenço, que a acompanha em várias aventuras ao longo do dia.

2. Porcolino e mamãe (Brinque-Book), Margaret Wild

Este é um livro que retrata quando a mãe não está. Um tema angustiante para as crianças.

3. O lenço (Brinque-Book), de Patricia Auerback

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Em um dos livros da Coleção Objetos Brincantes, O Lenço, a figura da mãe e a relação dela com a criança de muito afeto.

4.Almoço de família (Companhia das Letrinhas), Janaína Tokitaka

Em Almoço de família, Janaína Tokitaka conta a história de Maya e como seus pratos preferidos variam, de acordo com as transformações que acontecem na sua família - e são muitas. Os pais dela se separam, ela passa a ter duas casas e a mãe dela acaba se casando com uma mulher. Vale ressaltar que famílias compostas por mais de uma mãe não era algo que retratado nas literaturas.

5. Em Eu, Inútil, Cibele Laurentino narra a história de Madalena e sua superação dos traumas gerados por uma mãe narcisista, que a chamava de "inútil". Assim, esta aborda temas como maternidade tóxica, abusos e busca por identidade.   

As mães abusivas nas literaturas são retratadas de diversas formas, frequentemente, quebrando o estereótipo da figura materna nutridora e incondicional. Elas são apresentadas como figuras tóxicas que prejudicam a autoestima, manipulam emocionalmente e exercem controle excessivo sobre os filhos. Muitas vezes, utilizando a dependência financeira ou emocional para mantê-los sob seu domínio.

Os principais perfis e características retratados incluem:

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·         Mãe Narcisista: caracteriza-se por uma necessidade constante de admiração, falta de empatia e comportamento manipulativo. Essas inferiorizam os filhos, fazendo-os acreditar serem incapazes, e competem com eles, colocando-se sempre como o centro das atenções.

·         Mãe Vitimista: utiliza a chantagem emocional e a vitimização para manipular os filhos, fazendo com que se sintam responsáveis por seu bem-estar emocional.

·         Mãe Superprotetora/Controladora: invade o espaço pessoal, monitora a vida digital e controla as decisões dos filhos sob o pretexto de ajuda.

·         Figura Monstruosa/Cruel: em obras literárias, algumas mães são retratadas de forma extrema, como figuras que maltratam, humilham ou até exploram os filhos. Exemplos notáveis incluem:

o    Folcoche em Vipère au poing (De víbora na mão), de Hervé Bazin.

o    Madame Lepic em Cabeça de Cenoura, de Jules Renard.

o    A mãe em O Amante, de Marguerite Duras.

·         Mãe da Realidade/Abuso Estrutural: obras mais contemporâneas ou autobiográficas, como Eu Estou feliz que minha mãe morreu, de Jennette McCurdy ou Lutas e Metamorfoses de uma Mulher, de Édouard Louis, retratam o abuso como algo enraizado na história de vida da própria mãe (pobreza, falta de escolhas), onde o controle e a agressão são formas de sobrevivência.·          

Principais Temas e Impactos Relatados         

·         Isolamento: mães abusivas frequentemente isolam os filhos socialmente, impedindo-os de ter outras referências de relacionamento.

·         Dificuldade de Superação: as literaturas mostram que, mesmo após o distanciamento, os filhos podem ter dificuldades em confiar em suas próprias decisões e sentir insegurança.

·         Tabu: a representação de mães abusivas continua sendo um tabu, pois contradiz a norma social de que a mãe é sempre amorosa e boa.

·         A partir desta breve abordagem de algumas obras, fica a reflexão:

Sou alguma dessas mães aqui retratadas nas diversas literaturas? Ou qual mãe é a minha? É alguma delas?

Concluiremos com algumas trovas sobre a temática MÃE de trovadores membros da Academia Maranhense de Trovas (AMT) cuja presidente é Wanda Cunha

Mamãe é um encantamento.

Eu vivo sempre a admirar.

Por ela meu sentimento, 

quero sempre respeitar. (de Goreth Pereira)

 ****                              

Amor de mãe, sem igual, 

é para a vida contida.

Nesta união filial, 

há muita emoção vivida. (Joizacawpy Costa)

  ****

Mãe é um ser transcendente,

puro amor, plena pureza;

nascente, foz e poente;

diva e luz por natureza. (José Carlos Castro Sanches)

 ****

Mãe que luta noite e dia,

luta sempre sem cessar.

Venci com garra e ousadia,

exemplo de se orgulhar. (Kátia Cilene)

 

Para quem é MÃE, PÃE... DE FATO... PARABÉNS!!!

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